Archive for coluna

Um médium notável, parte 1

Um artigo do blog Textos para Reflexão (*)

E lá se vão 100 anos do nascimento do maior médium brasileiro. Naturalmente que tenhamos uma renovação do interesse pelo tema Chico Xavier: desde filmes a livros e matérias de revistas conhecidas, além é claro dos costumeiros ataques. Chico sempre inspirou os crentes e incomodou os céticos, tentarei explicar o motivo…

Um breve resumo de sua vida se encontra na Wikipedia: Nascido de uma família pobre em Pedro Leopoldo, região metropolitana de Belo Horizonte, era filho de Maria João de Deus e João Cândido Xavier. Educado na fé católica, Chico teve seu primeiro contato com a Doutrina Espírita em 1927, após fenômeno obsessivo verificado com uma de suas irmãs. Passa então a estudar e a desenvolver sua mediunidade que, como relata em nota no livro ” Parnaso de Além-Túmulo, somente ganhou maior clareza em finais de 1931. O seu nome de batismo Francisco de Paula Cândido foi dado em homenagem ao santo do dia de seu nascimento, substituído pelo nome paterno de Francisco Cândido Xavier logo que rompeu com o catolicismo e escreveu seus primeiros livros e mudado oficialmente em abril de 1966, quando da segunda viagem de Chico aos Estados Unidos. O mais conhecido dos espíritas brasileiros contribuiu para expandir o movimento espírita brasileiro e encorajar os espíritas a revelarem sua adesão à doutrina sistematizada por Allan Kardec. Sua credibilidade serviu de incentivo para que médiuns espíritas e não-espíritas realizassem trabalhos espirituais abertos ao público. Chico é lembrado principalmente por suas obras assistenciais em Uberaba, cidade onde faleceu. Nos anos 1970 passou a ajudar pessoas pobres com o dinheiro da vendagem de seus livros, tendo para tanto criado uma fundação.

Eis um homem praticamente inatacável: Doou todos os direitos autorais de suas obras para a caridade. Não foram poucas obras, nem produzidas nem vendidas. Houvesse retido os direitos, lucraria uma média de 670mil reais por ano (nos valores atuais) durante a vida [1]. Houve quem tentasse encontrar uma lógica absurda de lucro, baseada em “mimos” que as dezenas de editoras diferentes retornavam a Chico, mas o absurdo do ataque fala por si mesmo.

Nada consta, igualmente, de sua vida sexual: Passou a vida toda como assexuado, dedicando todo seu tempo a caridade, a produção literária (psicografias), ao trabalho (aposentou-se como escrivão e datilógrafo no Ministério da Agricultura) e a divulgação da doutrina espírita. Seu filho, Eurípedes, foi adotado, e hoje registrou a assinatura do pai, recebendo os 10% do lucro de tudo que é lançado com ela – inclusive os filmes (nem todos são “santos”, obviamente).

A espiritualidade sempre se preocupou em manter Chico além de qualquer tipo de ataque. Pesquisando, encontramos fatos curiosos: o livro que deu origem ao filme com seu nome, “As vidas de Chico Xavier”, foi baseado numa pesquisa do jornalista – e cético – Marcel Souto Maior sobre a vida de Chico. Porém, não foi lançado após sua morte, a primeira edição consta de 1994 (mesmo a Wikipedia está errada). Ocorre que a pesquisa de Marcel foi “permitida” pelo guia de Chico porque este já sabia que ela seria muito importante para o futuro. E realmente foi: vendeu como água (e apareceu nos radares dos “céticos de plantão”, que perderam a oportunidade de analisá-la quase uma década antes) em 2002, após a morte de Chico (conforme a “profecia”, no dia em que o Brasil todo estava feliz, tendo ganho a Copa do Mundo).

Eis que uma biografia escrita por um cético gerou um filme dirigido por um ateu (Daniel Filho), tendo o papel de protagonista recaído sobre um ator que além de ateu sempre foi comunista (Nelson Xavier). Todos se disseram “mudados” pela história de Chico [2], e o filme já consta como a maior bilheteria de um lançamento do cinema nacional desde sua retomada em 1995. Não, Emmanuel não estava brincando em serviço, ele quis realmente se certificar que não teriam absolutamente nada para atacar tanto no livro quanto no filme (que, diga-se de passagem, também não tiveram envolvimento comercial com nenhuma editora espírita, nem com a FEB).

Sim, Emmanuel era chato mesmo. Se é verdade que tendia muito para o lado religioso da doutrina (já que fora na última encarnação o Padre Manuel da Nóbrega [3]), não se pode reclamar de seu cuidado com os mínimos detalhes da postura de Chico. Quando os jornalistas da Revista Cruzeiro realizaram a famosa reportagem tentando desacreditá-lo (isso está descrito no livro de Marcel), para a reclamação de Chico o guia respondeu: “Jesus Cristo foi para cruz. Você foi para a Revista Cruzeiro”.

Até mesmo a questão do uso das perucas foi veementemente desaconselhada pelo guia – mas os cuidados com a aparência, ao seu gosto duvidoso, Chico fez questão de manter até o fim. Talvez, se mesmo nesse detalhe houvesse seguido a opinião de Emmanuel, muitos não o julgariam apressadamente como charlatão somente porque esconde a calvície (sim, para o ignorante qualquer motivo é motivo).

Em todo caso, os céticos nunca desistiram de tentar explicar o fenômeno da produção literária de Chico – mais de 400 livros de mais de 2mil supostos autores espirituais diferentes. Filtrando os ataques ad hominem falaciosos, chegamos a algumas suposições céticas dignas de nota:

Que era um leitor voraz
Se é verdade que Chico largou o colégio aos 13 anos (na quarta série do primário) para trabalhar, não é verdade que fosse um iletrado e ignorante completo. Sim ele certamente lia bastante, além de escrever cartas pessoais a amigos. Mas será que isso explica a maneira prolífera como escreveu em diversos gêneros literários, no mínimo em pé de igualdade com a qualidade dos supostos autores espirituais enquanto eram vivos? – E isso já desde as poesias de seu primeiro livro (talvez, não tenha iniciado pelas poesias sem razão).

Que possuía “vasta” biblioteca
Segundo consta, sua “vasta” biblioteca chegou um dia a possuir cerca de 500 livros e revistas, com obras em inglês, francês e até hebraico (ele não sabia ler hebraico). A lista inclui obras de pelo menos dois autores dos quais psicografou: Castro Alves e Humberto de Campos. Muito bem, isso talvez explicasse as psicografias desses autores, mas e quanto às centenas de outros autores? Será mesmo que em lendo “cerca de 500 livros e revistas” estaremos aptos a escrever livros com a quantidade e qualidade que Chico escreveu? Ora, a biblioteca ainda está lá em Uberaba, preservada pelo seu filho – enviemos então nossas crianças para lá, vamos criar uma nação de gênios da literatura!

