Archive for interessante

Matéria Escura ou Fluido Universal?

Obrigado DalheMongo pela oportunidade de escrever neste espaço espírita voltado para os jovens. Como primeiro texto, trago um assunto sobre o qual já escrevi em O Despertar do Engenheiro (*), a matéria escura. É uma batida de ciência com espiritualidade, espero que as pessoas gostem. Dá um barato bom!

Uma das coisas que mais intriga os cientistas atualmente é a matéria escura. Alguns teóricos especulam que pode ser ela a responsável por determinar a estrutura geral do universo, formando uma espécie de esqueleto em torno do qual se agrupa a matéria convencional, preenchendo tudo o que antes se pensava ser apenas vácuo.

O modelo cosmológico mais aceito diz que ela representa 23% da densidade de energia do universo. A energia escura, outro mistério para os físicos, representa 73% do total. A conta fecha considerando-se mais 4% de matéria comum, a menor parte, da qual são formadas todas as galáxias, estrelas, planetas, cometas, asteróides, gás intergaláctico, a Terra e até nós mesmos. As porcentagens podem variar um pouquinho de acordo com a fonte, mas a ordem de grandeza é essa mesmo.

Uma propriedade importante da matéria escura é que ela se comporta com um fluido perfeito, o que significa que ela não tem resistência nem viscosidade. Você pode entender, portanto, que as partículas da matéria escura passam umas pelas outras sem bater ou colidir. Elas não interagem umas com as outras a não ser pela força da gravidade. A matéria escura não emite luz nem nenhuma outra forma de radiação.

O tema é moderno, está na moda na física atual. Contudo, René Descartes, filósofo, físico e matemático que viveu no século XVII, já falava algo parecido. O cara que inventou os eixos cartesianos dividia a realidade em duas substâncias, a res cogitans, associada à consciência, e a res extensa, associada à matéria. Ele imaginava que a res extensa era uma espécie de manto a partir do qual se originavam todas as coisas. Já o Livro dos Espíritos, escrito em 1857 por Allan Kardec, diz o seguinte:

22. Define-se geralmente a matéria como sendo o que tem extensão, o que é capaz de nos impressionar os sentidos, o que é impenetrável. São exatas estas definições? ”Do vosso ponto de vista, elas o são, porque não falais senão do que conheceis. Mas a matéria existe em estados que ignorais. Pode ser, por exemplo, tão etérea e sutil, que nenhuma impressão vos cause aos sentidos. Contudo, é sempre matéria. Para vós, porém, não o seria.”

29. A ponderabilidade é um atributo essencial da matéria? ”Da matéria como a entendeis, sim; não, porém, da matéria considerada como fluido universal. A matéria etérea e sutil que constitui esse fluido vos é imponderável. Nem por isso, entretanto, deixa de ser o princípio da vossa matéria pesada.”

36. O vácuo absoluto existe em alguma parte no espaço universal? ”Não, não há o vácuo. O que te parece vazio está ocupado por matéria que te escapa aos sentidos e aos instrumentos.”

Ainda segundo o Livro dos Espíritos, o fluido universal é o “princípio sem o qual a matéria estaria em perpétuo estado de divisão e nunca adquirira as qualidades que a gravidade lhe dá”. Tem a ver, não tem?! O tema é polêmico, mas é para se pensar. É muito legal essa convergência entre ciência e espiritualidade. Quando os cientistas finalmente derrubarem os dogmas do materialismo e aceitarem melhor as hipóteses espiritualistas, a coisa vai bombar!!!

Para quem ficou curioso e quiser se aprofundar, basta procurar o termo “matéria escura” no Google. Vai aparecer um montão de sites falando sobre isso. Também recomendo ficar de olho nos canais da National Geographic, Discovery Channel e History que sempre passam programas bacanas sobre o assunto. No YouTube também há vários trechos dos documentários destes canais disponíveis para visualização pública, é só pesquisar. E bom aprendizado!

(*) O Despertar do Engenheiro é um blog que mistura ciência e espiritualidade, criando especulações filosóficas, sem rigor científico, sobre a convergência entre os dois assuntos. Autoria de Adriano Bello.

Comments (7) »

Nosso Lar, o filme – Fast review escrita às 00h45

O Gabriel nos enviou este email pelo sac.dalhemongo@gmail.com. E você? Tem algo a nos contar? Envie!!

