Esse vídeo é apresentado por André Luiz Ruiz e faz parte do programa Alimento para a alma.
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Um artigo do blog Textos para Reflexão (*)
Droga é toda e qualquer substância, natural ou sintética, que quando introduzida no organismo, modifica suas funções de forma considerável; Particularmente alterações nos sentidos, no caso dos entorpecentes.
Um drama persistente
Os Sofrimentos do [...]
Um artigo do blog Textos para Reflexão (*)
Droga é toda e qualquer substância, natural ou sintética, que quando introduzida no organismo, modifica suas funções de forma considerável; Particularmente alterações nos sentidos, no caso dos entorpecentes.
Um drama persistente
Os Sofrimentos do Jovem Werther (1774) é um romance de Johann Wolfgang von Goethe. Marco inicial do romantismo, considerado por muitos como uma obra-prima da literatura mundial, é uma das primeiras obras do autor, de tom autobiográfico. Werther – o protagonista – é marcado por uma paixão profunda e tempestuosa, marcada pelo fim trágico. Com seu suicídio, devido ao amor aparentemente não correspondido, Goethe põe um pouco de sua vida na obra, pois ele também vivera um amor não correspondido, apesar de, evidentemente, não ter cometido o ato de se matar. Em todo caso, tão profundamente descrito foi o drama e o suicídio do jovem Werther, que nos anos seguintes a publicação, diversas pessoas se mataram de forma semelhante na Alemanha e, em vários casos, um exemplar do livro era encontrado ao lado do corpo.
É sempre complexo lidar com os momentos em que a vida simplesmente parece não se desenrolar da maneira que esperávamos, que gostaríamos, particularmente nos casos de sentimentos não correspondidos. Sem dúvida que, quando éramos caçadores nômades, tais angústias provavelmente sequer tinham espaço em nossa mente: era preciso sobreviver, não havia muito tempo para refletir sobre a vida… Estranho de se pensar: foi exatamente quanto nos assentamos em grandes e luxuosas cidades, quando tínhamos comida fresca na geladeira e acesso fácil ao conhecimento elaborado da natureza, que passamos a nos angustiar com a vida. Será que a vida foi feita para vivermos sem exatamente pensarmos sobre ela?
Paradoxalmente, ao termos tempo de sobra para refletir sobre nossa própria vida, por vezes acabamos por, ao invés de celebrá-la e aproveitar o tempo livre para viver, criar uma enorme dramaturgia que insiste em tornar tudo cinza e melancólico, ao nos reafirmar que, ao contrário do que pensávamos, a vida não transcorre sempre da maneira que gostaríamos… Se é assim, vale a pena viver? A grande ironia é que o “mal do século”, a depressão, quase que sempre se caracteriza por um medo persistente da morte. Então, por nos angustiarmos com a vida, principalmente por temer a morte, acabamos por deixar de aproveitar este precioso momento do existir. Então, parafraseando o Dalai Lama, vivemos como se não fôssemos morrer, mas com grande medo da morte, e por fim morremos como se não houvéssemos sequer vivido, pois que foi uma vida de medo.
A primeira causa de morte por atos de violência no mundo não são os acidentes de trânsito, os homicídios nem os conflitos armados, mas o suicídio. Esse dado desconcertante foi revelado em 2002, numa reunião da Organização Mundial de Saúde (OMS) em Bruxelas. Ao lê-las (aparentemente pela primeira vez) para os convidados da cerimônia, o então primeiro-ministro da Bélgica, Guy Verhofstadt, não conteve o susto e, quebrando o protocolo, indagou incrédulo: “É isso mesmo?”. Sim, é isso mesmo, a pós-modernidade tem nos relegado esta herança macabra, em que uns optam por findar sua dramaturgia encerrando a própria vida, enquanto outros optam por viverem como se nem mesmo estivessem por aqui…
Ao longo do tempo, muitos encontraram refúgio dessa angústia na anestesia da própria alma… A lista das substâncias que deveriam vencer as depressões, mas que sempre ajudaram apenas alguns afetados, é muito longa. No decorrer dos séculos, os médicos testaram quase tudo o que influenciava o cérebro de alguma forma. O ópio já era considerado na antiga China um meio eficaz contra as doenças do ânimo. O “tratamento com ópio” devia curar a melancolia, mas devido ao seu enorme risco de vício, ao longo dos séculos as pessoas desistiram da droga (mas nem todas), sendo que ela há muito deixou de ser compreendida como um remédio para a angústia.
