From the monthly archives: August 2010

Um artigo do blog Textos para Reflexão (*)

E lá se vão 100 anos do nascimento do maior médium brasileiro. Naturalmente que tenhamos uma renovação do interesse pelo tema Chico Xavier: desde filmes a livros e matérias de revistas conhecidas, além é claro dos costumeiros ataques. Chico sempre inspirou os crentes e incomodou os céticos, tentarei explicar o motivo…

Um breve resumo de sua vida se encontra na Wikipedia: Nascido de uma família pobre em Pedro Leopoldo, região metropolitana de Belo Horizonte, era filho de Maria João de Deus e João Cândido Xavier. Educado na fé católica, Chico teve seu primeiro contato com a Doutrina Espírita em 1927, após fenômeno obsessivo verificado com uma de suas irmãs. Passa então a estudar e a desenvolver sua mediunidade que, como relata em nota no livro ” Parnaso de Além-Túmulo, somente ganhou maior clareza em finais de 1931. O seu nome de batismo Francisco de Paula Cândido foi dado em homenagem ao santo do dia de seu nascimento, substituído pelo nome paterno de Francisco Cândido Xavier logo que rompeu com o catolicismo e escreveu seus primeiros livros e mudado oficialmente em abril de 1966, quando da segunda viagem de Chico aos Estados Unidos. O mais conhecido dos espíritas brasileiros contribuiu para expandir o movimento espírita brasileiro e encorajar os espíritas a revelarem sua adesão à doutrina sistematizada por Allan Kardec. Sua credibilidade serviu de incentivo para que médiuns espíritas e não-espíritas realizassem trabalhos espirituais abertos ao público. Chico é lembrado principalmente por suas obras assistenciais em Uberaba, cidade onde faleceu. Nos anos 1970 passou a ajudar pessoas pobres com o dinheiro da vendagem de seus livros, tendo para tanto criado uma fundação.

Eis um homem praticamente inatacável: Doou todos os direitos autorais de suas obras para a caridade. Não foram poucas obras, nem produzidas nem vendidas. Houvesse retido os direitos, lucraria uma média de 670mil reais por ano (nos valores atuais) durante a vida [1]. Houve quem tentasse encontrar uma lógica absurda de lucro, baseada em “mimos” que as dezenas de editoras diferentes retornavam a Chico, mas o absurdo do ataque fala por si mesmo.

Nada consta, igualmente, de sua vida sexual: Passou a vida toda como assexuado, dedicando todo seu tempo a caridade, a produção literária (psicografias), ao trabalho (aposentou-se como escrivão e datilógrafo no Ministério da Agricultura) e a divulgação da doutrina espírita. Seu filho, Eurípedes, foi adotado, e hoje registrou a assinatura do pai, recebendo os 10% do lucro de tudo que é lançado com ela – inclusive os filmes (nem todos são “santos”, obviamente).

A espiritualidade sempre se preocupou em manter Chico além de qualquer tipo de ataque. Pesquisando, encontramos fatos curiosos: o livro que deu origem ao filme com seu nome, “As vidas de Chico Xavier”, foi baseado numa pesquisa do jornalista – e cético – Marcel Souto Maior sobre a vida de Chico. Porém, não foi lançado após sua morte, a primeira edição consta de 1994 (mesmo a Wikipedia está errada). Ocorre que a pesquisa de Marcel foi “permitida” pelo guia de Chico porque este já sabia que ela seria muito importante para o futuro. E realmente foi: vendeu como água (e apareceu nos radares dos “céticos de plantão”, que perderam a oportunidade de analisá-la quase uma década antes) em 2002, após a morte de Chico (conforme a “profecia”, no dia em que o Brasil todo estava feliz, tendo ganho a Copa do Mundo).