Olá pessoa do Dalhemongo! ]

Meu primeiro texto aqui, então, solicito a compreensão de vocês pela minha pouca habilidade.

Este fim de semana foi bem corrido pra mim. Sábado à noite fui a uma festa de casamento, fui dormir bem tarde. Lá por volta das 8h30min da manhã do domingo, eu recebo uma ligação de um número desconhecido. A pessoa se identificou como Edson. Foi mais ou menos assim: “Gabriel? Aqui é o Edson. Você me mandou um e-mail pedindo para eu avisar se acaso abrisse vaga para a sessão de pré-estréia do Nosso Lar no shopping de Guarulhos. Então, abriu mais vaga sim, só que você tem que voar pra cá, pois o filme começa às 10h30”.

Saltei da cama com uma dor de cabeça terrível. Chamei minha mãe, e lá fomos nós.

Para vocês pode parecer bobagem, mas eu estava ansioso por esse filme desde que vi o trailer em maio. Acompanho notícias, converso com a produção pelo twitter, divulgo pra todo mundo. Então o fato de estar indo para o cinema assisti-lo foi como realizar um sonho antes do esperado.

Chegamos cedo ao shopping, tivemos que esperar abrir, e desde aquele momento, sentíamos um clima mágico no ar. A caminhada até a sala 5 do Cinemark do shopping Internacional de Guarulhos, me remeteu à “futura famosa” cena das dezenas de espíritos chegando à grande muralha de Nosso Lar.  Comprei uma pipoca e um refri que me ajudou bastante com a dor de cabeça.

Alguém apertou o play, e sem trailer, sem nada, começam a surgir os créditos iniciais do tão esperado roteiro. O que aconteceu desse momento em diante foi e será uma experiência individual, que depende de cada coração e da sensibilidade de cada um.

Serei redundante ao elogiar a parte técnica, a maquiagem, os efeitos especiais que foram utilizados na medida certa e sem exageros, os atores, a luz. Tudo perfeito.

Mas o filme Nosso Lar vai além disso, vai além das intrigas filosóficas que rondam o tema “colônias espirituais”, vai além até da filosofia espírita.  O que se vê, são lições e lições de cidadania, de perdão e auto-perdão, responsabilidade social e política, caridade, amor, organização e disciplina.

A visita do André ao seu lar terreno foi contada com uma suavidade, com uma leveza que, ao meu ver, conseguiu até superar a história original, contada pelos idos da década de 40.

A inserção do Emmanuel (que originalmente não aparece na história, porém foi autor do prefácio do livro) foi acertada, e a compactação necessária do conteúdo, não gerou grandes perdas na estrutura (por favor, não entendam que o conteúdo não citado não seja de extrema importância).

Quem não conhece o livro, vai se surpreender. Quem já leu vai se emocionar ao ver a história tão querida contada no cinema. (Eu confesso que só com o filme eu consegui imaginar os habitantes de nosso lar como seres humanos “normais”. Sempre eu os imaginava com um “q” de fantasma quando lia o livro, rs).

Ao final da sessão, as pessoas permaneceram sentadas, olhando os créditos. Algo como que se recuperando da grande emoção apresentada. Até que um irmão abençoado fez algo que todos estavam querendo fazer. Começou a bater palmas. Logo toda a sala estava batendo palmas. Palmas para a equipe do filme, para o Chico, para o André Luiz e também para os cidadãos de Nosso Lar. Não tenho dúvida alguma de que a sala estava repleta de espíritos de luz acompanhando essa sessão, nos encorajando a divulgar essa obra.

Divulguem, espalhem, assistam, estudem. Nosso Lar é um patrimônio da humanidade e se tudo der certo, o mundo inteiro vai conhecer essa história maravilhosa.

Muita paz e alegria. Fiquem com Deus.
Gabriel Bergamini

Comments (3) »

Fenômenos mediúnicos e a relação mente-corpo

Da Revista psique.

Fenômenos mediúnicos. Eles podem auxiliar na compreensão da relação mente-corpo e no estudo da sobrevivência humana.

Fronteiras do Eu
Definir a personalidade é até hoje um desafio, uma vez que a ciência ainda não esclareceu conclusivamente o mosaico de variáveis e suas participações interativas na constituição da singularidade de nossas identidades.