Que sofria de criptomnésia
Este é um distúrbio de memória que faz com que as pessoas se esqueçam que conhecem uma determinada informação. Segundo a teoria, Chico psicografava “sem saber” do próprio inconsciente, e resgatava as informações que já havia “lido em algum lugar” durante a vida. Ora, digamos então que sua biblioteca aliada aos livros e revistas que eventualmente leu durante a vida expliquem como tais informações foram parar em seu inconsciente sem que ele soubesse – e quanto à poesia? E quanto aos livros científicos? E quanto às respostas sobre economia e outros assuntos totalmente fora de sua alçada que deu aos “inquisidores” da Revista Cruzeiro? E quanto às respostas em rede nacional que deu durante o Pinga-Fogo da TV Tupi? Como será que tal conjunto de informações gerou tamanho conhecimento, tamanha habilidade poética?

Sobre esta hipótese no mínimo tão fantástica quanto à hipótese dos espíritos existirem, Monteiro Lobato um dia declarou: “Se Chico Xavier produziu tudo aquilo por conta própria, merece quantas cadeiras quiser na Academia Brasileira de Letras”.

Que comparecia a sessões de materialização de espíritos fraudulentas
Se são fraudulentas ou não, não vem ao caso comentar, pois não quero aqui convencer ninguém de realidade ou irrealidade da existência de espíritos e/ou materializações. Mas é necessário notar que tais episódios que (bem ou mal) exporam Chico ao ridículo da mídia da época foram cuidadosamente orquestrados (novamente) pelos “jornalistas” da Revista Cruzeiro [4]. A lição que ficou do episódio foi prontamente assimilada por Chico, tanto que se afastou da mídia por anos, até o retorno triunfal no Pinga-Fogo de 1971. Fossem as materializações reais ou não, o espiritismo não se presta a esse tipo de espetáculo. É uma doutrina de reforma íntima, de autoconhecimento, de caridade, não de shows de materialização. “Lição aprendida meu caro Emmanuel”!

Na continuação, algumas conclusões sobre tais suposições, e uma mensagem final…

***

[1] Segundo reportagem da Superinteressante de Abril de 2010, matéria da capa sobre Chico Xavier. Mesmo que não sejam valores exatos, certamente era muito, muito mais dinheiro do que a realidade de funcionário público (de baixo escalão) rendeu a ele durante a vida. Algumas citações no artigo (partes 1 e 2) foram retiradas da mesma reportagem.

[2] Essa “mudança” é narrada no livro de Marcel Souto Maior sobre os bastidores da filmagem de Chico Xavier, O Filme. Não quer dizer, nem de longe, que tenham se convertido ao espiritismo… Mas o exemplo moral de Chico é capaz de afetar – no bom sentido – até os maiores opositores da doutrina, contanto é claro que se disponham a estudá-lo.

[3] Em sua época, de português antigo, o padre assinava os documentos como “Emmanuel”, daí ter mantido esta grafia.

[4] Outro episódio narrado no livro de Marcel Souto Maior: “As vidas de Chico Xavier“.

***

Crédito da imagem: um dos cartazes de Chico Xavier, O Filme.

 

(*) O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Autoria do escritor Rafael Arrais

No comment »

Passeios de aeróbus

Este é o primeiro post do blog Textos para Reflexão (*) no DalheMongo. Fico muito feliz de poder divulgar meus textos num blog espírita jovem, pois eu que não sei qual é minha idade, ao menos sei que o espiritismo tem tudo a ver com a juventude… Com a proximidade da estréia do filme Nosso Lar, achei que esse artigo seria o ideal para começarmos:

No livro “Nosso Lar”, de autoria de André Luiz e psicografado por Chico Xavier, temos uma curiosa descrição de um veículo de transporte público na colônia espiritual que dá título ao livro:

Mal me refazia da surpresa, quando surgiu grande carro [aeróbus], suspenso do solo a uma altura de cinco metros mais ou menos e repleto de passageiros. Ao descer até nós, à maneira de um elevador terrestre, examinei-o com atenção. Não era máquina conhecida na Terra. Constituída de material muito flexível, tinha enorme comprimento, parecendo ligada a fios invisíveis, em virtude do grande número de antenas na tolda. Mais tarde, confirmei minhas suposições, visitando as grandes oficinas do Serviço de Trânsito e Transporte.
Lísias não me deu tempo a indagações. Aboletados convenientemente no recinto confortável, seguimos silenciosos. Experimentava a timidez natural do homem desambientado, entre desconhecidos. A velocidade era tanta que não permitia fixar os detalhes das construções escalonadas no extenso percurso. A distância não era pequena, porque só depois de quarenta minutos, incluindo ligeiras paradas de três em três quilômetros, me convidou Lísias a descer, sorridente e calmo (Trecho do início do Capítulo 10: “No Bosque das Águas”, onde André Luiz tem o primeiro contato com o aeróbus).

Uma pergunta muito comum dos céticos (espíritas ou não) em relação a algumas descrições detalhadas de veículos e construções nas colônias espirituais é bastante válida, a primeira vista: “Ora, se essas colônias dispõe de tamanho nível de tecnologia, porque os espíritos não nos entregam de mão beijada os planos e as plantas para que nossos engenheiros e arquitetos possam construir tais veículos e construções aqui na Terra?”.

Um espírita precavido irá citar outro trecho do próprio “Nosso Lar” para explicar porque um aeróbus não poderia viajar pela Terra:

Dirigi-me, incontinenti, a Narcisa, perguntando:
- Onde o aeróbus? Não seria possível utilizá-lo no Umbral?
Dizendo-me que não, indaguei das razões.
Sempre atenciosa, a enfermeira explicou:
- Questão de densidade da matéria. Pode você figurar um exemplo com a água e o ar. O avião que fende a atmosfera do planeta não pode fazer o mesmo na massa equórea. Poderíamos construir determinadas máquinas como o submarino; mas, por espírito de compaixão pelos que sofrem, os núcleos espirituais superiores preferem aplicar aparelhos de transição (Trecho do Capítulo 33: “Curiosas Observações”).

Mas será que isso resolve o problema? Não poderiam, por acaso, os espíritos ajudarem nossos engenheiros e homens de ciência a inovar nossa tecnologia atual? Mesmo que não fosse possível construir uma espécie de metrô que plana em alta velocidade muito acima do solo, certamente algum tipo de avanço descrito nos livros de André Luiz poderia ajudar, e muito, a Terra…

Arthur C. Clarke, célebre escritor de ficção científica, dizia que “qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinquível de magia”. Clarke foi, ele mesmo, um “antecipador” de algumas tecnologias que só viriam a ser viáveis muitos anos após a descrição – então fictícia – das mesmas em seus livros. Particularmente com o conceito dos satélites geoestacionários, Clarke não só antecipou o futuro, como contribuiu decisivamente para ele: nossas telecomunicações devem muito ao que antes era pura ficção.