Eis que uma biografia escrita por um cético gerou um filme dirigido por um ateu (Daniel Filho), tendo o papel de protagonista recaído sobre um ator que além de ateu sempre foi comunista (Nelson Xavier). Todos se disseram “mudados” pela história de Chico [2], e o filme já consta como a maior bilheteria de um lançamento do cinema nacional desde sua retomada em 1995. Não, Emmanuel não estava brincando em serviço, ele quis realmente se certificar que não teriam absolutamente nada para atacar tanto no livro quanto no filme (que, diga-se de passagem, também não tiveram envolvimento comercial com nenhuma editora espírita, nem com a FEB).

Sim, Emmanuel era chato mesmo. Se é verdade que tendia muito para o lado religioso da doutrina (já que fora na última encarnação o Padre Manuel da Nóbrega [3]), não se pode reclamar de seu cuidado com os mínimos detalhes da postura de Chico. Quando os jornalistas da Revista Cruzeiro realizaram a famosa reportagem tentando desacreditá-lo (isso está descrito no livro de Marcel), para a reclamação de Chico o guia respondeu: “Jesus Cristo foi para cruz. Você foi para a Revista Cruzeiro”.

Até mesmo a questão do uso das perucas foi veementemente desaconselhada pelo guia – mas os cuidados com a aparência, ao seu gosto duvidoso, Chico fez questão de manter até o fim. Talvez, se mesmo nesse detalhe houvesse seguido a opinião de Emmanuel, muitos não o julgariam apressadamente como charlatão somente porque esconde a calvície (sim, para o ignorante qualquer motivo é motivo).

Em todo caso, os céticos nunca desistiram de tentar explicar o fenômeno da produção literária de Chico – mais de 400 livros de mais de 2mil supostos autores espirituais diferentes. Filtrando os ataques ad hominem falaciosos, chegamos a algumas suposições céticas dignas de nota:

Que era um leitor voraz
Se é verdade que Chico largou o colégio aos 13 anos (na quarta série do primário) para trabalhar, não é verdade que fosse um iletrado e ignorante completo. Sim ele certamente lia bastante, além de escrever cartas pessoais a amigos. Mas será que isso explica a maneira prolífera como escreveu em diversos gêneros literários, no mínimo em pé de igualdade com a qualidade dos supostos autores espirituais enquanto eram vivos? – E isso já desde as poesias de seu primeiro livro (talvez, não tenha iniciado pelas poesias sem razão).

Que possuía “vasta” biblioteca
Segundo consta, sua “vasta” biblioteca chegou um dia a possuir cerca de 500 livros e revistas, com obras em inglês, francês e até hebraico (ele não sabia ler hebraico). A lista inclui obras de pelo menos dois autores dos quais psicografou: Castro Alves e Humberto de Campos. Muito bem, isso talvez explicasse as psicografias desses autores, mas e quanto às centenas de outros autores? Será mesmo que em lendo “cerca de 500 livros e revistas” estaremos aptos a escrever livros com a quantidade e qualidade que Chico escreveu? Ora, a biblioteca ainda está lá em Uberaba, preservada pelo seu filho – enviemos então nossas crianças para lá, vamos criar uma nação de gênios da literatura!

Que sofria de criptomnésia
Este é um distúrbio de memória que faz com que as pessoas se esqueçam que conhecem uma determinada informação. Segundo a teoria, Chico psicografava “sem saber” do próprio inconsciente, e resgatava as informações que já havia “lido em algum lugar” durante a vida. Ora, digamos então que sua biblioteca aliada aos livros e revistas que eventualmente leu durante a vida expliquem como tais informações foram parar em seu inconsciente sem que ele soubesse – e quanto à poesia? E quanto aos livros científicos? E quanto às respostas sobre economia e outros assuntos totalmente fora de sua alçada que deu aos “inquisidores” da Revista Cruzeiro? E quanto às respostas em rede nacional que deu durante o Pinga-Fogo da TV Tupi? Como será que tal conjunto de informações gerou tamanho conhecimento, tamanha habilidade poética?