Investigações de fenômenos do problema mente-corpo
Os interessados na Psicologia e na Psiquiatria não devem negligenciar os médiuns em seus estudos, já que a mediunidade foi usada para defender ideias sobre a mente subconsciente, a dissociação e a psicopatologia.

O cérebro, a mente e as experiências transcendentais
A acurácia de vários relatos sugere que seria possível a experiência de uma realidade transcendente, na qual o funcionamento – da percepção, da cognição, da emoção e da identidade – acontece independentemente do cérebro.

Crianças que se lembram de vidas anteriores
A hipótese da reencarnação oferece uma possível explicação para distúrbios de comportamentos observados na Medicina e na Psicologia, difíceis de explicar exclusivamente pela influência genética e ambiental.

No comment »

Doutora em Oxford Fala da Nova Inteligência: Inteligência Espiritual

Inteligência Espiritual

Drª Dana Zohar – Oxford

No livro QS – Inteligência Espiritual, a física e filósofa americana Dana Zohar aborda um tema tão novo quanto polémico: a existência de um terceiro tipo de inteligência que aumenta os horizontes das pessoas, torna-as mais criativas e se manifesta em sua necessidade de encontrar um significado para a vida. Ela baseia seu trabalho sobre QuocienteEspiritual (QS) em pesquisas só há pouco divulgadas de cientistas de várias partes do mundo que descobriram o que está sendo chamado “Ponto de Deus” no cérebro, uma área que seria responsável pelas experiências espirituais das pessoas. O assunto é tão atual que foi abordado em recentes reportagens de capa pelas revistas americanas Neewsweek e Fortune. Afirma Dana: “A inteligência espiritual coletiva é baixa na sociedade moderna. Vivemos numa cultura espiritualmente estúpida, mas podemos agir para elevar nosso quociente espiritual”.

Aos 57 anos, Dana vive em Inglaterra com o marido, o psiquiatra Ian Marshall, co-autor do livro, e com dois filhos adolescentes. Formada em física pela Universidade de Harvard, com pós-graduação no Massachusetts Institute of Tecnology (MIT), ela atualmente leciona na universidade inglesa de Oxford. É autora de outros oito livros, entre eles, O Ser Quântico e A Sociedade Quântica, já traduzida para português. QS – Inteligência Espiritual já foi editado em 27 idiomas, incluindo o português (no Brasil, pela Record). Dana tem sido procurada por grandes companhias interessadas em desenvolver o quociente espiritual de seus funcionários e dar mais sentido ao seu trabalho. Ela falou à EXAME em Porto Alegre durante o 300º Congresso Mundial de Treinamento e Desenvolvimento da International Federation of Training and Development Organization (IFTDO), organização fundada na Suécia, em 1971, que representa 1 milhão de especialistas em treinamento em todo o mundo. Eis os principais trechos da entrevista:

O que é inteligência espiritual?

É uma terceira inteligência, que coloca nossos atos e experiências num contexto mais amplo de sentido e valor, tornando-os mais efetivos. Ter alto quociente espiritual (QS) implica ser capaz de usar o espiritual para ter uma vida mais rica e mais cheia de sentido, adequado senso de finalidade e direcção pessoal. O QS aumenta nossos horizontes e nos torna mais criativos. É uma inteligência que nos impulsiona. É com ela que abordamos e solucionamos problemas de sentido e valor. O QS estáligado à necessidade humana de ter propósito na vida. É ele que usamos para desenvolver valores éticos e crenças que vão nortear nossas acções.

De que modo essas pesquisas confirmam suas ideias sobre a terceira inteligência?

Os cientistas descobriram que temos um “Ponto de Deus” no cérebro, uma área nos lobos temporais que nos faz buscar um significado e valores para nossas vidas. É uma área ligada à experência espiritual. Tudo que influência a inteligência passa pelo cérebro e seus prolongamentos neurais. Um tipo de organização neural permite ao homem realizar um pensamento racional, lógico. Dá a ele seu QI, ou inteligência intelectual. Outro tipo permite realizar o pensamento associativo, afectado por hábitos, reconhecedor de padrões, emotivo. É o responsável pelo QE, ou inteligência emocional. Um terceiro tipo permite os pensamentos criativos, capazes de insights, formulador e revogador de regras. É o pensamento com que se formulam e se transformam os tipos anteriores de pensamento. Esse tipo lhe dá o QS, ou inteligência espiritual..

Qual a diferença entre QE e QS?

