Um artigo do blog Textos para Reflexão (*)
continuando da parte 1…
Que nos sobra então após tantas suposições? Nada mais do que suposições. Se é verdade que alegações extraordinárias requerem evidências extraordinárias, se é verdade que “não é possível experimentar com espíritos conforme se faz [...]
Um artigo do blog Textos para Reflexão (*)
continuando da parte 1…
Que nos sobra então após tantas suposições? Nada mais do que suposições. Se é verdade que alegações extraordinárias requerem evidências extraordinárias, se é verdade que “não é possível experimentar com espíritos conforme se faz com uma pilha voltaica” – conforme disse Kardec –, e finalmente, se é verdade que a existência do espírito ainda requer comprovação experimental, então da mesma forma os céticos tem de correr atrás de comprovações para suas alegações. Recorrer à opinião de sobrinhos alcoólatras (que depois se ratificou das acusações ao tio), de supostos ex-coordenadores das reuniões de Chico em Uberaba, de “pesquisadores” que tem a idéia fixa de provar que Chico era uma fraude – nada disso será suficiente. De nada adianta encarar um fenômeno com um pré-julgamento em mente (“Todo médium é um fraude!”; “Espiritismo é coisa do demônio!”; “Espíritos existem e Chico é um santo!”), não sobrará espaço algum para qualquer análise objetiva – apenas para sua opinião subjetiva, que em todo caso já estava definida a priori.
Felizmente temos pesquisas sérias e aprofundadas sobre o fenômeno (leia-se: fato, e não mera teoria ou opinião) da produção literária de Chico:
O site Obras Psicografadas possui vasta análise cética de inúmeras obras espíritas, neste site existe uma análise de que certas obras de Chico podem ter plagiado textos pré-existentes. Na verdade, esse tipo de análise cai dentro do âmbito da hipótese da criptomnésia, já que dificilmente Chico iria se dar ao trabalho de inserir conscientemente certos trechos de outras obras, quando em realidade a vasta quantidade de sua produção literária fala por si só… De onde haveria “plagiado” todas as descrições minuciosas dos livros ditados por Emmanuel e André Luis? Que houvesse, sem querer, “plagiado” alguns trechos, é até verossímil… Que essa explicação se estendesse para toda sua obra, absolutamente não.
Já a própria FEB (Federação Espírita Brasileira) pesquisou citações históricas presentes em livros de Chico. Gilberto Trivelato, coordenador do estudo, parece estar se certificando da autenticidade da obra de Chico: “Alguns relatos são tão detalhados que Chico não os faria nem com a ajuda das melhores bibliotecas… Um deles diz que a Catedral de Notre-Dame, em Paris, tinha escadas. Hoje ela não tem. Mas se você pesquisar a fundo, descobre que no século 19 tinha, por causa de enchentes”.
Pesquisa a fundo: isso dá trabalho… Muitos preferem as generalizações e julgamentos apressados. Muitos se indignam com a possibilidade de um médium do interior de Minas ser, talvez, o maior brasileiro que já existiu. Um homem cuja obra obviamente ainda não pôde ser totalmente compreendida, mas cujo carisma arrastou multidões.
Merece a obra de Chico receber aprovação e credibilidade imediata pelos espíritas e simpatizantes? Obviamente que não, senão não seríamos muito diferentes dos pseudo-céticos… Uma coisa são as obras ditadas por Emmanuel e André Luis, outra são obras ditadas supostamente pela mãe de Chico (com todo respeito) com supostas descrições dos “seres alados de Marte” ou versões ufanistas da história do Brasil, considerado o “coração do mundo” por Humberto de Campos. E mesmo entre os espíritas de longa data há calorosas discussões acerca do relato das migrações entre planetas de “A Caminho da Luz” (embora o Gênesis de Kardec também afirme isso) – será que houve mesmo a migração de Capela?
Mas acima de tudo, há que se considerar que espíritos não são infalíveis, e falam somente sobre o que sabem: nada mais, nada menos. Considerar que Chico tenha sido ludibriado por espíritos zombeteiros, que afirmavam serem pessoas que em realidade não eram, talvez seja mais difícil de crer considerando a proteção quase permanente de Emmanuel. Mas e quanto ao próprio Emmanuel? Apesar de iluminado pela convivência no plano espiritual, não deixava de ser um ex-padre católico, no mínimo um espírito com enormes tendências ao lado religioso da doutrina – ao contrário de André Luis, que era um entusiasta da ciência.
Quanta coisa a ser levada em consideração… Quantos debates passados e vindouros… Quantas histórias contadas, e por contar, nos deixou esse médium notável! E quanto a Chico, será que o “capim de Deus” estaria hoje preocupado com seu legado?
