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Talvez você já tenha visto este vídeo, ele se tornou um “viral” popularmente chamado de “The girl who silenced the world for 6 minutes” (A gatora que silenciou o mundo por 6 minutos), e traz a mensagem, quase uma espécie de sermão, de uma garota canadense do alto de seus 12 anos. Como estava em plena ECO 92, no Rio de Janeiro, é óbvio que se trata também de uma mensagem ecológica – no entanto, faz bem sairmos do “rótulo ecológico”, que as vezes mais afasta do que atrai as pessoas para reflexões mais profundas, e analisarmos este vídeo com mais calma. Particularmente, os olhares e as expressões dos representantes dos países de todo o mundo. Um mundo pequeno, no fim das contas:

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Você pode pensar que de lá para cá pouca coisa mudou, e não estará totalmente errado. Mas o pouco que foi mudado não deve ser considerado irrelevante… Talvez a maior conquista tenha sido a solução do problema da emissão de CFC na atmosfera, o que praticamente “estacionou” a destruição da camada de ozônio. Mas se analisarmos as promessas que as pesquisas em novas formas de captação de energia, não haverá tanta razão para sermos pessimistas em relação ao futuro… Muito embora, obviamente, muitas das consequencias dos danos ambientais não possam mais ser remediadas, apenas postergadas e/ou mitigadas.

Quanto a garota: Severn Cullis-Suzuki continua sendo uma ativista ambiental, apresentadora de TV e escritora.

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Já que estamos falando de ecologia, talvez queira assinar a petição da AVAAZ para manisfestar o desejo da população brasileira (quase 80%, segundo pesquisas) de que a presidente Dilma vete a vergonha institucionalizada que é esse Novo Código Florestal. Ou pelo menos que vete a anistia aos desmatadores…

» Assine a petição da AVAAZ pedindo o veto a Dilma

 

(*) O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Autoria do escritor Rafael Arrais

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    Um artigo do blog Textos para Reflexão (*)

    Existem várias interpretações para o significado de carma, de acordo com as doutrinas hinduísta, budista, jainista, e posteriormente do espiritismo (que o chama, em realidade, de “lei da causa e efeito”), da teosofia e do movimento new age. A essência do termo pode ser associada a lei física que diz que “para toda ação existe uma reação de força equivalente em sentido contrário”. A analogia, no entanto, deve ser feita com cautela: primeiro porque o carma não é uma lei científica que possa ser medida em laboratório (embora seja uma lei natural); segundo porque a “reação a ação” geralmente não se dá imediatamente, como em reações físicas, e pode até mesmo levar anos, ou vidas.

    Há uma forma superficial e outra profunda de interpretarmos o carma. Imaginemos um exemplo: um inquisidor acusa e mata inúmeros inocentes nas fogueiras durante a época negra medieval, numa outra vida, ele precisará “resolver seu carma”… Na visão superficial, entende-se que ele deva morrer queimado na nova vida, exatamente como suas vítimas. Na visão profunda, entende-se que ele possa também optar, por exemplo, por ser um médico de instituições que auxiliam em zonas de guerra, tratando das queimaduras daqueles que foram vítimas da ignorância dos homens. Existe a via da dor, e a do amor, mas nem sempre estamos aptos a cumprir nossas promessas de caridade – nem sempre o futuro médico se torna, efetivamente, um médico de almas.

    É importante, portanto, compreender que o carma não é um sistema de crédito e débito, de “aqui se faz aqui se paga”. Seu mecanismo não atua para “punir os maus” com uma dose de seu próprio veneno. Na realidade, se trata de um remédio, às vezes de gosto amargo, mas que visa sempre impelir aos seres da ignorância para a sabedoria, dos instintos animais para a consciência abrangente, da terra para os espaços cósmicos adiante.

    Tendo essa compreensão em mente, acredito que ela possa nos trazer algumas lições:

    Adeus inveja
    Para quem realmente crê no carma, a inveja não faz sentido. Ora, se tudo o que somos, tudo o que temos, é resultado direto do que fizemos com o tempo que nos foi dado, com as escolhas que nos coube a decisão, então invejar o que os outros têm ou são é tão somente uma forma de ignorância persistente.
    Afinal, se tudo o que somos e temos é resultado de nossa própria caminhada, jamais poderemos conseguir alguma coisa apenas porque “desejamos”, porque invejamos de outro alguém… O que parece ser mais sábio é usar os outros como modelo, como incentivo, como a meta a ser alcançada. Não exatamente o que os outros têm, pois tudo o que temos é transitório, mas o que os outros são. Não devemos invejar nem desejar a sabedoria, devemos afinar nossa própria vontade para nos movermos em sua direção. O mero desejo é estagnação, pois nada “cairá do céu” – mas a vontade é o movimento em direção à luz.