Interessante que, num nível mais extraordinário (e incerto), é possível que algumas das tecnologias descritas em “Nosso Lar” – que diga-se de passagem, foi publicado em 1944 – possam ser igualmente antecipações de avanços futuros da tecnologia na Terra. Se a décadas atrás o aeróbus – uma espécie de metrô se movendo pelo ar, sem contato com o solo e a altas velocidades – parecia um veículo mágico, hoje talvez não chegue a tanto:

Um trem de levitação magnética ou maglev (Magnetic levitation transport) é um veículo semelhante a um metrô que transita numa linha elevada sobre o chão e é propulsionado pelas forças atrativas e repulsivas do magnetismo através do uso de supercondutores. Devido à falta de contato entre o veículo e a linha, a única fricção que existe, é entre o aparelho e o ar. Por conseqüência, os maglevs conseguem atingir velocidades enormes, com relativo baixo consumo de energia e pouco ruído. Embora a sua enorme velocidade os torne potenciais competidores das linhas aéreas, o seu elevado custo de produção limitou-o, até agora, à existência de uma única linha comercial, o transrapid de Xangai. Essa linha faz o percurso de 30 km até ao Aeroporto Internacional de Pudong em apenas 8 minutos. No Brasil, existem projetos para se implementar o maglev, por exemplo, na Ilha do Fundão.

Ainda assim, talvez não se pareça tanto com um aeróbus… André Luiz disse que “ele parecia ligado a fios invisíveis”, e que se movimentava muito acima do solo. Será que tudo não passou de ficção da cabeça de Chico Xavier? Obviamente que para um cético em relação à existência de comunicação com espíritos desencarnados, tudo já seria ficção a priori. Mas e quanto aos que crêem na possibilidade – será mesmo possível que a tecnologia humana seja apenas uma sombra da tecnologia espiritual, e que a inspiração para as grandes descobertas se deva ao fato de que quase tudo já foi descoberto no plano espiritual?

Quem se preocupa com isso certamente irá sorrir ao conhecer uma distinta empresa americana, chamada Aerobus International, que constrói trens suspensos por fios condutores que parecem voar pelos céus. Dificilmente os engenheiros americanos leram “Nosso Lar”… Mas e daí? E se for mesmo verdade cada pequena descrição da colônia? E se a ela tem mesmo a forma de estrela e todos os Ministérios citados por André Luiz estão mesmo lá, até hoje – em que exatamente isso nos ajuda em nossa evolução espiritual?

Nosso Lar é apenas uma das muitas colônias espirituais a beira do Umbral, onde espíritos de elevada moral e caridade tentam a todo custo auxiliar aqueles que perambulam nas trevas de sua própria consciência… Que nos importa saber o perímetro da colônia? Ou em quanto tempo podemos atravessá-la em um aeróbus? Ou se ela tem restaurantes e casas noturnas? Certamente, se um dia estivermos por lá, essas serão nossas últimas preocupações.

Lendo alguns dos livros de André Luiz, percebi que eles nunca se trataram apenas de descrições – fictícias ou não – de colônias do plano espiritual da Terra. Ora, começando pelo “Nosso Lar” e passando por todos os outros, eles tratam principalmente da tão falada reforma íntima, da reforma de nós mesmos; Do caminho das trevas da consciência egoísta para as campos ensolarados da consciência amorosa, conectada ao Cosmos que pulsa e vibra com vida, em cada partícula e em cada plano de existência.

É possível que os espíritos nos inspirem descobertas e idéias para novas tecnologias. Mas é igualmente possível que estejam mais preocupados em nos inspirar o amor e o auto-conhecimento. Em todo caso, cada ser está onde seus pensamentos o sintonizam.

André Luiz (ou Chico Xavier, caso você seja cético) perderia fácil numa comparação com autores de ficção científica como Arthur C. Clarke… Mas André Luiz não pretendeu nos trazer aulas sobre a tecnologia ultra-avançada dos espíritos, e sim ensinamentos sobre a moral avançada dos seres de luz. Se ele recorreu a histórias que ocorriam ao mesmo tempo na Terra e no plano espiritual, e acaso tenha se preocupado em descrever como é a vida enxergada do lado de lá, foi porque reconheceu o tempo perdido em sua encarnação prévia – um grande neurologista e médico sanitarista do Rio de Janeiro, que tinha muito conhecimento, mas pouca sabedoria.

Em seus livros, não encontramos batalhas fascinantes entre “o bem e o mal”, mas sim relatos sinceros e perturbadores da ignorância e falta de caridade de grande parte dos seres; A começar pelo próprio André Luiz, que passou anos no Umbral, e mesmo depois de socorrido em Nosso Lar custou a perder os vícios e a pompa de “grande médico”. Custou a vencer o próprio ego e reconhecer que a luz que vem de cima é sempre maior do que a nossa própria. Custou, mas venceu, e depois dedicou alguns de seus anos a ditar livros para um dos maiores médiuns de que se tem notícia. E o resto é história.

***

Crédito da imagem: Nosso Lar, O Filme

 

(*) O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Autoria do escritor Rafael Arrais

Comments (2) »

A mocidade e os ditados…

Bom, depois de muito refletir sobre diversas coisas que acontecem no ambiente de mocidade, cheguei a conclusão de que todos os fatos ocorridos estão amparados em algo bem simples mais ao mesmo tempo tão complexos que são os ditados populares, esses mesmos que são passados de geração em geração. Daqui a muitos anos, você poderá ler esse texto novamente, pois irá perceber que as situações serão as mesmas, só os personagens mudarão. Não sei ao certo como começou, sei que anos antes de Cristo o famoso profeta Moisés, já se utilizava desse recurso. Com o seu “olho por olho dente por dente”, constituía as leis daquela época, acho que não seria para incitar a violência, somente uma forma de fazer com que o povo pudesse se adaptar já que antigamente só compreendiam a linguagem do medo. O tempo passou, e como passou! Os ditos populares continuam se encaixando perfeitamente nos tempos modernos, veja como tenho razão…

Vamos falar de relacionamentos, um tema bastante polêmico e que acaba sempre tendo visões controversas. Imaginem só, dois rapazes perdidamente apaixonados por uma única menina, todos da mesma turma de mocidade. Cada um querendo chamar mais atenção do que o outro, mesmo que para isso tenham que falar mal do seu rival, ou melhor, do seu concorrente, “o homem é o lobo do homem”, ou seja, o homem é o seu próprio predador, e que predador voraz! Sabe quando aquele seu amigo todo certinho chega com uma série de lições sobre o que é certo ou o que é errado, o que você deve ou não fazer? Pois é, aí você percebe que ele faz tudo aquilo de errado que ele te disse para não fazer, “quem tem telhado de vidro não atira pedra no telhado do vizinho”. Se não consegue agir de uma forma exemplar, porque exigir do outro essa conduta? Vejamos como não é fácil a vida de dirigente de mocidade. Sempre existe aquele aluno que está meio indeciso se freqüenta ou não as aulas e o dirigente se esforça e faz de tudo, até convencer e conseguir integrar esse aluno ao demais, “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”, de tanto insistir, convenceu o não tão duro coração do aluno indeciso.