“A doutrina é de paz… Emmanuel tem me ensinado a não perder tempo discutindo. Tudo passa… As pessoas pensam o que querem a meu respeito – pensam e falam. Estou apenas tentando cumprir com o meu dever de médium.” – respondeu-nos o médium ainda vivo [5].
Todo esse frenesi em torno de Chico, uns atacando-o como um demônio, outros o idolatrando como um santo, tudo isso também passa. Chico não é nem nunca foi o mito que as pessoas fizeram dele. “Não pretendo ser líder de nada” – afirmava. Chico foi a pessoa humilde do interior de Minas, o doce caipira com uma eterna doçura no olhar – mesmo por detrás dos óculos, todos que o conheceram sentiram-na –, aquele que agia naturalmente no amor, e continuará agindo.
Não se exponham a discussões inúteis com “céticos” e/ou “evangélicos” de opinião cristalizada… Deixem que julguem conforme acharem melhor, que enquanto não comprovarem nada, a obra de Chico e o seu exemplo moral continuarão falando por si próprios. Deixem os caminhos da doutrina em movimento, que o espiritismo não foi feito para se dogmatizar em um “kardecismo” ou uma “idolatria a Chico”. Deixem Chico em paz em suas planícies mineiras do outro lado do véu. Ou não, tanto faz – ele cumpriu sua missão.
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[5] Trecho de depoimento ao Jornal O Ideal – Nº 56 – Janeiro de 2000.
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Artigo relacionado: Chico Xavier: charlatão?
Crédito da imagem: um dos cartazes de Chico Xavier, O Filme.
(*) O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Autoria do escritor Rafael Arrais
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Um artigo do blog Textos para Reflexão (*)
E lá se vão 100 anos do nascimento do maior médium brasileiro. Naturalmente que tenhamos uma renovação do interesse pelo tema Chico Xavier: desde filmes a livros e matérias de revistas conhecidas, além é claro dos costumeiros ataques. Chico sempre inspirou os crentes e incomodou os céticos, tentarei explicar o motivo…
Um breve resumo de sua vida se encontra na Wikipedia: Nascido de uma família pobre em Pedro Leopoldo, região metropolitana de Belo Horizonte, era filho de Maria João de Deus e João Cândido Xavier. Educado na fé católica, Chico teve seu primeiro contato com a Doutrina Espírita em 1927, após fenômeno obsessivo verificado com uma de suas irmãs. Passa então a estudar e a desenvolver sua mediunidade que, como relata em nota no livro ” Parnaso de Além-Túmulo“, somente ganhou maior clareza em finais de 1931. O seu nome de batismo Francisco de Paula Cândido foi dado em homenagem ao santo do dia de seu nascimento, substituído pelo nome paterno de Francisco Cândido Xavier logo que rompeu com o catolicismo e escreveu seus primeiros livros e mudado oficialmente em abril de 1966, quando da segunda viagem de Chico aos Estados Unidos. O mais conhecido dos espíritas brasileiros contribuiu para expandir o movimento espírita brasileiro e encorajar os espíritas a revelarem sua adesão à doutrina sistematizada por Allan Kardec. Sua credibilidade serviu de incentivo para que médiuns espíritas e não-espíritas realizassem trabalhos espirituais abertos ao público. Chico é lembrado principalmente por suas obras assistenciais em Uberaba, cidade onde faleceu. Nos anos 1970 passou a ajudar pessoas pobres com o dinheiro da vendagem de seus livros, tendo para tanto criado uma fundação.
Eis um homem praticamente inatacável: Doou todos os direitos autorais de suas obras para a caridade. Não foram poucas obras, nem produzidas nem vendidas. Houvesse retido os direitos, lucraria uma média de 670mil reais por ano (nos valores atuais) durante a vida [1]. Houve quem tentasse encontrar uma lógica absurda de lucro, baseada em “mimos” que as dezenas de editoras diferentes retornavam a Chico, mas o absurdo do ataque fala por si mesmo.
Nada consta, igualmente, de sua vida sexual: Passou a vida toda como assexuado, dedicando todo seu tempo a caridade, a produção literária (psicografias), ao trabalho (aposentou-se como escrivão e datilógrafo no Ministério da Agricultura) e a divulgação da doutrina espírita. Seu filho, Eurípedes, foi adotado, e hoje registrou a assinatura do pai, recebendo os 10% do lucro de tudo que é lançado com ela – inclusive os filmes (nem todos são “santos”, obviamente).