    A dor aguarda os que ficam para trás
    Em dado momento, todos somos livres para escolher a via do amor ou da dor. Qualquer estudioso das doutrinas cármicas saberá que viemos ao mundo para desenvolver nossas potencialidades, e não nossos vícios. Viemos caminhar à frente, e não ficar estagnados na ignorância. Que a evolução espiritual segue a física: nada anda para trás, mas a natureza não costuma poupar os que se arrastam pelo caminho.
    Nessa longa trilha, em que as vezes possa parecer que somos como um cão selvagem acoleirado a uma velha carroça rodando lentamente pelos velhos sulcos, podemos optar por seguir a frente, antes que a coleira nos puxe, ou podemos ladrar como cães raivosos, e nosso latido não impedirá que a coleira nos force o pescoço, que nos provoque dor. No fim, seguiremos a frente, quer queiramos, quer compreendamos aonde vamos, quer não. Melhor escolher o amor, enquanto há tempo, pois as dores desse mundo não se comparam as dores da alma.

    Suportamos o que podemos suportar
    Conforme a roda avança, a cada um é dado apenas os desafios que podem suportar. Podemos imaginar uma universidade cósmica: o calouro de física não poderá compreender as equações de física quântica ou da teoria das cordas já em seu primeiro ano, mas aqueles que se arrastam nas repetências terão eventualmente que resolvê-las, pois os reitores sabem muito bem que eles já têm a capacidade para tal.
    É preciso saber avaliar os desafios por aquilo que são: não desastres, tragédias, ou problemas insolúveis, mas oportunidades de progressão, de entendimento, de edificação de nossas potencialidades.
    Muitas vezes, amamos e perdemos, e essa nos parece a maior dor do mundo. Porém, curioso de se pensar: é melhor amar e perder do que nunca haver sequer amado… Os seres vêm e vão, mas a capacidade de amar é uma das potencialidades que jamais andam para trás, e que molda nosso despertar da consciência desde as eras pregressas.
    Da próxima vez que estiver a se lamentar por uma perda, e desejar se ver livre do amor que sentia, e que agora dói tanto, pense novamente: a sua dor é uma luz. Os seres que se arrastam nas sombras de si mesmos, que ainda não descobriram o amor, podem parecer mais felizes, mas sua dor é muito mais profunda do que a sua – e você certamente sabe disso, mesmo que de alguma forma obscura, pois todos já estivemos na escuridão.

    Só Deus o sabe
    Quando nos deparamos com tragédias humanas em pequena ou larga escala, existe essa tentação própria dos seguidores de doutrinas cármicas em elaborar teorias mirabolantes sobre o porque de tais seres terem sofrido este ou aquele infortúnio… Tudo em vão!
    Assim como não podemos saber por que o vento sopra aqui ou acolá, jamais poderemos compreender exatamente o que outra parte da substância cósmica experiencia. Somos todos conectados, filhos da mesma substância, formados pelos mesmos átomos e as mesmas fagulhas divinas, mas cada um pode saber apenas de sua própria visão do Cosmos. Não há nenhum ser onisciente além de Deus, ninguém que possa realmente ter habitado nosso âmago profundo e visto o horizonte da mesma forma que nós, e experienciado a caminhada dando exatamente os mesmos passos.
    Quando um espírito incorpora, ele habita um corpo, e não outro espírito. Jamais estaremos dentro uns dos outros, de modo que as razões que fazem o mecanismo do carma operar desta ou daquela maneira, só o próprio ser que ama e que sofre tem um breve entendimento, e só Deus o sabe. Ele está dentro de todos nós.

    O aflorar da consciência
    Se na evolução física das espécies, a vida é a função do sistema, na evolução espiritual, da qual o carma é o mecanismo primordial, o afloramento da consciência é o grande objetivo a ser alcançado. Nosso caminho foi longo: de fagulhas divinas criadas sabe-se lá onde, neste ou nalgum planeta próximo habitamos coletivamente os reinos mineral, vegetal e boa parte do animal… Nas savanas africanas despertamos, compreendemos ao longo dos séculos que a vida era, afinal, muito mais do que caça e coleta, muito mais do que uma mera luta pela sobrevivência…
    Até o dia em que optamos por viver, e não apenas sobreviver. Quando nossas potencialidades amorosas, artísticas e técnicas começaram a aflorar. Quando nos indagamos de onde viemos, e para onde vamos, e o que somos, e surpreendentemente começamos a encontrar elaboradas teorias para o que nos parecia inatingível. Quando olhamos para as estrelas e vimos deuses, e depois vimos fornalhas cósmicas, e depois vimos um turbilhão de galáxias além de tudo aquilo que poderíamos imaginar… Quando vimos o infinito, e lhe estendemos a mão.
    A mente que adquire um novo conhecimento jamais retorna ao seu estado anterior. A alma que se abre para o Cosmos, jamais volta a se fechar novamente. A função do sistema não era, afinal, apenas a vida, mas a vida eterna.