10154775

Quando chega a época de encontro é uma correria só e é muito chato quando algum aluno diz que não pode ir por um motivo ou outro. Isso acontece e é até natural, ficamos sempre tristes. Só que ele não foi simplesmente por um motivo banal, ou para fazer qualquer outra coisa sem importância, “o que os olhos não vêem o coração não sente”. Ainda bem, porque seria muito decepcionante descobrir uma coisa como essa. Tem também aquela história do expositor que vai dar aula em uma turma pela primeira vez. Ele não conhece bem o perfil da turma e todos estão bem tímidos. Ele começa a instigar os alunos com uma série de perguntas e de uma hora para outra, os alunos começam a responder e fazer também, uma série de perguntas tão complexas que o expositor até fica sem graça, “não cutuque a onça com vara curta”, é sempre bom estar preparado para todo tipo de situação.

Ainda nas aulas, às vezes o dirigente sofre, convida alguém para dar uma aula ou às vezes convida até duas pessoas e por ironia do destino, nenhuma das duas aparece. Ele bastante esperto, já estudou e pediu para que seu secretário estudasse a aula também, “mais vale um pássaro na mão do que dois voando” Dirigente é realmente uma figura, todo lugar que vai, sempre leva seu programa para conseguir alguém para dar uma aulinha “de grão em grão a galinha enche o papo”. Em todas essas situações, o aluno é sempre o principal beneficiado, afinal, tudo o que é feito é em prol do aluno, e mesmo que ele ache que uma situação não irá dar certo, as coisas sempre acabam acontecendo de uma forma positiva para ele, “quem espera sempre alcança”. O que se espera alcançar, é que a juventude de hoje, principalmente aquela que freqüenta a mocidade, tenha mais qualidade de vida, com valores morais bem definidos. Quando as coisas não acontecem tão facilmente e quando não alcançamos nossos objetivos tão rápido, ficamos decepcionados, “devagar se vai ao longe”, afinal, tudo tem seu tempo, sua hora certa para acontecer.. O ditado que mais gosto, é “o trabalho com mocidade é duro, mas feliz”, esse ninguém deve conhecer porque acabei de inventar, por enquanto é o que dá para fazer, inventar uma maneira de fazer melhor, de ser melhor, de ser feliz, de ser…

E tenho dito!

Pedro – Vale

Comments (2) »

Felicidade

aconteceu_yuri

Revista Espírita, março de 1860

(Sociedade, 10 de fevereiro de 1860. Médium, senhorita Eugénie.)

Qual é o objetivo de cada indivíduo na Terra? Ele quer a felicidade a qualquer preço que seja. É o que faz com que todos nós sigamos um caminho diferente? É que cada um nós espera encontrá-lo num lugar ou numa coisa que lhe agrade particularmente: uns procuram a glória, outros as riquezas, outros as honras; o maior número corre atrás da fortuna, porque, em nossos dias, é o meio mais poderoso para chegar a tudo; ele serve de pedestal para tudo. Mas quantos vêem essa necessidade de felicidade realizada? Bem poucos; e perguntai a cada um daqueles que chegam se atingiram o objetivo a que se tinham proposto: se são felizes? Todos respondem: ainda não; porque todos os desejos aumentam na razão que sejam satisfeitos. Se hoje há tantas pessoas que querem se interessar pelo Espiritismo, é que depois de ver que tudo é quimera, e querendo pelo menos chegar, tentam o Espiritismo como tentaram a riqueza e a glória.

Se Deus colocou nos corações esta necessidade tão grande de felicidade, é que esta deve existir em alguma parte. Sim, tende confiança nele, mas sabei que tudo o que Deus promete deve ser divino como ele, e que a felicidade que procurais não pode ser material. Vinde a nós, vós todos que sofreis; vinde a nós, todos vós que tendes necessidade de esperança, porque quando tudo na Terra vos faltar, enfraquecer, nós aqui, teremos mais do que as vossas necessidades pedirem. Mães desesperadas, que vos lamentais sobre uma tumba, vinde aqui: O anjo que chorais vos falará, vos protegerá, vos inspirará a resignação para as penas que tendes sofrido na Terra. Todos vós que tendes a necessidade insaciável da ciência, dirigi-vos a nós, só nós podemos dar ao vosso Espírito o alimento de que ele necessita. Vinde, saberemos encontrar para cada ferida uma doçura, e por desamparados que vos pareçam, há Espíritos que vos amam e que estão prontos para vo-lo provar. Eu falo em nome de todos. Desejo ver virem nos pedir conselhos, porque estou segura que vós, com isto, tereis a esperança no coração.

STAEL.

No comment »

Os anjos guardiães

aconteceu_yuri

Revista Espírita, janeiro de 1859

Comunicação espontânea obtida pelo senhor L.., um dos médiuns da Sociedade.

É uma doutrina que deveria converter os mais incrédulos pelo seu encanto e pela sua doçura: a dos anjos guardiães. Pensar que se tem, junto de si, seres que vos são superiores, que estão sempre aí para vos aconselhar, vos sustentar, para vos ajudar a escalar a áspera montanha do bem, que são amigos mais seguros e mais devotados que as mais íntimas ligações que se possa contrair nesta Terra, não é uma idéia bem consoladora? Esses seres estão aí por ordem de Deus; foi ele quem os colocou junto de nós, e estão aí pelo amor dele, e cumprem, junto de nós, uma bela mas penosa missão. Sim, em qualquer parte que estejais, ele estará convosco: os calabouços, os hospitais, os lugares de deboche, a solidão, nada vos separa desse amigo que não podeis ver, mas do qual vossa alma sente os mais doces impulsos e ouve os sábios conselhos.

Por que não conheceis melhor essa verdade! Quantas vezes ele vos ajudou nos momentos de crise, quantas vezes vos salvou das mãos de maus Espíritos! Mas, no grande dia, esse anjo do bem terá, freqüentemente, a vos dizer: “Não te disse isso? E tu não o fizeste. Não te mostrei o abismo, e tu nele te precipitaste; não te fiz ouvir na consciência a voz da verdade, e não seguiste os conselhos da mentira?” Ah! questionai vossos anjos guardiães; estabelecei, entre ele e vós, essa ternura íntima que reina entre os melhores amigos. Não penseis em não lhes ocultar nada, porque são o olho de Deus, e não podeis enganá-los. Sonhai com o futuro, procurai avançar nesse caminho, vossas provas nele serão mais curtas, vossas existências mais felizes. Ide! homens de coragem; lançai longe de vós, uma vez por todas, preconceitos e dissimulações; entrai no novo caminho que se abre diante de vós; caminhai, caminhai, tendes guias, segui-os: o objetivo não pode vos faltar, porque esse objetivo é o próprio Deus.