Em 1802, um médico londrino recomendava um pesado Borgonha contra a melancolia. A cannabis e a cocaína também eram comumente utilizadas no século 19 como medicamento. Nos anos 50, entraram em voga as anfetaminas estimulantes. Em 1953, causou sensação uma notícia que dizia que o medicamento utilizado para tuberculose, a iproniazida, também tinha efeito antidepressivo. Alguns anos mais tarde, porém, ele foi tirado do mercado, pois pode causar graves efeitos colaterais no organismo. De lá para cá, entretanto, temos observado uma grande corrida da indústria farmacêutica mundial em busca de antidepressivos cada vez mais eficazes e com menos efeitos colaterais… Ou, pelo menos, é o que o grande mercado da melancolia gostaria que vocês acreditassem.
Em 2008, o psicólogo Irving Kirsch, da universidade britânica de Hull, examinou os documentos americanos da autorização de quatro novos depressivos. Os produtos, aparentemente ajudavam apenas pacientes com depressão grave. À primeira vista, parecia que as substâncias mitigavam os sintomas da patologia independentemente de sua gravidade. Ora, formas mais amenas de melancolia costumam regredir naturalmente após certo tempo. Essas “curas espontâneas” são tanto mais comuns quanto mais leves forem os estados depressivos. Nos estudos de Kirsch comprovou-se que nos estágios de depressão leve, faz pouquíssima diferença se os pacientes usaram antidepressivos ou placebo (por exemplo, pílulas de farinha). Somente em depressões mais sérias a diferença estatística entre o preparado e o placebo se torna realmente relevante.
Não quero aqui, obviamente, dizer que depressivos devem deixar de se medicar. Muito pelo contrário, estou, como Kirsch, enaltecendo que os remédios são de grande auxílio, contanto que o paciente esteja efetivamente depressivo… A indústria farmacêutica é, ironicamente, junto com a indústria do comércio ilegal de drogas, um dos grandes mercados mundiais, provavelmente com as taxas de lucro mais elevadas – ao lado da indústria de armamentos. Estamos, pois, vivendo na era do culto ao lucro, capitaneada pelo deus do consumo. Não é nenhuma surpresa, portanto, que o seu grande profeta, o deus da tarja-preta, surja como o grande agente de barganhas por todas as partes do mundo capitalista.
É fácil compreender: se as indústrias deixam de visar apenas o auxílio à cura efetiva, e passam a dar prioridade às margens de lucro, me parece óbvio que seja cada vez mais comum às pessoas serem diagnosticadas apressadamente como depressivas. E, igualmente compreensível, que cada vez mais remédios antidepressivos sejam facilmente recomendados, mesmo nos casos em que não têm eficácia muito distante de uma pílula de farinha… Cada vez mais, o tratamento psicoterápico, tão essencial, é relegado a uma mera medição mecânica onde supostamente se mede um estado de tristeza e se receita antidepressivos X ou Y como tratamento. Cada vez mais, somos que tratados como máquinas complexas que, por alguma estranha razão, estão preferindo se anestesiar a encarar a própria melancolia, e viverem como se não estivessem mais aqui… Para o deus tarja-preta, no entanto, tudo está perfeitamente bem, contanto que não se matem, contanto que não parem de comprar suas maravilhosas “pílulas de felicidade comprimida”.
Mas, as estatísticas da OMS não mentem: não tem dado certo. As máquinas tristes continuam se matando, continuam preferindo se desligar a enfrentar o drama persistente da vida… Talvez fosse a hora de voltarmos a uma medicina de vida, e não de anestesia da vida. A um entendimento de que somos, afinal, seres, e não máquinas, por mais que isso contrarie o materialismo em voga. No fim, o que parece nos salvar da angústia do mundo é algo que sempre esteve dentro de nós mesmos, mas que em nossa dramaturgia encenada cuidadosamente para que continuássemos a buscar algo lá fora, e não aqui dentro, acabamos por ignorar, e a viver como se não tivéssemos uma alma para tomar conta.
Tomar conta de uma alma é uma grande responsabilidade. Requer a compreensão dos eventos da vida que podemos mudar e, sobretudo, daqueles que não podemos. Requer o olhar para si mesmo, e encarar de frente os momentos de tristeza… Não como o jovem Werther, que apostou toda a sua felicidade, toda a sua vida, no sentimento de outro alguém, mas como todo ser que está em via de desenvolvimento, e de lenta aquisição de sabedoria, e que aposta toda a sua vida na própria vida, na existência em si, neste divino momento, e apenas nele.
Há outros, porém, que foram ainda mais iludidos: que aprenderam a se entorpecer, e se tornarem insensíveis para a melancolia, ainda antes que ela viesse…
» Na continuação – o grande dilema do combate às drogas: reprimir ou tratar?