    A lei do carma
    Faça ao próximo aquilo que gostaria que o próximo fizesse contigo.
    Resta-nos saber quem são nossos próximos: será nossa família, nossos amigos, nossa cidade, nossa nação, nosso planeta? Serão apenas seres enquanto humanos, ou também os animais, os vegetais, os minerais, a natureza como um todo? Da próxima vez que levantar uma pedra, ou observar um galho partido, saiba que todo o infinito nos abarca, que o reino de Deus está em todo lugar… Apenas esperando que finalmente abra teus olhos para ver.

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    Crédito das imagens: [topo] John-Francis Bourke/Corbis; [ao longo] Nacho Uranga

     

    (*) O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Autoria do escritor Rafael Arrais

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      Um artigo do blog Textos para Reflexão (*)

      Se você leu qualquer capa de jornal ou revista de notícias, ou assistiu qualquer noticiário na TV a praticamente qualquer momento dos últimos dias, já deve saber que o presidente americano afirmou ter assassinado o célebre terrorista, Osama Bin Laden.

      Osama foi um dos membros sauditas da próspera família Bin Laden, além de líder e fundador da Al-Qaeda, organização terrorista famosa pelos ataques de 11 de setembro nos Estados Unidos e numerosos outros contra alvos civis e militares. A Al-Qaeda ("A Base") foi originalmente destinada a combater a família real saudita. Bin Laden detestava os modos ocidentalizados, perdulários, corruptos e "pouco islâmicos" da família real. Tinha como objetivo alijá-la do poder e implantar no país a semente do que sempre sonhou – o novo califado islâmico. A família real, por ironia do destino, possuía grande consideração para com a família de Bin Laden.

      O historiador e pesquisador do Laboratório do Tempo Presente, Daniel Santiago Chaves, chama a atenção para o tipo de "escola de terrorismo" desenvolvido pela Al-Qaeda e que hoje serve de modelo para organizações menores. "Quando nós lembramos da Al-Qaeda, a primeira imagem que vem à nossa cabeça é a de um avião sequestrado sendo jogado contra um prédio, causando a morte de milhares de pessoas. Esse conceito de terrorismo espetacular foi apropriado por esses pequenos grupos", afirmou. Círculo vicioso: segundo ele, a Al-Qaeda, os demais grupos terroristas e a mídia acabam se retroalimentando por essas ações. "Ter a imagem vinculada a Al-Qaeda é bom para os grupos porque dá visibilidade aos seus atos, é bom para a Al-Qaeda, que se mantém na mídia, e é bom para mídia, que vende a sua notícia", analisa. Quem entende esse mecanismo e está à frente das principais explosões em hotéis, boates e restaurantes, principalmente na Ásia, são grupos oriundos de famílias ricas que têm condições de planejar ações desse porte, explica. "São pessoas com liquidez financeira não necessariamente pertencentes a uma grande rede como a de Osama Bin Laden, mas que entendem o significado de um atentado com impacto midiático e são capazes de gerar a inteligência suficiente para executá-lo. De comum com a Al-Qaeda, além dos métodos, existe uma agenda: transformar os Estados da Ásia em um califado islâmico". Por isso os principais alvos dos atentados estão sempre ligados de alguma forma ao Ocidente.

      Assim como o alvo da Al-Qaeda nunca foram as torres gêmeas, e sim a mídia, eles tampouco se organizam tal qual os apreciadores de fantasias de duelos do bem contra o mal gostariam: como uma organização hierárquica, com apenas um grande “mestre do mal” – um inimigo para os filmes de Hollywood… Seu quadro composto por células terroristas localizadas em diversos países gerou o que os analistas chamam de Al-Qaeda "nebulosa". Esta denominação tem duplo significado. Ao mesmo tempo em que dá a ideia de que se trata de algo difícil de enxergar, remete ao termo nebulosa presente no vocabulário da astronomia, cuja definição é um conglomerado de astros com uma formação complexa e variável.

      São como “franquias do terror” – assim como a desativação de uma lanchonete da Subway praticamente não afeta seu funcionamento global, destruir uma célula da Al-Qaeda, mesmo que seja a do próprio Bin Laden, não vai fazer com que a nebulosa se dissipe da noite para o dia.

      Em realidade, violência gera violência, terror gera terror, e esta grande roda da ignorância ainda está longe de parar sua rotação. Sejam os ditos “bonzinhos”, que aceitam a tortura institucionalizada de Guantanamo, ou o conceito de “guerra preventiva”, como caminhos para “aplacarmos o mal”; Sejam os terroristas, os “mestres do mal”, que creem piamente que mudarão os hábitos e o pensamento do povo islâmico com bombas e atentados – todos estão profundamente equivocados. Ou, como dizia Gandhi, o grande guerreiro da alma: “Olho por olho, dente por dente, e a humanidade continuará profundamente carente”…

      A grande luz que se acende no mundo islâmico está além das doutrinas do capitalismo ou do terrorismo: foi o próprio povo islâmico, os jovens em sua grande maioria, quem começaram a mudar o seu mundo… E nenhum deles trazia fotos ou cartazes de Bin Laden, nem se dizia abertamente contra o Ocidente ou o capitalismo. Eles não querem terror, eles não querem seguir estritos preceitos de doutrinas religiosas ultra-conservadoras, eles não querem se empanturrar de sanduiches, gadgets e carros grandes – eles querem apenas a liberdade de pensar, a liberdade para a alma.