Àqueles que pensam que é impossível a Espíritos verdadeiramente elevados se sujeitarem a uma tarefa tão laboriosa e de todos os instantes, diremos que influenciamos vossas almas estando a vários milhões de léguas de vós: para nós o espaço não é nada, e mesmo vivendo em um outro mundo, nossos espíritos conservam sua ligação com o vosso. Gozamos de qualidades que não podeis compreender, mas estejais seguros que Deus não nos impôs uma tarefa acima de nossas forças, e que não vos abandonou sozinhos na Terra, sem amigos e sem sustentação. Cada anjo guardião tem o seu protegido, sobre o qual ele vela, como um pai vela sobre seu filho; ele é feliz quando o vê seguir o bom caminho, e geme quando seus conselhos são desprezados.

Não temais nos cansar com vossas perguntas; ficai, ao contrário, em relação conosco: sereis mais fortes e mais felizes. São essas comunicações, de cada homem com seu Espírito familiar, que fazem todos os homens médiuns, médium ignorados hoje mas que se manifestarão mais tarde, e que se espalharão como um oceano sem limites para refluir a incredulidade e a ignorância. Homens instruídos, instruí; homens de talento, elevai vossos irmãos. Não sabeis que obra cumpris assim: é a do Cristo, aquela que Deus vos impôs. Por que Deus vos deu a inteligência e a ciência, se não para partilhá-las com vossos irmãos, certamente para avançá-los no caminho da alegria e da felicidade eterna.

São Luís, Santo Agostinho.

No comment »

Tendo Moisés proibido evocar os mortos é permitido fazê-lo?

Revista Espírita, outubro de 1863

(Bordeaux – Médium: Sra. Collignon)

Será, então o homem tão perfeito que julgue inútil medir suas forças? E é sua inteligência tão desenvolvida que possa suportar toda a luz?

Quando Moisés trouxe aos hebreus uma lei que os pudesse tirar do estado de escravidão em que viviam e reavivar neles a lembrança de seu Deus, que haviam esquecido, foi obrigado a graduar a luz por sua força de visão e a ciência pela força de sua inteligência.

Porque também não perguntais: Porque Jesus se permitiu refazer a lei? Porque disse: “Moisés vos disse: Dente por dente, olho por olho, eu vos digo: fazei o bem aos que vos querem mal; bendizei aos que vos amaldiçoam; perdoai aos que vos perseguem”.

Porque disse Jesus: “Moisés disse: Aquele que quiser deixar sua mulher lhe dê carta de divórcio”. Mas eu vos digo: “Não separeis o que Deus uniu.”

Porque? É que Jesus falava a Espíritos mais adiantados que na encarnação em que estavam ao tempo de Moisés. É que é preciso proporcionar a lição à inteligência do aluno. É que vós, que perguntais, que duvidais, ainda não chegastes ao ponto em que deveis estar e ainda não sabeis o que sereis um dia.

Porque? Mas, então, perguntai a Deus por que criou a erva do campo, da qual o homem civilizado chegou a fazer seu alimento? Porque fez árvores que só deveriam crescer em certos climas, em certas latitudes, e que o homem chegou a aclimatar por toda a parte?

Moisés disse aos Hebreus: “Não evoqueis os mortos!” Como se diz às crianças: “Não toqueis no fogo!”

Não foi pela evocação que, pouco a pouco, tinha degenerado em idolatria entre os Egípcios, os Caldeus, os Moabitas e todos os povos da antigüidade? Eles não tinham a força de suportar a ciência, tinham-se queimado, e o Senhor tinha querido preservar alguns homens, a fim de que pudessem servir e perpetuar seu nome e sua fé.

Os homens era pervertidos e dispostos às evocações perigosas. Moisés preveniu o mal. O progresso deveria ser feito entre os Espíritos, como entre os homens; mas a evocação ficou conhecida e praticada pelos príncipes da Igreja; a vaidade, o orgulho são tão velhos quanto a humanidade; assim, os chefes da sinagoga usavam a evocação e, muitas vezes, usavam-na mal. Assim, muitas vezes, sobre eles abateu-se a cólera do Senhor.

Eis porque disse Moisés: “Não evoqueis os mortos.” Mas a mesma proibição prova que a evocação era usual entre o povo e era o povo que ele a proibia.

Deixai, pois, falar os que perguntam porque? Abri-lhes a historia do globo, que cobrem com seus passos miúdos, e perguntai-lhes por que, desde tantos séculos acumulados, marcam passo e avançam pouco? Ë que sua inteligência não está bastante desenvolvida; é que a rotina os constringe; é que querem fechar os olhos mau grado os esforços feitos para lhos abrir.

Perguntai-lhes porque Deus é Deus? Porque o Sol os ilumina?

Que estudem, que busquem e na história da antigüidade verão por que Deus quis que tal conhecimento em parte desaparecesse, para reviver com mais brilho, quando os Espíritos encarregados de o trazer, tivessem mais força e não vergassem ao seu peso.

Não vos inquieteis, meu amigos, com perguntas ociosas, com objeções sem nexo, que vos fazem. Fazei sempre o que acabais de fazer: perguntai e nós vos responderemos com prazer. A ciência é de quem a busca; então ela vem se lhe mostrar. A luz ilumina os que abrem os olhos, mas as trevas se adensam para os que os querem fechar. Não é aos que perguntam que se há de recusar, mas aos que fazem objeções com o fito único de extinguir a luz ou que não ousam fitá-la. Coragem, meus amigos, estamos prontos para vos responder todas as vezes que forem necessárias.

Semeão, por Mateus.

No comment »

Allan Kardec, O Codificador do Espiritismo

Hippolyte Léon Denizard Rivail nasceu em Lyon, França, em 3 de outubro de 1804. Estudou em Yverdun (Suíça) com o célebre Johann Heinrich Pestalozzi, de quem se tornou um eminente discípulo e colaborador. Aplicou-se à propaganda do sistema de educação que exerceu tão grande influência sobre a reforma dos estudos na França e na Alemanha. Lingüista insigne, falava alemão, inglês, italiano, espanhol e holandês. Traduziu para o alemão excertos de autores clássicos franceses, especialmente os escritos de Fénelon (François de Salignac de la Mothe).

Rivail, o educador

Fundou em Paris – com sua esposa Amélie Gabrielle Boudet – um estabelecimento semelhante ao de Yverdun. Escreveu gramáticas, aritméticas, estudos pedagógicos superiores; traduziu obras inglesas e alemãs. Organizou, em sua casa, cursos gratuitos de química, física, astronomia e anatomia comparada.

Membro de várias sociedades sábias, notadamente da Academia Real de Arras, foi premiado, por concurso, em 1831, com a monografia Qual o sistema de estudo mais em harmonia com as necessidades da época? Dentre as suas obras, destacam-se: Plano apresentado para o melhoramento da instrução pública (1828); Curso prático e teórico de aritmética (1829, segundo o método de Pestalozzi); e Gramática francesa clássica (1831).