A espiritualidade sempre se preocupou em manter Chico além de qualquer tipo de ataque. Pesquisando, encontramos fatos curiosos: o livro que deu origem ao filme com seu nome, “As vidas de Chico Xavier”, foi baseado numa pesquisa do jornalista – e cético – Marcel Souto Maior sobre a vida de Chico. Porém, não foi lançado após sua morte, a primeira edição consta de 1994 (mesmo a Wikipedia está errada). Ocorre que a pesquisa de Marcel foi “permitida” pelo guia de Chico porque este já sabia que ela seria muito importante para o futuro. E realmente foi: vendeu como água (e apareceu nos radares dos “céticos de plantão”, que perderam a oportunidade de analisá-la quase uma década antes) em 2002, após a morte de Chico (conforme a “profecia”, no dia em que o Brasil todo estava feliz, tendo ganho a Copa do Mundo).
Eis que uma biografia escrita por um cético gerou um filme dirigido por um ateu (Daniel Filho), tendo o papel de protagonista recaído sobre um ator que além de ateu sempre foi comunista (Nelson Xavier). Todos se disseram “mudados” pela história de Chico [2], e o filme já consta como a maior bilheteria de um lançamento do cinema nacional desde sua retomada em 1995. Não, Emmanuel não estava brincando em serviço, ele quis realmente se certificar que não teriam absolutamente nada para atacar tanto no livro quanto no filme (que, diga-se de passagem, também não tiveram envolvimento comercial com nenhuma editora espírita, nem com a FEB).
Sim, Emmanuel era chato mesmo. Se é verdade que tendia muito para o lado religioso da doutrina (já que fora na última encarnação o Padre Manuel da Nóbrega [3]), não se pode reclamar de seu cuidado com os mínimos detalhes da postura de Chico. Quando os jornalistas da Revista Cruzeiro realizaram a famosa reportagem tentando desacreditá-lo (isso está descrito no livro de Marcel), para a reclamação de Chico o guia respondeu: “Jesus Cristo foi para cruz. Você foi para a Revista Cruzeiro”.
Até mesmo a questão do uso das perucas foi veementemente desaconselhada pelo guia – mas os cuidados com a aparência, ao seu gosto duvidoso, Chico fez questão de manter até o fim. Talvez, se mesmo nesse detalhe houvesse seguido a opinião de Emmanuel, muitos não o julgariam apressadamente como charlatão somente porque esconde a calvície (sim, para o ignorante qualquer motivo é motivo).
Em todo caso, os céticos nunca desistiram de tentar explicar o fenômeno da produção literária de Chico – mais de 400 livros de mais de 2mil supostos autores espirituais diferentes. Filtrando os ataques ad hominem falaciosos, chegamos a algumas suposições céticas dignas de nota:
Que era um leitor voraz
Se é verdade que Chico largou o colégio aos 13 anos (na quarta série do primário) para trabalhar, não é verdade que fosse um iletrado e ignorante completo. Sim ele certamente lia bastante, além de escrever cartas pessoais a amigos. Mas será que isso explica a maneira prolífera como escreveu em diversos gêneros literários, no mínimo em pé de igualdade com a qualidade dos supostos autores espirituais enquanto eram vivos? – E isso já desde as poesias de seu primeiro livro (talvez, não tenha iniciado pelas poesias sem razão).
Que possuía “vasta” biblioteca
Segundo consta, sua “vasta” biblioteca chegou um dia a possuir cerca de 500 livros e revistas, com obras em inglês, francês e até hebraico (ele não sabia ler hebraico). A lista inclui obras de pelo menos dois autores dos quais psicografou: Castro Alves e Humberto de Campos. Muito bem, isso talvez explicasse as psicografias desses autores, mas e quanto às centenas de outros autores? Será mesmo que em lendo “cerca de 500 livros e revistas” estaremos aptos a escrever livros com a quantidade e qualidade que Chico escreveu? Ora, a biblioteca ainda está lá em Uberaba, preservada pelo seu filho – enviemos então nossas crianças para lá, vamos criar uma nação de gênios da literatura!
Que sofria de criptomnésia
Este é um distúrbio de memória que faz com que as pessoas se esqueçam que conhecem uma determinada informação. Segundo a teoria, Chico psicografava “sem saber” do próprio inconsciente, e resgatava as informações que já havia “lido em algum lugar” durante a vida. Ora, digamos então que sua biblioteca aliada aos livros e revistas que eventualmente leu durante a vida expliquem como tais informações foram parar em seu inconsciente sem que ele soubesse – e quanto à poesia? E quanto aos livros científicos? E quanto às respostas sobre economia e outros assuntos totalmente fora de sua alçada que deu aos “inquisidores” da Revista Cruzeiro? E quanto às respostas em rede nacional que deu durante o Pinga-Fogo da TV Tupi? Como será que tal conjunto de informações gerou tamanho conhecimento, tamanha habilidade poética?