      ***

      Todo esse cenário me remeteu ao belo diálogo entre Judas e Jesus no roteiro do filme “A Última Tentação de Cristo”, de Paul Schrader, baseado no romance homônimo, de Nikos Kazantzakis. Como podemos ver, a história ainda se repete, e embora evoluamos lentamente a passo de formigas anestesiadas, ainda insistimos no caminho da dor, e não do amor:

      Judas – Eu não sou como esses homens [referindo-se aos outros seguidores de Jesus]. Digo, eles são boas pessoas. Mas eles são fracos. Como irão lutar por você? Eles não podem nem lutar por si mesmos. Onde você os encontrou? Um é pior do que o outro. Isso não é um exército.

      Jesus – Eu não preciso de soldados.

      Judas – Você me procurou. E se eu amo alguém, eu morro por ele. Caso odeie alguém, eu o mato. Eu posso até matar alguém que eu amo se ele fizer a coisa errada. Você me entende?

      Jesus – Eu compreendo.

      Judas – Noutro dia quando você disse para darmos a outra face para quem nos bateu, eu não gostei disso. Somente um anjo poderia fazer isso, ou um cachorro. Eu sou um homem livre. Eu não dou minha face para ninguém bater. Você precisa de soldados.

      Jesus – E acaso os soldados me farão livre?

      Judas – Você deseja a liberdade para Israel?

      Jesus – Eu desejo a liberdade para a alma.

      Judas – Primeiro você liberta o corpo, depois a alma. Você sabe disso. Os romanos vêm primeiro.

      Jesus – A alma vêm primeiro. Se você não mudar o que a alma deseja, você irá apenas substituir a dominação romana por outra dominação, e nada nunca irá mudar. Primeiro você deve mudar o homem por dentro. Então o homem pode mudar o que está a sua volta. É o desejo de riquezas e poder que faz com que o homem queria dominar os outros. É o desejo que precisamos mudar, precisamos primeiro libertar a alma. Com amor.

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      Crédito da imagem: Divulgação (William Dafoe em "A Última Tentação de Cristo").

       

      (*) O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Autoria do escritor Rafael Arrais

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        Um artigo do blog Textos para Reflexão (*)

        Seguindo o artigo anterior de onde parei…

        Como vinha dizendo, uma coisa é crer na possibilidade de um Criador, outra muito distinta é compreendê-lo. Em todo caso, poderemos começar por uma lei da Natureza para a qual tanto céticos quanto espiritualistas não criam objeção a primeira vista: a lei da evolução. Evolução não significa que os organismos na Terra evoluem aleatóriamente com o passar do tempo, peixes que “decidem” ir viver na terra firme, simios que “decidem” ir viver em cima das árvores, ou girafas que “de alguma forma” esticam seu pescoço até que consigam comer as folhas das copas das árvores… Evolução significa que genes já existentes na espécie são privilegiados ou descartados, de acordo com sua função, até que certas características físicas (determinadas por esses genes) possibilitem uma melhora na capacidade da espécie sobreviver: peixes que tinham mais chances de sobreviver em terra firme se transformam lentamente (ao longo de várias espécies e milhões de anos) em criaturas desse tipo, simios que sobrevivem mais nos galhos das árvores evitando predadores no solo se transformam em mestres das árvores, girafas que vislumbram a possibilidade de encontrar pasto acima das árvores (onde não há muita concorrência com outros herbívoros) se transformam em criaturas pitorescas de pescoço alongado.

        Se existe um plano para tudo isso, pela lógica devemos considerar que todas as criaturas vivas tem igual oportunidade na Terra, e que a Natureza, muito antes do homo sapiens chegar, proporcionou um vasto campo de experiências para essas espécies, onde simples bactérias evoluiram lentamente para todo tipo de animal sobre a Terra: uns bem sucedidos na sobrevivência, outros mal sucedidos ou extintos. A Natureza não faz um drama disso tudo: ela apenas propicia que espécies evoluam fisicamente, até estarem de acordo com a capacidade de abrigarem consiciência. Se considerarmos toda a história da Natureza na Terra, como um todo, teremos um maravilhoso exemplo de luta feroz pela sobrevivência, mas também do lento afloramento daquilo que nos é mais precioso: a capacidade de sermos conscientes de nós mesmos, e então passarmos a decidir nosso próprio futuro; Sermos morais ou imorais, sábios ou ignorantes, amorosos ou indiferentes… Agora, não dependemos apenas dos instintos animais, não precisamos mais ser governados por eles.