Sobre esta hipótese no mínimo tão fantástica quanto à hipótese dos espíritos existirem, Monteiro Lobato um dia declarou: “Se Chico Xavier produziu tudo aquilo por conta própria, merece quantas cadeiras quiser na Academia Brasileira de Letras”.

Que comparecia a sessões de materialização de espíritos fraudulentas
Se são fraudulentas ou não, não vem ao caso comentar, pois não quero aqui convencer ninguém de realidade ou irrealidade da existência de espíritos e/ou materializações. Mas é necessário notar que tais episódios que (bem ou mal) exporam Chico ao ridículo da mídia da época foram cuidadosamente orquestrados (novamente) pelos “jornalistas” da Revista Cruzeiro [4]. A lição que ficou do episódio foi prontamente assimilada por Chico, tanto que se afastou da mídia por anos, até o retorno triunfal no Pinga-Fogo de 1971. Fossem as materializações reais ou não, o espiritismo não se presta a esse tipo de espetáculo. É uma doutrina de reforma íntima, de autoconhecimento, de caridade, não de shows de materialização. “Lição aprendida meu caro Emmanuel”!

Na continuação, algumas conclusões sobre tais suposições, e uma mensagem final…

***

[1] Segundo reportagem da Superinteressante de Abril de 2010, matéria da capa sobre Chico Xavier. Mesmo que não sejam valores exatos, certamente era muito, muito mais dinheiro do que a realidade de funcionário público (de baixo escalão) rendeu a ele durante a vida. Algumas citações no artigo (partes 1 e 2) foram retiradas da mesma reportagem.

[2] Essa “mudança” é narrada no livro de Marcel Souto Maior sobre os bastidores da filmagem de Chico Xavier, O Filme. Não quer dizer, nem de longe, que tenham se convertido ao espiritismo… Mas o exemplo moral de Chico é capaz de afetar – no bom sentido – até os maiores opositores da doutrina, contanto é claro que se disponham a estudá-lo.

[3] Em sua época, de português antigo, o padre assinava os documentos como “Emmanuel”, daí ter mantido esta grafia.

[4] Outro episódio narrado no livro de Marcel Souto Maior: “As vidas de Chico Xavier“.

***

Crédito da imagem: um dos cartazes de Chico Xavier, O Filme.

 

(*) O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Autoria do escritor Rafael Arrais

    Gostou? Então dá uma olhada nesses:

    1. Um médium notável, parte 2
    2. Chico Xavier na ONU: filme sobre médium será exibido em Nova York
    3. Conheça a história da médium – Sra. Martha

    O Gabriel nos enviou este email pelo sac.dalhemongo@gmail.com. E você? Tem algo a nos contar? Envie!!

    Olá pessoa do Dalhemongo! ]

    Meu primeiro texto aqui, então, solicito a compreensão de vocês pela minha pouca habilidade.

    Este fim de semana foi bem corrido pra mim. Sábado à noite fui a uma festa de casamento, fui dormir bem tarde. Lá por volta das 8h30min da manhã do domingo, eu recebo uma ligação de um número desconhecido. A pessoa se identificou como Edson. Foi mais ou menos assim: “Gabriel? Aqui é o Edson. Você me mandou um e-mail pedindo para eu avisar se acaso abrisse vaga para a sessão de pré-estréia do Nosso Lar no shopping de Guarulhos. Então, abriu mais vaga sim, só que você tem que voar pra cá, pois o filme começa às 10h30”.

    Saltei da cama com uma dor de cabeça terrível. Chamei minha mãe, e lá fomos nós.

    Para vocês pode parecer bobagem, mas eu estava ansioso por esse filme desde que vi o trailer em maio. Acompanho notícias, converso com a produção pelo twitter, divulgo pra todo mundo. Então o fato de estar indo para o cinema assisti-lo foi como realizar um sonho antes do esperado.