Sobre esta hipótese no mínimo tão fantástica quanto à hipótese dos espíritos existirem, Monteiro Lobato um dia declarou: “Se Chico Xavier produziu tudo aquilo por conta própria, merece quantas cadeiras quiser na Academia Brasileira de Letras”.
Que comparecia a sessões de materialização de espíritos fraudulentas
Se são fraudulentas ou não, não vem ao caso comentar, pois não quero aqui convencer ninguém de realidade ou irrealidade da existência de espíritos e/ou materializações. Mas é necessário notar que tais episódios que (bem ou mal) exporam Chico ao ridículo da mídia da época foram cuidadosamente orquestrados (novamente) pelos “jornalistas” da Revista Cruzeiro [4]. A lição que ficou do episódio foi prontamente assimilada por Chico, tanto que se afastou da mídia por anos, até o retorno triunfal no Pinga-Fogo de 1971. Fossem as materializações reais ou não, o espiritismo não se presta a esse tipo de espetáculo. É uma doutrina de reforma íntima, de autoconhecimento, de caridade, não de shows de materialização. “Lição aprendida meu caro Emmanuel”!
Na continuação, algumas conclusões sobre tais suposições, e uma mensagem final…
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[1] Segundo reportagem da Superinteressante de Abril de 2010, matéria da capa sobre Chico Xavier. Mesmo que não sejam valores exatos, certamente era muito, muito mais dinheiro do que a realidade de funcionário público (de baixo escalão) rendeu a ele durante a vida. Algumas citações no artigo (partes 1 e 2) foram retiradas da mesma reportagem.
[2] Essa “mudança” é narrada no livro de Marcel Souto Maior sobre os bastidores da filmagem de Chico Xavier, O Filme. Não quer dizer, nem de longe, que tenham se convertido ao espiritismo… Mas o exemplo moral de Chico é capaz de afetar – no bom sentido – até os maiores opositores da doutrina, contanto é claro que se disponham a estudá-lo.
[3] Em sua época, de português antigo, o padre assinava os documentos como “Emmanuel”, daí ter mantido esta grafia.
[4] Outro episódio narrado no livro de Marcel Souto Maior: “As vidas de Chico Xavier“.
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Crédito da imagem: um dos cartazes de Chico Xavier, O Filme.
(*) O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Autoria do escritor Rafael Arrais
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Este é o primeiro post do blog Textos para Reflexão (*) no DalheMongo. Fico muito feliz de poder divulgar meus textos num blog espírita jovem, pois eu que não sei qual é minha idade, ao menos sei que o espiritismo tem tudo a ver com a juventude… Com a proximidade da estréia do filme Nosso [...]
Este é o primeiro post do blog Textos para Reflexão (*) no DalheMongo. Fico muito feliz de poder divulgar meus textos num blog espírita jovem, pois eu que não sei qual é minha idade, ao menos sei que o espiritismo tem tudo a ver com a juventude… Com a proximidade da estréia do filme Nosso Lar, achei que esse artigo seria o ideal para começarmos:
No livro “Nosso Lar”, de autoria de André Luiz e psicografado por Chico Xavier, temos uma curiosa descrição de um veículo de transporte público na colônia espiritual que dá título ao livro:
Mal me refazia da surpresa, quando surgiu grande carro [aeróbus], suspenso do solo a uma altura de cinco metros mais ou menos e repleto de passageiros. Ao descer até nós, à maneira de um elevador terrestre, examinei-o com atenção. Não era máquina conhecida na Terra. Constituída de material muito flexível, tinha enorme comprimento, parecendo ligada a fios invisíveis, em virtude do grande número de antenas na tolda. Mais tarde, confirmei minhas suposições, visitando as grandes oficinas do Serviço de Trânsito e Transporte.
Lísias não me deu tempo a indagações. Aboletados convenientemente no recinto confortável, seguimos silenciosos. Experimentava a timidez natural do homem desambientado, entre desconhecidos. A velocidade era tanta que não permitia fixar os detalhes das construções escalonadas no extenso percurso. A distância não era pequena, porque só depois de quarenta minutos, incluindo ligeiras paradas de três em três quilômetros, me convidou Lísias a descer, sorridente e calmo (Trecho do início do Capítulo 10: “No Bosque das Águas”, onde André Luiz tem o primeiro contato com o aeróbus).