        O Criador justo

        Por mais que nos seja complexo definir conceitos como a Justiça, me parece que toda a história descrita acima pelo menos nos leva a uma idéia de “igual oportunidade”. Pois, se Deus criasse os espíritos no ato da concepção, e os “enviasse” as mães, como poderíamos ver Justiça quando uns nascem em terras áridas africanas, enquanto outros nascem em celeiros de riqueza europeus? Quando uns nascem numa era de tecnologia, anestesia e direitos civis, e outros nascem no passado tribal ou na época negra medieval? Quando uns nascem perfeitamente saudáveis, e outros nascem com doenças terminais ou disfunções desastrosas?

        Na minha modesta opinião, um Criador só poderia ser realmente Justo se nos houvesse criado todos iguais, princípios de consciência ancestrais, que vieram evoluindo ao longo de diversas espécies, e diversas encarnações, até que a consciência enflorasse, e pudéssemos então guiar a nós mesmos, obedecendo a uma simples Lei de Causa e Efeito: tudo o que sua consciência inflige de mal, estará para sempre gravado nela própria. A única forma de evoluir moralmente, portanto, é nos expurgarmos desse mal, lapidando nossa alma lentamente, também ao longo de milhares de anos… Não existe punição nessa Lei, a “punição” está de acordo com a ignorância de cada espírito para com os segredos de sua própria consciência. Melhor aquele que matou pessoas na fogueira vir como enfermeiro de queimados, do que ele mesmo morrer queimado… No entanto, existem espíritos ignorantes que ainda seguem a lei do Talião, e mesmo aqueles que se recusam de antemão a qualquer prática de caridade. Mas, aqueles que tem algum conhecimento de si mesmos, e do Amor que nos liga a todos em uma teia divina, trata de trabalhar sempre para que sua consciência se veja livre de toda culpa, o quanto antes melhor!

        Seguindo a mesma lógica, teremos uma elegante explicação para a evolução da cognição humana. Genes, como já disse, determinam apenas características físicas. Não se sabe que espécie de genes determinam características cognitivas (como em gênios precoces da música ou matemática), morais (como nos grandes sábios e seres amorosos) ou mesmo culturais (embora os cientistas tenham chegado a vaga teoria dos Memes). Ora, é que esses tais “genes da cognição” nada mais são do que a capacidade cogntiva desenvolvida pelos espíritos ao longo de inúmeras encarnações. São como “potencialidades da alma” que se encontram adormecidas, e podem ser afloradas ou não, dependendo da “sorte” de cada um na vida atual, ou seja: do que se propuseram a vir realizar de construtivo para si mesmos (e todo restante do planeta).

        Dessa forma, o médico que precisa desenvolver sua moral, poderá ter uma potencialidade para a prática da medicina nunca desenvolvida, e quem sabe ser um mero faxineiro do hospital: para este, o aprendizado não vem mais de cirurgias, e seu jaleco de faxineiro o trará todo o tipo de provas que o fará “forçosamente” encarar os problemas morais em seu espírito; Poderá, no mínimo, aprender a respeitar a todos como iguais, cirugiões ou faxineiros. E nos livros de Kardec, exemplos como este não faltarão.

        Porisso também é que a grande maioria se esquece de suas vidas passadas, é que elas não desempenham papel tão preponderante assim: não precisamos “saber” o quanto fomos imorais para praticar a moral. Não precisamos “fazer regressão” para despertar nossa capacidade de amar… Ela já está aqui, dentro de nós, e o espiritismo nos passa sempre essa mesma recomendação de trabalho na melhora gradual de nós mesmos. É tão somente isso que os espíritos de luz desejam para nós, pois que ninguém evolui sozinho, e a evolução não anda para traz. Certamente que antes, quando iámos ao Coliseu ver feras devorando homens, quando achávamos normal a escravidão e a idéia de que mulheres e animais não tinham alma, eramos decerto menos evoluídos moralmente… Daí a lógica de que procurar saber de nosso próprio passado espiritual quase nunca é passo necessário para que evoluamos aqui e agora, no único presente ao qual nos foi dado decidir o que fazer.

        Nascer, morrer, renascer ainda, e progredir sempre. Tal é a lei (essa frase se encontra na lápide de Kardec, na França).

         

        (*) O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Autoria do escritor Rafael Arrais

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          1. Porque simpatizo com o espiritismo, parte 1
          2. Porque simpatizo com o espiritismo, parte 2
          3. OBRA BÁSICA – O Evangelho Segundo O Espiritismo – Parte 1

          Um artigo do blog Textos para Reflexão (*)

          Seguindo o artigo anterior de onde parei…

          Muitos podem estar se perguntando – "tudo bem, você acredita que espíritos podem ser consciência extra-corpo formados por partículas que não interagem com a luz, mas dado o fato que essas nunca foram detectadas pela ciência, não é meio ilógico e arriscado crer em algo assim?" – Ao que respondo – "Arriscado sem dúvida, a vida é arriscada. Ilógico, não."