Kardec, o codificador

Foi em 1854 que o Prof. Rivail ouviu falar das mesas girantes, fenômeno mediúnico que agitava a Europa. Em Paris, ele fez os seus primeiros estudos do Espiritismo. Aplicou à nova ciência o método da experimentação: nunca formulou teorias pré-concebidas, observava atentamente, comparava, deduzia as conseqüências; procurava sempre a razão e a lógica dos fatos. Interrogou os Espíritos, anotou e ordenou os dados que obteve. Por isso é chamado Codificador do Espiritismo. Os autores da Doutrina são os Espíritos Superiores. A princípio, Rivail objetivava apenas sua própria instrução. Mais tarde, quando viu que tudo aquilo formava um conjunto e tomava as proporções de uma doutrina, decidiu publicar um livro, para instrução de todos. Assim, lançou O Livro dos Espíritos em 18 de abril de 1857, em Paris. Adotou o pseudônimo Allan Kardec a fim de diferenciar a obra espírita da produção pedagógica anteriormente publicada.

Em janeiro de 1858, Kardec lançou a Revue Spirite (Revista Espírita) e fundou a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. Em seguida, publicou O que é o Espiritismo (1859), O Livro dos Médiuns (1861), O Evangelho segundo o Espiritismo (1864), O Céu e o Inferno (1865) e A Gênese (1868). Kardec faleceu em Paris, em 31 de março de 1869, aos 64 anos, em razão da ruptura de um aneurisma. Seu corpo está enterrado no cemitério Père Lachaise, na capital francesa. Seus amigos reuniram textos inéditos e anotações de Kardec no livro Obras Póstumas, que foi lançado em 1890.

FONTE: Federação Espírita Brasileira.

Yuri, VALE.

Comments (2) »

Uma coisa nada importante

…Que o operário faz a coisa. E a coisa faz o operário…
O Operário em Construção – Vinicius de Morais

…Somente o necessário, o extraordinário é demais… Necessário, somente o necessário Por isso que essa vida eu vivo em paz. …E o Necessário para viver você terá… Eu Só quero ter o que a vida me dá…
Balu – Somente o Necessário – do filme Mogli o Menino Lobo

Uma coisa e uma coisa, outra coisa é outra coisa.”
Ditado Popular

São mesmo nestes caminhos que a nossa simples vida nos leva, que às vezes e muitas vezes nós nos permitimos a nos aventurar em coisas nem um tanto, ou totalmente necessárias.

Dizer o quê sobre as frases acima ou até mesmo sobre o parágrafo que começa nossa observação. Somos capazes de tudo. E como na coluna passada falamos de valores, desta vez vamos além, vendo assim suas importâncias e necessidades.

Quando uma coisa surge em nossas vidas e muda o rumo daquilo que planejamos ou simplesmente nos transformam em novas pessoas. Coisas que nos permitem sonhar, interagir, crescer, colocar cores em nossas vidas e ao mesmo tempo vivenciarmos uma simples diversão que dura apenas algumas horas. Ainda assim, conseguimos ou não, medir a importância que isso pode proporcionar, bagunçar e até mesmo mudar nossas vidas.

Digo isso, porque sempre tem algo que nos movimenta e faz com que partamos para algo totalmente diferente do que eramos até dado momento. Coisas que para alguns, são vistas nas aparências, sentidas no coração, transformadas em novas posturas e personalidades e refletidas pelo crescimento do nosso espírito.

Quantos de nós, ao ser perguntado quando criança: o que seriamos quando crescer, respondiamos coisas totalmente surreias, absurdas e até mesmo sonhadoras e fantasiosas. E temos casos de muitos se tornaram essas coisas que queriam ser.

Vemos aqui que com o passar do tempo, somos influenciados por uma série de coisas: nossa criação, nossa formação, nossos amigos, nosso espírito e caminhos cheios de coisas importantes para aqueles momentos ou para toda vida, que escolhemos ali. E ainda assim algum de nós permite se arrepender ou não vemos o quanto podemos ficar marcados por isso, vivenciando sem olhar para frente ou sem simplesmente saber o quanto esta coisa é parte total e integrante da nossa vida. O mais engraçado aqui é que muitas coisas e pessoas passam como vento em nossas vidas e deixam marcas profundas, ou é apenas mais uma coisa dentro da vida instável e estável que levamos.

A resposta para isso vem das coisas que realmente merecemos, necessitamos para nossa e efetiva melhora e crescimento. Mas sem sermos moralistas e entendendo que podemos ser totalmente formados, influenciados e marcados pelo meios que vivemos.

Nossos pais nos mostram o que devemos valorizar e como devemos nos guiar na disciplina, na vida e nas escolhas. Nossos amigos nos fazem sorrir, ver outros mundos, conhecer realidades e assim associar a aquilo que crescemos sendo. O mundo, o dia-a-dia que levamos e vivemos, nos permite observar e questionar o que faremos para não sermos mais um aqui.

Vivendo desejos de belezas perfeitas e coisas que não cabem em nossas realidades físicas e financeiras, sempre objetivamos mais e não vemos que a felicidade só existe enquanto queremos e buscando algo, e não quando a temos. Nossa felicidade acaba sendo medida pelo que? Não que não sejamos felizes, que não sorrimos com coisas absurdas. Mas é entre as casualidades de se apaixonar pela primeira vez, conquistar o emprego do seus sonhos, ir num show inesquecível, viajar ao lado dos amigos, sentir-se bem com as roupas que veste. E como é? Descobrir o que realmente gosta, ser e crescer na vida… E o que realmente descobrimos? Que somente vivenciando as coisas é que podemos dizer o quanto elas nos fazem bem ou que era somente um caso passageiro, uma vontade de alguém descobrindo o mundo. Sendo vencedores por termos tentado tudo e não simplesmente de desejar algo e se arrepender pelas não tentativas… A vitória vem da insistência que temos de querer estar e viver tudo.

A observação maior disto tudo é “o que realmente é necessário para vivermos”? Para estarmos felizes? E para nos fazer totalmente realizados e prontos para ver e enfrentar nossa vida? A mocidade mais uma vez nos dá este suporte, nos faz vermos que ela é a coisa pra muitos. E pra outros só mais uma coisa.

Como assim?

Simples. Muitos de nós, nos meios em que vivemos, transparecemos o que somos, às vezes tudo o que somos, uma parte, parte e meia e nada. Queremos ser aceitos, queremos ser inclusos, queremos fazer parte de algo e vivendo as necessidades que nosso espirito milenar em apreendizado pede, e tambem as curiosidades que temos nesta nova vida e ainda assim sofrendo as influencias do mundo, dos amigos, da familia, da vida que levamos. Isto forma realmente o que somos. E realmente somos apenas e tudo isto ao mesmo tempo. Quantas vezes desejamos coisas necessárias pra nós, descessárias pra vida que temos? Importante pra pessoas a nossa volta e totalmente desmerecidas pelos seus sentimentos? Fazemos às vezes de tudo para sermos aceitos,ou nos recluimos a ponto de preservarmos o que realmente somos.