    Chegamos cedo ao shopping, tivemos que esperar abrir, e desde aquele momento, sentíamos um clima mágico no ar. A caminhada até a sala 5 do Cinemark do shopping Internacional de Guarulhos, me remeteu à “futura famosa” cena das dezenas de espíritos chegando à grande muralha de Nosso Lar.  Comprei uma pipoca e um refri que me ajudou bastante com a dor de cabeça.

    Alguém apertou o play, e sem trailer, sem nada, começam a surgir os créditos iniciais do tão esperado roteiro. O que aconteceu desse momento em diante foi e será uma experiência individual, que depende de cada coração e da sensibilidade de cada um.

    Serei redundante ao elogiar a parte técnica, a maquiagem, os efeitos especiais que foram utilizados na medida certa e sem exageros, os atores, a luz. Tudo perfeito.

    Mas o filme Nosso Lar vai além disso, vai além das intrigas filosóficas que rondam o tema “colônias espirituais”, vai além até da filosofia espírita.  O que se vê, são lições e lições de cidadania, de perdão e auto-perdão, responsabilidade social e política, caridade, amor, organização e disciplina.

    A visita do André ao seu lar terreno foi contada com uma suavidade, com uma leveza que, ao meu ver, conseguiu até superar a história original, contada pelos idos da década de 40.

    A inserção do Emmanuel (que originalmente não aparece na história, porém foi autor do prefácio do livro) foi acertada, e a compactação necessária do conteúdo, não gerou grandes perdas na estrutura (por favor, não entendam que o conteúdo não citado não seja de extrema importância).

    Quem não conhece o livro, vai se surpreender. Quem já leu vai se emocionar ao ver a história tão querida contada no cinema. (Eu confesso que só com o filme eu consegui imaginar os habitantes de nosso lar como seres humanos “normais”. Sempre eu os imaginava com um “q” de fantasma quando lia o livro, rs).

    Ao final da sessão, as pessoas permaneceram sentadas, olhando os créditos. Algo como que se recuperando da grande emoção apresentada. Até que um irmão abençoado fez algo que todos estavam querendo fazer. Começou a bater palmas. Logo toda a sala estava batendo palmas. Palmas para a equipe do filme, para o Chico, para o André Luiz e também para os cidadãos de Nosso Lar. Não tenho dúvida alguma de que a sala estava repleta de espíritos de luz acompanhando essa sessão, nos encorajando a divulgar essa obra.

    Divulguem, espalhem, assistam, estudem. Nosso Lar é um patrimônio da humanidade e se tudo der certo, o mundo inteiro vai conhecer essa história maravilhosa.

    Muita paz e alegria. Fiquem com Deus.
    Gabriel Bergamini

      Tagged with:
       

      Gostou? Então dá uma olhada nesses:

      1. Trailer do filme ”Nosso Lar”
      2. Nosso Lar, o filme: Experiência espiritual traduzida em imagens
      3. Werner Schünemann fala sobre o filme Nosso Lar

      Quer saber mais? Clique AQUI.

        Tagged with:
         

        Gostou? Então dá uma olhada nesses:

        1. Sagrado: a vontade de ajudar quem foi vítima de uma catástrofe natural
        2. Sagrado: cada pessoa pode ser um agente pacificador
        3. Sagrado: pode haver justiça quando um estado é controlado por ideais religiosos?

        A produtora alemã FiAA anunciou a produção de “The Bible Online”, jogo para navegadores baseado nos eventos narrados na Bíblia. O início dos testes do primeiro episódio, que recebeu o subtítulo “Heroes”, está marcado para 6 de setembro.

        Em “The Bible Online: Heroes” o jogador participa dos eventos do primeiro capítulo do Livro Sagrado, o Gênesis, e tem a oportunidade de conhecer a história de Abraão e seus descendentes, os primeiros escolhidos de Deus.