Uma pergunta muito comum dos céticos (espíritas ou não) em relação a algumas descrições detalhadas de veículos e construções nas colônias espirituais é bastante válida, a primeira vista: “Ora, se essas colônias dispõe de tamanho nível de tecnologia, porque os espíritos não nos entregam de mão beijada os planos e as plantas para que nossos engenheiros e arquitetos possam construir tais veículos e construções aqui na Terra?”.
Um espírita precavido irá citar outro trecho do próprio “Nosso Lar” para explicar porque um aeróbus não poderia viajar pela Terra:
Dirigi-me, incontinenti, a Narcisa, perguntando:
- Onde o aeróbus? Não seria possível utilizá-lo no Umbral?
Dizendo-me que não, indaguei das razões.
Sempre atenciosa, a enfermeira explicou:
- Questão de densidade da matéria. Pode você figurar um exemplo com a água e o ar. O avião que fende a atmosfera do planeta não pode fazer o mesmo na massa equórea. Poderíamos construir determinadas máquinas como o submarino; mas, por espírito de compaixão pelos que sofrem, os núcleos espirituais superiores preferem aplicar aparelhos de transição (Trecho do Capítulo 33: “Curiosas Observações”).
Mas será que isso resolve o problema? Não poderiam, por acaso, os espíritos ajudarem nossos engenheiros e homens de ciência a inovar nossa tecnologia atual? Mesmo que não fosse possível construir uma espécie de metrô que plana em alta velocidade muito acima do solo, certamente algum tipo de avanço descrito nos livros de André Luiz poderia ajudar, e muito, a Terra…
Arthur C. Clarke, célebre escritor de ficção científica, dizia que “qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinquível de magia”. Clarke foi, ele mesmo, um “antecipador” de algumas tecnologias que só viriam a ser viáveis muitos anos após a descrição – então fictícia – das mesmas em seus livros. Particularmente com o conceito dos satélites geoestacionários, Clarke não só antecipou o futuro, como contribuiu decisivamente para ele: nossas telecomunicações devem muito ao que antes era pura ficção.
Interessante que, num nível mais extraordinário (e incerto), é possível que algumas das tecnologias descritas em “Nosso Lar” – que diga-se de passagem, foi publicado em 1944 – possam ser igualmente antecipações de avanços futuros da tecnologia na Terra. Se a décadas atrás o aeróbus – uma espécie de metrô se movendo pelo ar, sem contato com o solo e a altas velocidades – parecia um veículo mágico, hoje talvez não chegue a tanto:
Um trem de levitação magnética ou maglev (Magnetic levitation transport) é um veículo semelhante a um metrô que transita numa linha elevada sobre o chão e é propulsionado pelas forças atrativas e repulsivas do magnetismo através do uso de supercondutores. Devido à falta de contato entre o veículo e a linha, a única fricção que existe, é entre o aparelho e o ar. Por conseqüência, os maglevs conseguem atingir velocidades enormes, com relativo baixo consumo de energia e pouco ruído. Embora a sua enorme velocidade os torne potenciais competidores das linhas aéreas, o seu elevado custo de produção limitou-o, até agora, à existência de uma única linha comercial, o transrapid de Xangai. Essa linha faz o percurso de 30 km até ao Aeroporto Internacional de Pudong em apenas 8 minutos. No Brasil, existem projetos para se implementar o maglev, por exemplo, na Ilha do Fundão.
Ainda assim, talvez não se pareça tanto com um aeróbus… André Luiz disse que “ele parecia ligado a fios invisíveis”, e que se movimentava muito acima do solo. Será que tudo não passou de ficção da cabeça de Chico Xavier? Obviamente que para um cético em relação à existência de comunicação com espíritos desencarnados, tudo já seria ficção a priori. Mas e quanto aos que crêem na possibilidade – será mesmo possível que a tecnologia humana seja apenas uma sombra da tecnologia espiritual, e que a inspiração para as grandes descobertas se deva ao fato de que quase tudo já foi descoberto no plano espiritual?
Quem se preocupa com isso certamente irá sorrir ao conhecer uma distinta empresa americana, chamada Aerobus International, que constrói trens suspensos por fios condutores que parecem voar pelos céus. Dificilmente os engenheiros americanos leram “Nosso Lar”… Mas e daí? E se for mesmo verdade cada pequena descrição da colônia? E se a ela tem mesmo a forma de estrela e todos os Ministérios citados por André Luiz estão mesmo lá, até hoje – em que exatamente isso nos ajuda em nossa evolução espiritual?