A mocidade é a coisa mais importante em nossas vidas? Como consequimos medir isso?

Na verdade todos nós temos uma vida fora da mocidade, amigos, familia, trabalho, estudo, diversões, etc. Em cada uma desta dimensões e relações, atendemos e nos envolvemos de uma certa maneira. O que precisamos saber é qual destas coisas é a mais importante pra ti? E por que ela está tão presente na sua vida? Aceitação, revolta, acolhimento, suprir carências, alegrias, redescobrimentos, grandes momentos ou para cada uma dela se basta sua porção. O necessário óbvio para vivermos em paz e não deixarmos de lado nada do que vivemos e somos. Será que em nenhum momento reprimimos nosso espiritos? E o que realmente podemos ser e fazer?

Eu respondo isso! A mocidade responde isso pra mim! E faço da minha história na mocidade para dizer que essa Coisa é importante e foi dela e por ela que redescobri a mim!

Muitos vão dizer que não, outros tanto sim, não estou aqui pra julgar o que fazem, com quem se relacionam, ou porque são assim. Eu nunca deixei de fazer nada em minha vida devido a mocidade e consegui ser feliz em todos os momentos vividos, não me arrependo de nada do que fiz. A mocidade é a COISA em minha vida, porque eu pude perceber que além da minha familia, é lá, o unico lugar que demonstro por completo o que realmente sou. É lá, que em todas as semanas, encontros e reuniões, eu consigo transparecer a realidade do meu espirito e assim aprendi a ter e a fazer amigos (os meus verdadeiros estão lá), companheiros que quero ver, envelher e visitar sempre. É lá, é aqui que pude amar e não ter vergonha de dizer sobre o que sou, e de desmostrar meus defeitos e ainda sim, ver pessoas querendo o meu melhor.

Ela é a coisa, pois sem ela não sei viver e nem dizer não… E nos caminhos (fáceis, difíceis e complicados) que passo, é nela que realmente me fortaleço. Para mim, ela é a coisa necessária e em doses bem equilibradas que necessito para viver. Não deixo de fazer nada do que quero e de ir a lugar algum, não deixo de conversar com pessoas diferentes e me divertir em lugares não comuns para participantes da mocidade. Porque antes de ser da mocidade, eu, você e todos nós somos do mundo e devemos provar dele. Mas devemos sempre perceber o que é necessário para viver e a importância que isso tem em nossas vidas. Afinal a mocidade (amigos, sentimentos, aprendizado e muitos momentos), hoje me sustentam e me ajudam a enfrentar as coisas da vida que não sei viver. A Mocidade é a coisa que se fez em mim. E eu, um reles operário construído pela mocidade, sabendo de cada coisa em seu lugar e vivendo o necessário do que a vida me dá. Quero apenas dizer… E pra você? A Mocidade é COISA?

Voce saberá quando se perguntar das últimas viagens que fez quem esteve com você? Onde esteve no último feriado? Que perdeu algumas das suas noites em pensamentos e reuniões! Que vai ao cinema com amigos da mocidade! Que seu relacionamento amoroso veio da mocidade! Que seus grandes amigos estão lá. E muitas outras coisas mais que ela pode nos proporcionar. Voce foi aceito, a mocidade é a coisa da sua vida e aqui é seu lugar…

Temos de medir e sentir tudo e observatório mocidade nos convida a apenas um brilho de sentimentos de coisas vividamente adequadas. Nossas vidas são criadas com coisas que vivemos pra ela, e hoje posso dizer que a minha em primeiro lugar é feito de mocidade.

Na próxima observação veremos se seremos o amanhã… Dias de um futuro imperfeito e cheio de confeitos para jovens espiritas.

De olhos e ouvidos bem abertos

- “Minha vida dois planos”… A terceira revelação… O Geral 2009 está chegando e em meio a cores rosa, lilás e roxas. A espiritualidade brota sua presença em nossos olhos e assim estamos começando a ver o barulho e contar os dias para este grande evento chegar… SP Oeste… Estamos todos juntos.

- A hora certa de partir… Aposentadoria da mocidade a muitos por vir, e o que faremos depois… Quem sabe seremos os adultos que com vida em mocidade possam desafiar os limites existentes entre as diferenças que nos separam dos demais. Vamos fazer das casas espiritas e de nosso pequeno movimento, um lugar para jovens vividos e fortalecidos pela mocidade e que acima de tudo que não negam seu passado.

Comments (6) »

O Poder da Oração – Parte 2

No ano de 2000 aqui no Vale do Paraíba no Encontro de Carnaval Folia de Luz o tema escolhido era “Nosso Lar Pátria Amada Brasil, não lembro mais do que tratávamos no Encontro. Mas lembro bem de uma atividade em que a abordagem era Acendendo Luzes no Brasil representado com um mapa colado em um pedaço papelão com alfinetes de cabeça amarela espetados em diversos pontos do nosso País representando as preces e orações sinceras que eram realizadas pelas diversas pessoas em diversas situações.
Nesta atividade fazia-se uma dinâmica com as pessoas para representar o envolvimento do plano espiritual diante deste trabalho o Evangelho no Lar. Então fizemos a seguinte simulação:

Uma família de quatro pessoas fazendo um Evangelho no Lar.
Todos os participantes tinham que ficar de olhos abertos para observar o que iria acontecer.
A sala foi dividida em vários grupos e combinado o momento de entrar na encenação conforme a orientação de como fazer o Evangelho no Lar, ao final da simulação a sala estava na seguinte configuração.

Foi um momento único que vivemos, pois as vibrações de amor pareciam que saltavam de nossos corações. Depois desta atividade todos tinham um compromisso no coração de não desperdiçar o tempo com preces elaboradas e cheias de palavras bonitas, a prece realizada na atividade era simples e arrebanhadora para que todos pudessem aproveitá-la.
Fica a sugestão de dinâmica para vocês trabalharem nas turmas de Mocidades ou na Casa Espírita de vocês.

Abraços fraternos a todos!

