
Olá pessoal.
Em vários momentos desta minha humilde existência me pego fazendo comparações. As vezes me vejo traçando paralelos de como seriam as coisas no plano espiritual, coisas aqui da nossa vidinha pesada e material, ou até como algumas facilidades do outro plano viriam bem a calhar neste plano daqui.
E a grande idéia desta coluna é falar de tudo isso. Todos estes comparativos… . Tenho outros materiais aqui para falar com vocês e até tive dificuldade de escrever o texto de hoje. Mas acho que ele é mais do que importante para o momento em que estamos vivendo. Espero que esta coluna seja uma via de duas mãos e que vocês possam ir adquirindo confiança e postando comentários e até sugestões de temas que possam ser aqui tratados.
CASO NARDONI
Acredito que todos tenham acompanhado o caso da pequena Isabella e o penoso desenrolar desta história que vem incessantemente sendo revirada na mídia. Já foram escancaradas fotos da menina, da família da menina, a professora da menina já deu depoimento, o avô da menina se pronunciou oficialmente, já sabemos a cor do sapato dos advogados da madrasta da menina.
Este excesso de foco no caso faz com que a população se mobilize em função disso, o que gera maior cobertura da mídia, se tornando assim um processo de bola de neve onde uma coisa alimenta a outra, se transformando, inclusive, dependentes entre si: o programa de TV que não fala do caso não tem audiência. Quem não sabe sobre o caso não entende do que está sendo falado.
Uma característica interessante de nossa população, especificamente de brasileiros, é a de que o povo costuma tomar questões que julgam injustas para sua tutela. Querem fazer justiça, exigir justiça, ver o sofrimento dente-por-dente alheio, mesmo que tenhamos deixado esta lei animalesca e estejamos em plenos 2000.
Cartazes foram pregados na frente do prédio onde estava o casal. Gritos de justiça e baixo calão. Vigília e até tentativa de invasão, Xingamentos. As detentas se mostram avessas ao caso e escrevem mensagens que deixam a sociedade um pouco mais saciada por essa sede de vingança nacional. “Ah, na prisão ela vai ver o que é sofrer!” – ouço por aí.

O que é tudo isso? No que efetivamente ajuda tudo isso?
Temos aqui um caso claro de desencarne pesaroso, difícil e que com esta repercussão acaba por ter muita energia envolvida. As reações para as ações tomadas pelo casal não são de meu interesse. Essa dívida eles vão ter que buscar nesta ou em tantas outras encarnações que todos temos pela frente. Mas.. e a menina? Será que estamos ajudando em alguma coisa ao emitirmos vibrações tão desequilibradas toda vez que vemos o caso?
Ao invés desta sede de vingança, de se preocupar se a cela em que está dormindo a madrasta está confortável ou não, deveríamos apenas vibrar. Vibrar para que a pequenina tenha uma passagem um pouco menos atribulada, que o casal que se não está arrependido, em algum momento de sua existência estará, tenha calma e consiga se aproximar de seus mentores, que consigam resgatar esta dívida da melhor maneira possível.
E que no fim, que todos tenham paz.
Afinal a consciência é a arma mais eficiente que o homem pode ter.
Livro dos Espíritos, pergunta 761:
A lei de conservação dá ao homem o direito de preservar a sua própria vida; não aplica ele esse direito quando elimina da sociedade um membro perigoso?
Resposta dos Espíritos: “Há outros meios de se preservar do perigo, sem matar. É necessário, aliás, abrir e não fechar ao criminoso a porta do arrependimento.”
Filippo – Vale do Paraíba