Nosso Lar é apenas uma das muitas colônias espirituais a beira do Umbral, onde espíritos de elevada moral e caridade tentam a todo custo auxiliar aqueles que perambulam nas trevas de sua própria consciência… Que nos importa saber o perímetro da colônia? Ou em quanto tempo podemos atravessá-la em um aeróbus? Ou se ela tem restaurantes e casas noturnas? Certamente, se um dia estivermos por lá, essas serão nossas últimas preocupações.
Lendo alguns dos livros de André Luiz, percebi que eles nunca se trataram apenas de descrições – fictícias ou não – de colônias do plano espiritual da Terra. Ora, começando pelo “Nosso Lar” e passando por todos os outros, eles tratam principalmente da tão falada reforma íntima, da reforma de nós mesmos; Do caminho das trevas da consciência egoísta para as campos ensolarados da consciência amorosa, conectada ao Cosmos que pulsa e vibra com vida, em cada partícula e em cada plano de existência.
É possível que os espíritos nos inspirem descobertas e idéias para novas tecnologias. Mas é igualmente possível que estejam mais preocupados em nos inspirar o amor e o auto-conhecimento. Em todo caso, cada ser está onde seus pensamentos o sintonizam.
André Luiz (ou Chico Xavier, caso você seja cético) perderia fácil numa comparação com autores de ficção científica como Arthur C. Clarke… Mas André Luiz não pretendeu nos trazer aulas sobre a tecnologia ultra-avançada dos espíritos, e sim ensinamentos sobre a moral avançada dos seres de luz. Se ele recorreu a histórias que ocorriam ao mesmo tempo na Terra e no plano espiritual, e acaso tenha se preocupado em descrever como é a vida enxergada do lado de lá, foi porque reconheceu o tempo perdido em sua encarnação prévia – um grande neurologista e médico sanitarista do Rio de Janeiro, que tinha muito conhecimento, mas pouca sabedoria.
Em seus livros, não encontramos batalhas fascinantes entre “o bem e o mal”, mas sim relatos sinceros e perturbadores da ignorância e falta de caridade de grande parte dos seres; A começar pelo próprio André Luiz, que passou anos no Umbral, e mesmo depois de socorrido em Nosso Lar custou a perder os vícios e a pompa de “grande médico”. Custou a vencer o próprio ego e reconhecer que a luz que vem de cima é sempre maior do que a nossa própria. Custou, mas venceu, e depois dedicou alguns de seus anos a ditar livros para um dos maiores médiuns de que se tem notícia. E o resto é história.
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Crédito da imagem: Nosso Lar, O Filme
(*) O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Autoria do escritor Rafael Arrais
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Bom, depois de muito refletir sobre diversas coisas que acontecem no ambiente de mocidade, cheguei a conclusão de que todos os fatos ocorridos estão amparados em algo bem simples mais ao mesmo tempo tão complexos que são os ditados populares, esses mesmos que são passados de geração em geração. Daqui a muitos anos, você [...]
Bom, depois de muito refletir sobre diversas coisas que acontecem no ambiente de mocidade, cheguei a conclusão de que todos os fatos ocorridos estão amparados em algo bem simples mais ao mesmo tempo tão complexos que são os ditados populares, esses mesmos que são passados de geração em geração. Daqui a muitos anos, você poderá ler esse texto novamente, pois irá perceber que as situações serão as mesmas, só os personagens mudarão. Não sei ao certo como começou, sei que anos antes de Cristo o famoso profeta Moisés, já se utilizava desse recurso. Com o seu “olho por olho dente por dente”, constituía as leis daquela época, acho que não seria para incitar a violência, somente uma forma de fazer com que o povo pudesse se adaptar já que antigamente só compreendiam a linguagem do medo. O tempo passou, e como passou! Os ditos populares continuam se encaixando perfeitamente nos tempos modernos, veja como tenho razão…
Vamos falar de relacionamentos, um tema bastante polêmico e que acaba sempre tendo visões controversas. Imaginem só, dois rapazes perdidamente apaixonados por uma única menina, todos da mesma turma de mocidade. Cada um querendo chamar mais atenção do que o outro, mesmo que para isso tenham que falar mal do seu rival, ou melhor, do seu concorrente, “o homem é o lobo do homem”, ou seja, o homem é o seu próprio predador, e que predador voraz! Sabe quando aquele seu amigo todo certinho chega com uma série de lições sobre o que é certo ou o que é errado, o que você deve ou não fazer? Pois é, aí você percebe que ele faz tudo aquilo de errado que ele te disse para não fazer, “quem tem telhado de vidro não atira pedra no telhado do vizinho”. Se não consegue agir de uma forma exemplar, porque exigir do outro essa conduta? Vejamos como não é fácil a vida de dirigente de mocidade. Sempre existe aquele aluno que está meio indeciso se freqüenta ou não as aulas e o dirigente se esforça e faz de tudo, até convencer e conseguir integrar esse aluno ao demais, “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”, de tanto insistir, convenceu o não tão duro coração do aluno indeciso.