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Bibliografia
As informações científicas e estatísticas do artigo foram retiradas dos artigos Antidepressivos são mesmo eficazes?, pelo psicólogo e jornalista Jochen Paulus, que foi matéria de capa da revista Scientific American – Mente & Cérebro #226 (Duetto); e Escalada do suicídio, pela jornalista científica Luciana Christante, autora do blog Efeito Adverso.
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Crédito da imagem: Corbis
(*) O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Autoria do escritor Rafael Arrais
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Em um certo domingo tive a oportunidade de conhecer um trabalho social, em São José dos Campos. Era uma visita de Escola de Aprendizes do Evangelho (EAE) e não de mocidade, mas acho que esse é apenas um detalhe. Saí de lá tão revigorado, que muito provavelmente retornaremos com as turmas da mocidade [...]
Em um certo domingo tive a oportunidade de conhecer um trabalho social, em São José dos Campos. Era uma visita de Escola de Aprendizes do Evangelho (EAE) e não de mocidade, mas acho que esse é apenas um detalhe. Saí de lá tão revigorado, que muito provavelmente retornaremos com as turmas da mocidade em ocasião próxima.
É engraçado como fazemos as coisas de forma despretenciosa e o impacto é tão maior do que imaginavamos. Bom, vou começar do início.
Nos encaminhamos a esta instituição e lá fomos recebidos pelo Sr. Peagno, um homem muito bondoso e incrivelmente humilde. Ele nos encaminhou até uma sala onde começou a contar a história daquele hospital que mais parecia uma colônia, com grande área verde mesclada a área construída, tudo em grande consonância, formando um ambiente tranquilo.
A instituição é conhecida como Francisca Júlia e hoje atende a quase 200 pessoas entre deficientes mentais e dependentes químicos. Mas este trabalho social, assim como qualquer outro no Brasil, não começou com tal magnitude. Teve início com uma turma de EAE, uma das primeiras a existir, que se viu, como muitos de nós nos vemos, naquele ponto em que vê como o mundo está um caos e que já temos condição de ajudar um pouquinho os que estão momentaneâmente em maior dificuldade.
Então, decidem tomar como campo de trabalho a área dos suicídas. Até então, as estatísticas de praticantes deste tipo de ato aumentava e não havia nenhum trabalho significativo específico para esse “perfil”. É assim que surge o Centro de Valorização da Vida. Conhecido como CVV, este grupo busca através do telefone ou mesmo contato direto, propiciar um alento às pessoas que tem pensamentos auto-destrutivos.
Porém, depois de um tempo, o grupo começa a perceber que uma porcentagem significativa das pessoas que ligavam para o CVV tinham uma semelhança: distúrbio mental. Se deparando com dificuldade em encontrar hospitais públicos especializados nessa área, eis que surge a ideia da criação do Hospital Francisca Júlia.
O nome é em homenagem a poetiza, mentora espiritual deste trabalho, que viveu no fim do século 19 e início do 20. Francisca Júlia da Silva escrevia – não por acaso – sobre temas como a caridade, fé, vida ápós a morte, reencarnação e ideologias orientais diversas, como o budismo, por exemplo. Francisca foi notável em seu trabalho, buscou popularizar a literatura para as crianças em um Brasil ainda muito machista. Porém, com a morte de seu marido, decide terminar com a própria vida, o que sugere a tamanha identificação com o trabalho, e por isso seja o vulto a frente do hospital.
Eis que depois desta viagem pela história da instituição, Sr. Pegano nos convida a visitar os estabelecimentos e internos. Cada ala, uma surpresa.
Ao passarmos pela ala feminina de deficientes mentais, encontramos moças e senhoras com sorriso nos lábios, prontas para dar um abraço de recepção. Algumas, é fato, mais tímidas. Mas esta timidez não levou mais que alguns minutos para se aproximarem e nos cumprimentarem, um a um. Nosso grupo – não vou mentir – parecia estar um pouco apreensivo, tenso até, acredito que por conta do ineditismo da situação. Alguns tomaram a frente e em instantes percebia-se vários focos de conversas animadas e troca de exclamações.
Uma moça, com a camisa do Corinthians, vem até mim com uma caixa de sapato e diversas bijuterias. Conta, orgulhosa, que é ela mesma quem faz. Converso um pouco sobre futebol e brinco sobre o clássico São Paulo e Corinthians que aconteceria naquele dia mais tarde. Após alguns minutos, Sr. Peagno nos avisa que temos que seguir. Contudo, outra moça se aproxima de mim, jovem, com belos olhos verdes, entre 20 e 25 anos, mas com um olhar inocente, de criança. Estava eu com meu violão, pois pretendia mostrar uma música a um amigo que passa uma temporada por lá, e ela me pergunta “Você vai tocar pra gente?”. Eu não estava preparado para isso, mas vendo a animação das outras internas, sem jeito, resolvi ceder.