        “‘The Bible Online’ está em desenvolvimento para jogadores de todas as idades que desejam uma aproximação fácil com a Bíblia, ao mesmo tempo em que se divertem com o game”, explicou Alan Kim, presidente da FiAA.

        De acordo com a produtora, “The Bible Online” é um “MMORPG com elementos de estratégia em tempo real”. É preciso criar e evoluir as tribos que estão sob o seu comando, e os pontos necessários para o fortalecimento são obtidos ao caçar animais e travar batalhas contra outros povos.

        As inscrições para o período de testes estão abertas no site oficial da produtora, e os participantes concorrem a prêmios como iPods e moeda virtual para uso no jogo.

        Sagrado em jogo

        “The Bible Online” não é o primeiro jogo a se basear em eventos narrados na Bíblia. Em 2005, Game Boy Advance, Xbox e PlayStation 2 receberam “The Bible Game”, um game de perguntas e respostas que testa os conhecimentos do jogador sobre os assuntos descritos no Antigo Testamento, parte destinada aos fatos ocorridos antes do nascimento de Jesus Cristo.

        Fonte: UOL Jogos

          Tagged with:
           

          Gostou? Então dá uma olhada nesses:

          1. Game: Cursed Mountain
          2. Game: Silent Hill: Shattered Memories
          3. Game: Ghostwire

          O nosso amigo no Twitter, @MarcoAureliogdo, contou-nos sobre seu trabalho:

          Este trabalho objetivou recuperar a experiência de espíritas na cidade do Rio de Janeiro, nas décadas de 1930 e 1940, e suas relações com a Polícia. Através dos livros de atas de reuniões de diretoria e assembléias gerais de duas instituições, de dois livros de registro de médiums, bem como de algumas cartas de agregação de centros espíritas à Liga Espírita do Brasil, procurei reconhecer quem eram os espíritas e como se organizavam institucionalmente. Além disso, acompanho a repressão promovida pelas autoridades policiais, respaldadas pelo Código Penal e por uma série de Portarias Policiais, às vezes implicando no fechamento de algumas instituições. Por sua vez, os espíritas lançaram mão de uma série de estratégias para manterem suas atividades, manifestando-se na imprensa, criando uma teia de informações entre si e, também, com as entidades federativas, além de contarem, também, com o auxílio de um jurista.

          Saiba mais em seu Blog.

            Tagged with:
             

            Gostou? Então dá uma olhada nesses:

            1. Festa e Trabalho: Encontro e Mocidade
            2. Documentário: Encontros (de) Espíritas
            3. Como os espíritas encaram a morte

            O diretor Wagner de Assis (de “A Cartomante”) fala ao Caderno 3 sobre seu novo projeto: “Nosso Lar”. O cineasta comenta os desafios de produzir o filme, as primeiras impressões do público e é taxativo em afirmar que, apesar do tema, não se trata de um filme doutrinário

            Como se deu o trabalho de adaptação, o tratamento do roteiro?

            Para começar a escrever o roteiro, conversei com mais de 100 leitores. Anotei suas sugestões e conselhos. À produção, foram se juntando pessoas de várias religiões, o que foi muito interessante. E o que era um barquinho virou um transatlântico…

            Mas custou quanto mesmo esse transatlântico?

            Pouco mais de R$ 20 milhões, só a produção do filme. Não inclui essa correria da divulgação que estamos fazendo.

            Este é o tipo de filme que depende dos efeitos especiais. Você o filmou em cima de um “story board”?

            Sim. Fiz mais de 200 páginas de “story board” convencional e mais de meia hora de “story board” digital. Era um processo muito grande de visualização. O filme dependia disso, da exposição dos lugares onde se passava, para que as pessoas compreendessem o que era e onde se situava essa cidade. Porque, na verdade, o filme não é só a história da cidade, mas a de um homem, sobre a condição humana, sobre a transformação de um homem. Só que essa história apresenta um paradigma maravilhoso, que é a vida depois da vida. Como um homem se depara com esse paradigma. E quais os resultados disso, que são você descobrir quem é de verdade, enfrentar a si mesmo. Eu digo que o maior vilão de André Luiz é ele mesmo. Isso tudo num cenário diferente, num cenário espiritual, um lugar para onde se vai após a morte.