          A lógica é o ramo da filosofia que cuida das regras do bem pensar, ou do pensar correto, sendo, portanto, um instrumento do pensar. Entendo particularmente a lógica como um conjunto de idéias ou conceitos que interagem uns com os outros, e que mesmo considerados em conjunto continuam fazendo sentido. Para mim é lógico que um pensamento nada mais seja que um estímulo elétrico navegando pelos neurônios do nosso cérebro, mas é ilógico afirmar que esse estímulo é "aleatório", ou convenientemente ignorarmos que todo estímulo se deve a uma "origem". Será que algum neurologista descobriu de onde exatamente no cérebro isso vem (não estou falando de estímulos de origem não consciente)?

          A lógica de um Criador

          Seguindo uma lógica parecida, podemos afirmar que todo efeito consciente tem uma causa na consciência, ainda que não saibamos ainda exatamente o que é a consciência, sabemos que ela é obviamente a origem de um efeito consciente, ou uma ação qualquer originada de um ser que tem a consciência de si mesmo, de sua individualidade (certos religiosos atribuem suas ações ao "determinismo divino" ou a "sedução do Diabo", mas isso é uma outra história). Se "voltamos no tempo", chegamos aos fatos: um homo sapiens é fruto da evolução das espécies na Terra, a vida na Terra orginou-se de um "evento fortuito" que provavelmente se deveu a combinação de elementos químicos (como o Carbono) presentes na atmosfera do planeta (muitos chegaram por asteróides, nem estavam aqui originalmente) que "de algum forma" deram origem a vida orgânica; Esses mesmos elementos (principalmente o Hidrogênio) são fruto do Big Bang – a "explosão" que deu origem ao Universo. A ciência não tem uma idéia suficientemente elaborada sobre o que ocorreu nos milesegundos iniciais do Big Bang, e muito menos sobre o que havia antes dele.

          Mas o fato é que do Big Bang surgiu o Universo. E nesse mesmo Universo, partículas que formaram certos elementos químicos ainda relativamente "logo após" ao Big Bang, possibilitaram posteriormente não só o surgimento da vida na Terra, como o advento da consciência no homo sapiens (e provavelmente em outros animais). Daí retiramos a lógica de que todo efeito tem uma causa, e todo efeito consciente, ou que gera a consciência, tem uma causa consicente. Aqui está, pura e simples, toda a lógica que divide aqueles que acreditam em um Criador daqueles que acreditam na aparente aleatoriedade do Universo (tudo bem, existem as Leis da Natureza que estão muito distantes de serem aleatórias, mas o evento que criou tais leis foi aleatório para os ateus, visto que não o vêem como algo "orquestrado", nem com "algum propósito específico").

          Bem, eu pessoalmente não sou ateu, mas nada tenho contra eles (inclusive além de ter diversos amigos ateus, aprecio sua capacidade lógica, embora não concorde com sua defesa da aleatoriedade do Universo).

          Seguindo com meu encadeamento lógico: se existe um Criador, é porque ele é a soma de toda a sua criação, e algo a mais. Não estamos falando de um cientista que cria vida artificial manipulando organismos que já existiam, ou do poeta que escreve sobre uma Natureza que já estava aqui muito antes dele, estamos falando sobre um Criador que criou tudo – cada partícula, cada bit de informação de um RNA, cada código simples e elegante da Natureza, cada sutileza assombrosa da Gravidade e outras leis naturais. Então, esse Criador é pela lógica – Onisciente (sabe de cada canto e cada segundo do Universo, em todos os tempos, em todos os pensamentos), Onipotente (a soma de tudo o que é possível na Natureza, do buraco negro ao amor de mãe e filho) e Onipresente (uma condição óbvia da Onisciência, visto que não estamos nos atendo a um "corpo físico divino" [nem muito menos a um "velho barbudo nos céus"]).

          Até aqui, não temos muitas discordâncias entre as religiões: que existe um Criador. O problema, porém, se mostra muito mais complexo quando nos perguntamos "mas como será exatamente esse Criador? Qual o seu plano para o Universo? Ele intercede em suas próprias leis naturais? Ele criou o mal? Ele nos julga, ou julgará?" – Não pretendo aqui me ater a essas perguntas, prefiro focar na pergunta principal: "Poderemos um dia compreendê-Lo?".