Quando chega a época de encontro é uma correria só e é muito chato quando algum aluno diz que não pode ir por um motivo ou outro. Isso acontece e é até natural, ficamos sempre tristes. Só que ele não foi simplesmente por um motivo banal, ou para fazer qualquer outra coisa sem importância, “o que os olhos não vêem o coração não sente”. Ainda bem, porque seria muito decepcionante descobrir uma coisa como essa. Tem também aquela história do expositor que vai dar aula em uma turma pela primeira vez. Ele não conhece bem o perfil da turma e todos estão bem tímidos. Ele começa a instigar os alunos com uma série de perguntas e de uma hora para outra, os alunos começam a responder e fazer também, uma série de perguntas tão complexas que o expositor até fica sem graça, “não cutuque a onça com vara curta”, é sempre bom estar preparado para todo tipo de situação.
Ainda nas aulas, às vezes o dirigente sofre, convida alguém para dar uma aula ou às vezes convida até duas pessoas e por ironia do destino, nenhuma das duas aparece. Ele bastante esperto, já estudou e pediu para que seu secretário estudasse a aula também, “mais vale um pássaro na mão do que dois voando” Dirigente é realmente uma figura, todo lugar que vai, sempre leva seu programa para conseguir alguém para dar uma aulinha “de grão em grão a galinha enche o papo”. Em todas essas situações, o aluno é sempre o principal beneficiado, afinal, tudo o que é feito é em prol do aluno, e mesmo que ele ache que uma situação não irá dar certo, as coisas sempre acabam acontecendo de uma forma positiva para ele, “quem espera sempre alcança”. O que se espera alcançar, é que a juventude de hoje, principalmente aquela que freqüenta a mocidade, tenha mais qualidade de vida, com valores morais bem definidos. Quando as coisas não acontecem tão facilmente e quando não alcançamos nossos objetivos tão rápido, ficamos decepcionados, “devagar se vai ao longe”, afinal, tudo tem seu tempo, sua hora certa para acontecer.. O ditado que mais gosto, é “o trabalho com mocidade é duro, mas feliz”, esse ninguém deve conhecer porque acabei de inventar, por enquanto é o que dá para fazer, inventar uma maneira de fazer melhor, de ser melhor, de ser feliz, de ser…
E tenho dito!
Pedro – Vale
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Revista Espírita, março de 1860
(Sociedade, 10 de fevereiro de 1860. Médium, senhorita Eugénie.)
Qual é o objetivo de cada indivíduo na Terra? Ele quer a felicidade a qualquer preço que seja. É o que faz com que todos nós sigamos um caminho diferente? É que cada um nós espera [...]

Revista Espírita, março de 1860
(Sociedade, 10 de fevereiro de 1860. Médium, senhorita Eugénie.)
Qual é o objetivo de cada indivíduo na Terra? Ele quer a felicidade a qualquer preço que seja. É o que faz com que todos nós sigamos um caminho diferente? É que cada um nós espera encontrá-lo num lugar ou numa coisa que lhe agrade particularmente: uns procuram a glória, outros as riquezas, outros as honras; o maior número corre atrás da fortuna, porque, em nossos dias, é o meio mais poderoso para chegar a tudo; ele serve de pedestal para tudo. Mas quantos vêem essa necessidade de felicidade realizada? Bem poucos; e perguntai a cada um daqueles que chegam se atingiram o objetivo a que se tinham proposto: se são felizes? Todos respondem: ainda não; porque todos os desejos aumentam na razão que sejam satisfeitos. Se hoje há tantas pessoas que querem se interessar pelo Espiritismo, é que depois de ver que tudo é quimera, e querendo pelo menos chegar, tentam o Espiritismo como tentaram a riqueza e a glória.