Comments (2) »

União simpática das almas

Revista Espírita, julho de 1862

(Bordeaux, 15 de fevereiro de 1862. – Médium, senhora H…)

P. – Já me dissestes várias vezes que nos reuniríamos para não mais nos separar. Como isto poderia se dar? É que as reencarnações, mesmo as que sucedem às da Terra, não separam sempre por um tempo mais ou menos longo?
R. – Digo-te: Deus permite àqueles que se amam sinceramente, e souberam sofrer com resignação para expiarem suas faltas, se reunirem primeiro no mundo dos Espíritos, onde progridem juntos, para obter estarem encarnados nos mundos superiores. Podem, pois, se o pedem com fervor, deixar os mundos espíritas na mesma época, se reencarnar nos mesmos lugares, e, por um encadeamento de circunstâncias previstas anteriormente, se reunir pelos laços que melhor convierem ao seu coração.
Uns pedirão para ser pai ou mãe de um Espírito que lhes era simpático, e que ficarão felizes em dirigir no bom caminho, cercando-o de ternos cuidados da família e da amizade. Os outros pedirão a graça de estarem unidos pelo matrimônio e de ver transcorrerem numerosos anos de felicidade e de amor. Falo do casamento entendido no sentido da reunião íntima de dois seres que não querem mais se separar; mas o casamento, tal como é compreendido sobre vossa Terra, não é conhecido nos mundos superiores. Nestes lugares de felicidade, de liberdade e de alegria, os laços são de flores e de amor; e não vás crer que sejam menos duráveis por isso. Só os corações falam e guiam nessas uniões tão doces.
Uniões livres e felizes, casamentos de alma à alma diante de Deus, eis a lei de amor dos mundos superiores! e os seres privilegiados dessas regiões benditas, crendo-se mais fortemente ligados por semelhantes sentimentos do que não o são os homens da Terra, que pisam tão freqüentemente sob os pés os mais sagrados compromissos, não oferecem o doloroso espetáculo de uniões perturbadas, sem cessar, pela influência dos vícios, das más paixões, da inconstância, do ciúme, da injustiça, da aversão, de todos esses horríveis pendores que conduzem ao mal, ao perjúrio e à violação dos juramentos mais solenes. Pois bem! esses casamentos benditos por Deus, essas uniões tão doces, são a recompensa daqueles que, tendo se amado profundamente no sofrimento, pedem ao Senhor justo e bom continuar nos mundos superiores a se amarem ainda, mas sem temerem uma próxima e terrível separação.
E o que há aí que não seja fácil de compreender e de admitir? Deus, que ama todos os seus filhos, não teve que criar, para os que disso se fizeram dignos, uma felicidade tão perfeita quanto as provas haviam sido cruéis? Que poderia conceder que fosse mais conforme ao desejo sincero de todo coração amante? De todas as recompensas prometidas aos homens, há alguma coisa de semelhante a este pensamento, a esta esperança, eu poderia dizer a esta certeza: estar reunido pela eternidade aos seres adorados?
Crê-me, filha querida, nossas secretas aspirações, essa necessidade misteriosa mas irresistível de amar, amar por muito tempo, amar sempre, não foram colocadas por Deus em nossos corações senão porque a promessa do futuro nos permitia essas doces esperanças. Deus não nos fará experimentar as dorés da decepção. Nossos corações querem a felicidade, não batem senão para as afeições puras; a recompensa não poderia ser senão o cumprimento perfeito de nossos sonhos de amor. Do mesmo modo que, pobres Espíritos sofredores destinados à prova, nos foi necessário pedir e escolher mesmo, algumas vezes, a expiação mais cruel, do mesmo modo Espíritos felizes, regenerados, escolhemos ainda, com a nova vida destinada a nos depurar mais, a soma destinada ao Espírito avançado. Eis, filha bem amada, um resumo bem sucinto das felicidades futuras. Freqüentemente, teremos ocasião de retornar a este agradável assunto. Deves compreender quanto a perspectiva desse futuro me torna feliz, e quanto me é doce te confiar minhas esperanças!

P. – Reconhecemo-nos nessas novas e felizes existências?
R. – Se não nos reconhecêssemos, a felicidade seria bem completa? Isso poderia ser a felicidade, sem dúvida, porque nesses mundos privilegiados todos os seres estão destinados a ser felizes; mas seria bem a perfeição da felicidade para aqueles que, separados bruscamente na mais bela época da vida, pedem a Deus para estarem reunidos em seu seio? Seria a realização de nossos sonhos e de nossas esperanças? Não, pensas como eu. Se um véu fosse lançado sobre o passado, não estaria aí a suprema felicidade, a inefável
alegria de se rever depois das tristezas da ausência e da separação; não estaria aí, ou pelo menos se ignoraria, essa antiga afeição que aperta mais os laços. Do mesmo modo que sobre a vossa Terra dois amigos de infância gostam de se reencontrar no mundo, na sociedade, e se procuram muito mais do que se suas relações não datassem senão de alguns dias, assim também os Espíritos que mereceram o favor inapreciável de se juntarem nos mundos superiores são duplamente felizes, e reconhecem a Deus este novo reencontro, que responde aos seus desejos mais caros. Os mundos colocados acima da Terra, nos graus da perfeição, são cumulados de todos os favores que podem contribuir para a felicidade perfeita dos seres que os habitam; o passado não lhes é oculto, porque a lembrança de seus antigos sofrimentos, de seus erros
resgatados ao preço de muitos males, e aquele mais vivo ainda de suas sinceras afeições, lhe fazem encontrar mil vezes mais doçura nessa nova vida, e os garante das faltas que poderiam, talvez, por um resto de fraqueza, se deixarem ir algumas vezes. Esses mundos são para o homem o paraíso terrestre destinado a conduzi-lo ao paraíso divino.

Nota. – Equivocar-se-á estranhamente sobre, o sentido desta comunicação vendo-se nela a crítica às leis que regem o casamento e a sanção das uniões efêmeras extra-oficiais. Ante as leis, as únicas que são imutáveis são as leis divinas; mas as leis humanas, devendo ser apropriadas aos costumes, aos usos, aos climas, ao grau de civilização, são essencialmente móveis, e seria muito triste que fosse de outro modo, e que os povos do século dezenove fossem acorrentados à mesma regra que regia nossos pais; portanto, se as leis mudaram de nossos pais a nós, como não chegamos à perfeição, elas deverão mudar de nós aos nossos descendentes. Toda lei, no momento em que é feita, tem sua razão de ser e sua utilidade, mas pode que, boa hoje, não o seja mais amanhã. No estado de nossos costumes, de nossas exigências sociais, o casamento tem necessidade de ser regulado pela lei, e a prova de que essa lei não é absoluta, é que ela não é a mesma em todos os países civilizados. É, pois, permitido pensar que, nos mundos superiores, onde não há mais os mesmos interesses materiais a salvaguardar, onde o mal não existe, quer dizer, de onde os maus Espíritos encarnados estão excluídos, onde, conseqüentemente, as uniões são o resultado da simpatia e não de um cálculo, as condições devem ser diferentes; mas o que é bom neles poderia ser mau em nós. De outro lado, é preciso considerar que os Espíritos se desmaterializam à medida que se elevam e se depuram; que não é senão nas classes inferiores que a encarnação é material; para os Espíritos superiores, não há mais encarnação material, e, conseqüentemente, mais procriação, porque a procriação é para o corpo e não para o Espírito. Portanto, uma afeição pura é o único objetivo de sua união e, para isto, não mais que pela amizade sobre a Terra, não tem necessidade da sanção dos ofícios ministeriais.

No comment »

Get Adobe Flash playerPlugin by wpburn.com wordpress themes