          Ao contrário de muitos religiosos que já se julgam incapazes de antemão a compreender "qualquer detalhe que seja" de um Criador, ou daqueles outros que seguem fielmente um Livro Infalível e atribuem todas as contradições aos "mistérios de Deus", penso que é nosso dever, e possibilidade real, compreender todas as nuances do Criador. De fato, a união de ciência e religião, como falei anteriormente, trata extamente disso: do conhecimento, passo a passo, do Universo, do Cosmos, e análogamente, de seu Criador. Não tenho a ingenuidade de pensar que seremos capazes tão cedo de desvendar sequer metade de Seus mistérios, mas assim como na ciência os sonhos e ficções se tornam rapidamente realidade, ao vislumbrar a longa trilha que temos pela frente eu não vejo razão para acreditar que somos incapazes de "passar de certo ponto", mesmo que esse ponto esteja ainda a milhões de anos da compreensão de nossas consciências.

          Ninguém chega a lugar algum sem dar os primeiros passos…

          À seguir, continuarei com o caminho lógico apresentado, porém unindo a teoria da evolução das espécies com a idéia do princípio consciente que origina os espíritos.

           

          (*) O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Autoria do escritor Rafael Arrais

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            1. Porque simpatizo com o espiritismo, parte 3
            2. Porque simpatizo com o espiritismo, parte 1
            3. Vinte contra um, parte 2

            Um artigo do blog Textos para Reflexão (*)

            "Simpatia (substantivo): Sentimento bom em relação a outra pessoa ou conceito (idéia)."

            Esse é um depoimento de crença pessoal. Por mais que minha crença seja baseada em evidências e experiências de vida, essas são todas puramente subjetivas. Não tenho intenção de provar nada que afirmo à seguir, e tampouco tenho certeza absoluta de nada disso, nem acredito que tenha encontrado a verdade "final" acerca de tais assuntos. Estejam avisados.

            Sobre ciência e religião

            Eu costumo dizer que minha religião é meu pensamento. Não quero, com isso, me esquivar de críticas ao que acredito. De fato, eu tenho constantemente buscado uma visão equilibrada (ao mesmo tempo cética e espiritualista) acerca da religião. Religião é meramente "religação a Deus ou ao Cosmos", efetivamente o significado da palavra (do latim "religare") nunca teve quase nada a ver com muito do que é atribuido a ela: xamãs, rituais, igrejas, templos, padres, pastores, médiuns, gurus espirituais, etc… Nesse sentido, tanto um monge budista que procura desvendar os mistérios da meditação transcendental quanto o neurologista que estuda estados enigmáticos da consciência estão, essencialmente, atrás dos mesmos mistérios da Natureza, independente dos motivos que levaram cada um a sua busca, independente de este estar correto e aquele equivocado: no fim, é tudo questão de opinião.

            No entanto, certamente não podemos ignorar que o método científico tem se mostrado bastante efetivo para nos descrever a realidade da Natureza. Como disse Einstein, "toda a nossa ciência, comparada com a realidade, é primitiva e infantil – e, no entanto, é a coisa mais preciosa que temos." – Eu não entendo a ciência (que signifca "conhecimento") como algo dissociado da religião. De fato, se unirmos os dois significados originais, teremos algo como "O Conhecimento do Cosmos" ou, para dar mais ênfase a idéia: "O Conhecimento de Deus". Acredito que, como dizia Sto. Agostinho, precisamos "crer para compreender, e compreender para crer". Por muito tempo, ciência e religião anadaram de mãos dadas, eram simplesmente a Sabedoria (e Filosofia, diga-se de passagem, significa "amor ao saber"). Depois das incursões em métodos experimentais na ilha de Samos, na Grécia antiga, é que se começou a separá-las: alguns sábios afirmavam que a experimentação na Natureza era o caminho essencial para se conhecer o funcionamento da mesma, enquanto outros (não menos sábios) afirmavam que qualquer experimentação poderia ser realizada tão somente no campo das idéias, ou seja, do pensamento puro… Tratava-se tão somente de duas lentes para se ver a Natureza, era preciso de ambas para se chegar a algum lugar, e ainda é preciso.

            Portanto, ao invés de ficarmos nos degladiando (ciência vs. religião), era interessante, a meu ver, que ouvissemos novamente a Einstein: "A ciência sem a religião é paralítica – A religião sem a ciência é cega…"

            Dito isso, posso passar a explicação do porque simpatizo com o espiritismo. Primeiro, é interessante detalhar sobre qual espiritismo estou falando, pois o que mais se vê no Brasil são seitas e doutrinas espiritualistas se dizendo "espíritas", talvez porque esteja na moda (?), provavelmente apenas porque vende bem. Segundo Kardec, o codificador da doutrina espírita, o espiritismo "é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal." – Onde onde se lê "ciência", deve-se lembrar que Kardec era antes um cientista cético, e tratou das manisfestações de inteligência nas pretensas comunicações dos espíritos (através dos médiuns franceses de sua época) pelo método científico de observação dos fenômenos, e posterior teorização da lógica dos fatos. Não se trata da ciência oficial, na medida que esta não comprovou experimentalmente (em processos replicáveis e falseáveis) a existência dos espíritos, mas se trata, sem dúvida, de uma teoria lógica acerca desses fenômenos, muitos dos quais até hoje a ciência oficial também não explica (não me incomodo que chamem a ciência espírita de pseudociência, portanto).