            Uma das virtudes do filme é a diversidade de seus elementos dramáticos.

            É. As escolhas dramáticas são muito difíceis, não são fáceis. Escolher como, quem, o que, por que… Por isso que foi bacana ter conversado com os leitores, porque livro é livro, filme é filme, são coisas diferentes.

            Nas pré-estreias, quais têm sido as reações do público?

            Estou muito feliz com as reações. 99% das pessoas se emocionam, e, dentro delas, algumas muito abertas. Por exemplo, quem leu o livro desaba mesmo, se identifica, se empolga, gosta das licenças que foram feitas, como Emanuel, presente na história. Outra parte fica muito intrigada, questionadora. Tem outra que diz ter tomado um soco no estômago, que está saindo impactado com tudo aquilo. E outra parte, mínima, um por cento, reage virulentamente contra o filme. Assim, comecei a entender a força dessa história junto às pessoas. Porque elas não veem o filme como um filme, como ele é, mas como um simbolismo da realidade, porque o filme traz uma carga espiritual, que é a presença de Chico Xavier e seu trabalho mediúnico. Eu sabia que isso existia, mas não como chegaria ao público. É sempre uma coisa nova que acontece com o filme na tela, né? E é incrível ver a raiva que certas pessoas têm do filme enquanto tema.

            E a reação da crítica?

            Não vou me assustar se o filme tiver algumas críticas muito pesadas em relação a achar que aquilo ali é a representação de uma realidade. Você não gosta de uma realidade, não está nem aí, fica com raiva daquilo. Não é incomum e isso tem acontecido. Sei que a história é forte, mas estamos apenas contando uma história, não é um documentário, não tenho a intenção de doutrinar ninguém.

            Então, como adaptar “Nosso Lar” e não fazer um filme doutrinário?

            Era colocar a filosofia e a ética espirituais contidas na história a favor do personagem. A doutrina espírita fala da lei do trabalho – como em outras religiões. O personagem tinha que entender que trabalho, no mundo espiritual, é igual ao trabalho no mundo material. Porém, as consequências são diferentes: você não acumula, mas você ganha méritos, crescimento interior, você ganha bônus, bônus-horas. Isso é dito para André Luiz, o personagem central. Porque é aí que ele entende que, se não começar a trabalhar, com vontade, com coração aberto, o trabalho por si não vai render-lhe nada.

            O filme transmite emoção: como é trabalhar o sentimento, num filme desses, sem cair no pieguismo?

            Difícil, viu? Muito difícil. E espero que tenhamos acertado em não ser piegas. Ninguém, até agora, o rotulou de piegas. Pode ser que saia, mas, pelo que sei, até agora não. O filme está num limite de emoção que foi muito bem construído, dentro do conflito do personagem: saudade e transformação, saudade e reforma íntima. Então quando André está ali, olhando a família, olhando que ele não mais vive naquele mundo, essa saudade reverbera tanta coisa, né? Tipo aprender a deixar para trás, ou ainda aprender a aceitar a verdade da vida. Leia a entrevista na íntegra em blogs.diariodonordeste.

            Fonte: Caderno 3.

              Tagged with:
               

              Gostou? Então dá uma olhada nesses:

              1. Religião e ciência, um diálogo possível?
              2. #NossoLar bate novo recorde e mantém primeiro lugar, com renda de R$ 16 milhões e 1,6 milhão de ingressos
              3. Rosanne Mulholland explora outras facetas em “Nosso Lar”
              • Twitter
              • Facebook
              • Picasa
              • YouTube