Se Deus colocou nos corações esta necessidade tão grande de felicidade, é que esta deve existir em alguma parte. Sim, tende confiança nele, mas sabei que tudo o que Deus promete deve ser divino como ele, e que a felicidade que procurais não pode ser material. Vinde a nós, vós todos que sofreis; vinde a nós, todos vós que tendes necessidade de esperança, porque quando tudo na Terra vos faltar, enfraquecer, nós aqui, teremos mais do que as vossas necessidades pedirem. Mães desesperadas, que vos lamentais sobre uma tumba, vinde aqui: O anjo que chorais vos falará, vos protegerá, vos inspirará a resignação para as penas que tendes sofrido na Terra. Todos vós que tendes a necessidade insaciável da ciência, dirigi-vos a nós, só nós podemos dar ao vosso Espírito o alimento de que ele necessita. Vinde, saberemos encontrar para cada ferida uma doçura, e por desamparados que vos pareçam, há Espíritos que vos amam e que estão prontos para vo-lo provar. Eu falo em nome de todos. Desejo ver virem nos pedir conselhos, porque estou segura que vós, com isto, tereis a esperança no coração.
STAEL.
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Revista Espírita, janeiro de 1859
Comunicação espontânea obtida pelo senhor L.., um dos médiuns da Sociedade.
É uma doutrina que deveria converter os mais incrédulos pelo seu encanto e pela sua doçura: a dos anjos guardiães. Pensar que se tem, junto de si, seres que vos [...]

Revista Espírita, janeiro de 1859
Comunicação espontânea obtida pelo senhor L.., um dos médiuns da Sociedade.
É uma doutrina que deveria converter os mais incrédulos pelo seu encanto e pela sua doçura: a dos anjos guardiães. Pensar que se tem, junto de si, seres que vos são superiores, que estão sempre aí para vos aconselhar, vos sustentar, para vos ajudar a escalar a áspera montanha do bem, que são amigos mais seguros e mais devotados que as mais íntimas ligações que se possa contrair nesta Terra, não é uma idéia bem consoladora? Esses seres estão aí por ordem de Deus; foi ele quem os colocou junto de nós, e estão aí pelo amor dele, e cumprem, junto de nós, uma bela mas penosa missão. Sim, em qualquer parte que estejais, ele estará convosco: os calabouços, os hospitais, os lugares de deboche, a solidão, nada vos separa desse amigo que não podeis ver, mas do qual vossa alma sente os mais doces impulsos e ouve os sábios conselhos.
Por que não conheceis melhor essa verdade! Quantas vezes ele vos ajudou nos momentos de crise, quantas vezes vos salvou das mãos de maus Espíritos! Mas, no grande dia, esse anjo do bem terá, freqüentemente, a vos dizer: “Não te disse isso? E tu não o fizeste. Não te mostrei o abismo, e tu nele te precipitaste; não te fiz ouvir na consciência a voz da verdade, e não seguiste os conselhos da mentira?” Ah! questionai vossos anjos guardiães; estabelecei, entre ele e vós, essa ternura íntima que reina entre os melhores amigos. Não penseis em não lhes ocultar nada, porque são o olho de Deus, e não podeis enganá-los. Sonhai com o futuro, procurai avançar nesse caminho, vossas provas nele serão mais curtas, vossas existências mais felizes. Ide! homens de coragem; lançai longe de vós, uma vez por todas, preconceitos e dissimulações; entrai no novo caminho que se abre diante de vós; caminhai, caminhai, tendes guias, segui-os: o objetivo não pode vos faltar, porque esse objetivo é o próprio Deus.
Àqueles que pensam que é impossível a Espíritos verdadeiramente elevados se sujeitarem a uma tarefa tão laboriosa e de todos os instantes, diremos que influenciamos vossas almas estando a vários milhões de léguas de vós: para nós o espaço não é nada, e mesmo vivendo em um outro mundo, nossos espíritos conservam sua ligação com o vosso. Gozamos de qualidades que não podeis compreender, mas estejais seguros que Deus não nos impôs uma tarefa acima de nossas forças, e que não vos abandonou sozinhos na Terra, sem amigos e sem sustentação. Cada anjo guardião tem o seu protegido, sobre o qual ele vela, como um pai vela sobre seu filho; ele é feliz quando o vê seguir o bom caminho, e geme quando seus conselhos são desprezados.
Não temais nos cansar com vossas perguntas; ficai, ao contrário, em relação conosco: sereis mais fortes e mais felizes. São essas comunicações, de cada homem com seu Espírito familiar, que fazem todos os homens médiuns, médium ignorados hoje mas que se manifestarão mais tarde, e que se espalharão como um oceano sem limites para refluir a incredulidade e a ignorância. Homens instruídos, instruí; homens de talento, elevai vossos irmãos. Não sabeis que obra cumpris assim: é a do Cristo, aquela que Deus vos impôs. Por que Deus vos deu a inteligência e a ciência, se não para partilhá-las com vossos irmãos, certamente para avançá-los no caminho da alegria e da felicidade eterna.
São Luís, Santo Agostinho.
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