Ela me pergunta se sei cantar “É preciso amar as pessoas como se não houvesse o amanhã”. Surpreso por ela conhecer Legião Urbana, digo que não vim preparado e que precisaria de cifras. Ela tenta outras bandas, se esforçando para me incentivar: “Nirvana, então?” – eu disse “vixe, que nada”. Tento me safar, dizendo “Só sei cantar música de amigos meus”. Ela assentiu com a cabeça e puxo um “Simbora” – para os que não conhecem, tem no DalheDJ.
Em questão de segundos, uma dezena de moças estão em volta de mim, algumas dançando animadamente. Eu, desafinado, nervoso e sem muito jeito, percebo que para elas, nada daquilo interferia. Eu estava “tocando para elas”. Alguns segundos de atenção exclusiva, sem preconceitos, sem julgamento, as estava fazendo feliz. Então, sem aviso, a moça de olhos claros começa, seguida por todas, a cantar para mim aquela música evangélica “Como Zaqueu“. Era uma retribuição, na forma delas.
“Temos que trocar de ala”, ouço. Me despeço e sigo. Nossa visita continua e em dado momento fico para trás. Vejo nosso grupo entrando em uma porta, ao fundo. Para chegar até lá, uma grande fileira de homens, uns 30, jovens e senhores, alguns sentados, outros tomando sol, mas todos quietos. Era a ala dos dependentes químicos.
O ambiente me parecia meio tenso e tive um pouco de medo. Todos olhavam para mim. Sorri, sem jeito, dei “bom dia”. Uma ou outra resposta tímida, nada tão acolhedor quanto a ala feminina. Apressei o passo para me encontrar com o grupo quando um deles me vê com o violão nas costas e pergunta “Cantor, você vai tocar uma pra gente?”. Digo que não sei a cifra de nenhuma música famosa de cabeça e tento mudar de assunto. Impossível. Ele insiste e então, novamente, tiro a capa do violão e toco “Afonso Ribeiro“, que transcrevo abaixo:
Um dia… Vieram me chamar
Abriram minha cela e me tiraram da prisão:
_ “Pra onde eu vou?”
_ “Vai pra um lugar legal…
bem longe daqui de Portugal!”
_ “Será Paris? Quem sabe Amsterdã?
Onde será que eu vou parar amanhã?”
_ “Anda fica quieta entra logo no navio!
Demora algum tempo até chegar no sul…”
_ “Não quero ir! Quero ficar em Portugal!
Não vou viver no Atlântico Sul!”
Ilha de Vera Cruz,
Terra de Santa Cruz,
Pau Brasil, Pau Brasil,
Cruzeiro do Sul
Tem jararacuçu!
Tem sucuri até
Tem índio canibal!
Tem jacaré
Quando terminei, percebi que todos estavam ali, próximos, prestando atenção atentamente. Recebi calorosos aplausos. Conto que essa música fala do povo que colonizou nosso país, os “renegados de Portugal”. Aqueles sem futuro, às margens da sociedade, sofredores de todos os preconceitos, foram os grandes construtores desse país. E que às vezes, por estar à margem, “renegado”, acabamos esquecendo o poder que temos e nosso potencial. Eles entenderam a mensagem. Sai de lá emocionado.
Era a última ala e o grupo retornara para me “resgatar”, já que eu sempre acabava ficando para trás. Retornamos a sala inicial, e ao ser indagado, Sr. Peagno nos conta os trabalhos voluntários que existem dentro da clínica e como podemos ajudar. Gostei muito da marca que eles criaram para a venda de artesanato confeccionado pelos internos, o “Coisa de Loko”. Muito espirituoso e bem humorado!
Posso dizer que o que aprendi(z) nessa manhã equivalerá a algumas aulas de EAE e, muito provavelmente, alguns meses de caderneta pessoal. Não sentir pena daqueles que passam por dificuldades, contudo, se solidarizar pela causa, afinal, é uma condição. Se viemos em determinada situação nesta encarnação, que possamos ajudar a minimizar sofrimentos e completar a missão. Somos todos seres humanos, espíritos em evolução. Não podemos deixar ninguém para trás, não temos este direito.