            Onde se lê “mundo corporal” é preciso compreender que na época de Kardec muitas das descobertas da ciência moderna acerca da natureza da matéria (por exemplo, sua intangibilidade) ainda não haviam sido realizadas. Dessa forma, era comum na época tratar do mundo corporal como mundo “da matéria”, e do mundo espiritual como algo essencialmente “imaterial” (ainda que na pergunta #82 formulada por Kardec no Livro dos Espíritos, temos a resposta de que os espíritos são incorpóreos, mas não imateriais, pois que tudo é formado por matéria).

            Hoje, a natureza do mundo corporal é compreendida pela Física Quântica como algo tão “virtual” (ou bizarro) quanto a mais psicodélica das teorias espiritualistas milenares. A diferença é que a Física Quântica trata de partículas detectadas em laboratório. Uma das teorias que defendo é a de que tudo é feito de matéria, inclusive o corpo espiritual (em espiritismo chama-se “perispírito”): um corpo fluídico nada mais seria do que um corpo formado por partículas ainda não detectadas pela ciência, do tipo que não interage com a luz (parte da chamada Matéria Escura).

            Posso adiantar que não se trata de espíritos "de filmes ou histórias de assombração", de "demônios" ou de algo infantil como "gente que teve um karma ruim e reencarnou em um porco"… Trata-se do estudo lógico de um fenômeno, ou melhor, uma possibilidade: "a possibilidade de consciências extra-corpo se comunicarem com consciências [dentro do corpo, normais] de forma inteligente, ou seja, sem que a troca de informações possa ser originária de delírios ou alguma forma obscura de telepatia, pois as informações são muitas das vezes desconhecidas dos médiuns que as transmitem." – Um médium, no caso, não seria alguém "paranormal" ou dotado de um "dom divino", mas alguém como eu ou você, apenas com a capacidade de se comunicar com essas consciências extra-corpo mais desenvolvida, visto que segundo o espiritismo todos são médiuns, embora em graus variados (assim como todos podem compreender matemática, em graus variados).

            Os espíritos nada mais são do que os seres inteligentes, ou com potencial de desenvolver a inteligência, por todo o Universo. Filhos da Natureza (embora se possa atribuir o advento dos espíritos a uma "aleatoriedade" tão grande quanto a que possibilitou a vida [de forma geral] no Universo, normalmente se atribui sua origem a um Criador), nascem como princípios inteligentes, e vivem em diversos planos vibratórios (pode-se entender como dimensões/branas, para quem conhece a Teoria M) ao longo da idade do Universo, seguindo toda a lógica evolucionista de Darwin-Wallace: apenas se propõe que o princípio que anima os seres orgânicos, da vida mineral a animal, evolui da mesma forma por etapas, ou reencarnações sucessivas, ora coletivas (na animalidade), ora individuais (no advento da consciência de si mesmo, em alguns animais mais evoluídos, e sem dúvida no homo sapiens). Assim como Wallace (um dos co-autores da própria teoria evolucionista) indiretamente defendia, o espiritismo nada mais faz do que explicar como a capacidade moral e cognitiva humana é transmitida adiante. Porque uns nascem criminosos e imorais, outros geniais e amorosos: é que estão em etapas diferentes de uma longa escada evolutiva, que se opera em absoluta independência dos genes, que nada mais fazem do que definir proteínas que determinam características físicas, como a cor dos olhos, ou a eficiência do sistema imunológico.

            Importante frisar que os espíritos "falam apenas do que sabem", e nada mais. A grande parte das "desilusões" que se tem ao procurar a comunicação com espíritos provém da crença de que, em sua maioria, são seres de adiantado grau de conhecimento e moral, quando para os casos de contato mais comuns na mediunidade, ocorre exatamente o oposto (não são poucos os "avisos" nos livros de Kardec acerca de espíritos sombrios e zombeterios que só querem causar confusão). Portanto, uma vez admitida a possibilidade da mediunidade ser real, mesmo assim é preciso estar preparado (talvez com o kit de ceticismo de Sagan) para as inúmeras fraudes, ou comunicações atribuidas a espíritos zombeteiros, que iremos nos deparar pela frente.

            Isso dá, acredito, um apanhado geral do que vem a ser o espiritismo real, codificado por Kardec (mas não de sua “autoria”). Para informações mais detalhadas, recomendo que consultem O Livro dos Espíritos.

            À seguir, irei expor o caminho lógico que me levou a crer na reencarnação e na possibilidade da mediunidade.

             

            (*) O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Autoria do escritor Rafael Arrais

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              1. Porque simpatizo com o espiritismo, parte 3
              2. Porque simpatizo com o espiritismo, parte 2
              3. OBRA BÁSICA – O Evangelho Segundo O Espiritismo – Parte 5
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