Finalizo meu relato indicando o site da instituição (aqui) e caso você queira contribuir de alguma forma, veja as opções aqui. Visitas de escolas (não só espíritas, de todas religiões) e grupos são muitíssimo bem aceitas, basta entrar em contato.
Por fim, termino com um poema de uma nova amiga:
OS ARGONAUTAS
Mar fora, ei-los que vão, cheios de ardor insano;
Os astros e o luar — amigas sentinelas —
Lançam bênçãos de cima às largas caravelas
Que rasgam fortemente a vastidão do oceano.
Ei-los que vão buscar noutras paragens belas
Infindos cabedais de algum tesouro arcano…
E o vento austral que passa, em cóleras, ufano,
Faz palpitar o bojo às retesadas velas.
Novos céus querem ver, miríficas belezas,
Querem também possuir tesouros e riquezas
Como essas naus, que têm galhardetes e mastros…
Ateiam-lhes a febre essas minas supostas…
E, olhos fitos no vácuo, imploram, de mãos postas,
A áurea bênção dos céus e a proteção dos astros…
Francisca Júlia.
Filippo – Vale do Paraíba
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Há algum tempo atrás assisti um programa na TV Futura chamado “Ao Ponto“, com Jairo Bouer. O tema falado era muito interessante: honestidade. Jairo levantou pontos extremamente pertinentes junto a um grupo de jovens. Você se considera uma pessoa honesta? De cara, todos acabam por [...]
Há algum tempo atrás assisti um programa na TV Futura chamado “Ao Ponto“, com Jairo Bouer. O tema falado era muito interessante: honestidade. Jairo levantou pontos extremamente pertinentes junto a um grupo de jovens. Você se considera uma pessoa honesta? De cara, todos acabam por responder que sim, são. Porém, quando casos específicos vêm a tona, pode-se perceber que o conceito de honestidade é bem maleável e que para muitos, relativo.
Vamos fazer um rápido teste!
Responda a essas perguntas abaixo, anonimamente:
Quer ver o que a galera respondeu? Clique aqui!
Pois bem, não é tão fácil como parece, não é? O grupo que o Jairo trabalha fez uma pesquisa com 6.500 jovens no Brasil fazendo exatamente esta mesma pergunta: “Você se considera honesto?”. Em suas respostas, 90% dos jovens disseram que sim! Porém, ao se aprofundarem no tema, percebemos algumas respostas bem controversas por parte dos adolescentes respondentes.
42% disseram que passariam por cima de qualquer princípio para chegar a um objetivo. Ou seja, se necessário fosse, roubaria dinheiro da carteira da mãe para ir ao show da banda que mais gosta no mundo.
Já 35% alegaram que não devolveriam troco que recebessem a mais, não importando a quantidade. Nessa mesma linha, 29% dos entrevistados disseram que não devolveriam uma carteira que encontrassem na rua.
O que pega é que essas são respostas dadas por pessoas que não percebem as consequências dos atos que elas mesmas tomam. Afinal, e se fosse sua carteira a encontrada por alguém desonesto? Ou se fosse você que perdesse parte do salário, por errar o troco em um dia que estivesse com muito sono, depois de horas de trabalho a fio?
Existem muitos motivos dentro da doutrina que poderíamos usar como argumento para não cometer qualquer um dos atos citados: seja compaixão pelo próximo, amor, honestidade… Porém, podemos nos apegar ao mais básico de todos e que não exige tanta reforma íntima assim, a tal da Ação e Reação.
Tudo o que você fizer para o outro poderá – e acabará – se virando contra você. Portanto, amigos, seja pelo amor ou pela dor, ser honesto não pode ser uma opção e sim uma certeza.
Para finalizar as estatísticas, um dado impressionante! Você sabia que 75% dos brasileiros afirmam que cometeria algum deslize se estivesse no poder? Ora, então, como cobrar um governo honesto em uma sociedade com pensamento como esse?
Nunca se esqueça que o Governo é formado por “representantes” do povo. E representantes nada mais são do que uma pequena parcela de pessoas que representam a forma de pensar de um conjunto maior. Logo, se 3/4 da população afirma que seria desonesto em situações como essa, como exigir um governo diferente? Como exigir governantes honestos?
Para finalizar, uma brilhante matéria do Danilo Gentili, repórter do CQC. Inclusive – acreditem ou não – por acaso do destino, o encontrei exatamente no dia em que ele fazia essa gravação pelas ruas de São Paulo. Mais precisamente quando ele aguardava escondido que alguém pegasse o óculos dele, no caso do rapaz que encontra em cima da mesa do bar, aos 3:51 da matéria abaixo.
Mas eu não sou mentiroso, hein!!
Filippo – Vale do Paraíba
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