É o poder transformador. A inteligência emocional me permite julgar em que situação eu me encontro e me comportar apropriadamente dentro dos limites da situação. A inteligência espiritual me permite perguntar se quero estar nessa situação particular. Implica trabalhar com os limites da situação. Daniel Goleman, o teórico do Quociente Emocional, fala das emoções. Inteligência espiritual fala da alma. O quociente espiritual tem a ver com o que algo significa para mim, e não apenas como as coisas afectam minha emoção e como eu reajo a isso. A espiritualidade sempre esteve presente na história da humanidade. No início do século 20, o QI era a medida definitiva da inteligência humana. Só em meados da década de 90, a descoberta da inteligência emocional mostrou que não bastava o sujeito ser um génio se não soubesse lidar com as emoções. A ciência começa o novo milénio com descobertas que apontam para um terceiro quociente, o da inteligência espiritual. Ela nos ajudaria a lidar com questões essenciais e pode ser a chave para uma nova era no mundo dos negócios.

Dana Zohar identificou dez qualidades comuns às pessoas espiritualmente inteligentes.

Segundo ela, essas pessoas:

1. Praticam e estimulam o autoconhecimento profundo;

2. São levadas por valores. São idealistas;

3. Têm capacidade de encarar e utilizar a adversidade;

4. São holísticas;

5. Celebram a diversidade;

6. Têm independência;

7. Perguntam sempre “por quê?”;

8. Têm capacidade de colocar as coisas num contexto mais amplo;

9. Têm espontaneidade;

10.Têm compaixão.

Fonte: Prof.Wagner Bueno Blog

No comment »

“Sem a adolescência, os seres humanos não passariam de uns bobos incoerentes dotados de um cérebro enorme”

O veterinário inglês David Bainbridge é um especialista no funcionamento do organismo de várias espécies, inclusive da humana. Com três filhos entre 6 e 11 anos, no período da pré-adolescência, ele resolveu usar seu conhecimento para tentar lidar com as mudanças de temperamento que acometem os jovens. Constatou o que muitos pais já sabem: não há método que amenize a rebeldia juvenil. Mas descobriu que há um bom motivo para aturar a fase de contestação juvenil. Em seu livro Teenagers, a natural history (Adolescentes, uma história natural, sem edição no Brasil), ele afirma que as mudanças no cérebro adolescente – que geram o comportamento difícil – proporcionaram aos humanos o desenvolvimento do intelecto sofisticado. “Os adolescentes foram fundamentais para o sucesso da nossa espécie”, diz.

ÉPOCA – Por que o senhor diz que o sucesso da espécie humana se deve aos adolescentes?
David Bainbridge – Muitas das habilidades exclusivas aos seres humanos são desenvolvidas durante o período da adolescência. E foram essas capacidades que ajudaram nossa espécie a sobreviver ao longo da evolução. Com a adolescência, ganhamos um tempo extra, além da infância, para organizar o cérebro: dos 11 aos 20 anos. Esse tempo a mais de reordenação cerebral permitiu que a espécie humana desenvolvesse uma capacidade intelectual incrível. Sem a adolescência, os seres humanos não passariam de uns bobos incoerentes dotados de um cérebro enorme.

ÉPOCA – Que habilidades são essas?
Bainbridge – É só olhar uma criança aos 10 anos e uma pessoa aos 20. No final da adolescência, conseguimos articular pensamentos e levantar hipóteses a partir de abstrações, algo que é tremendamente difícil para uma criança de 10 anos, acostumada a pensar em termos mais concretos. Com 20 anos, somos capazes de estabelecer objetivos de longo prazo e esperar que eles aconteçam. Para uma criança, o tempo não passa. Elas precisam obter recompensas imediatamente. Essas habilidades que vêm com a adolescência – abstração, planejamento, além de uma boa dose de autonomia – são importantes para garantir nossa sobrevivência na vida adulta.

ÉPOCA – Que modificações ocorrem no cérebro durante a adolescência para desenvolvermos essas habilidades?
Bainbridge – O cérebro atinge o tamanho que terá na vida adulta aos 12 anos nas meninas e aos 14 nos garotos. Desde antes do nascimento até essa idade, nossos neurônios construíram ligações com outros, estabeleceram novos caminhos para as informações circularem dentro do cérebro. Na adolescência, esse grande emaranhado de massa cinzenta precisa ser reorganizado. Muitas dessas conexões são desligadas. Outras são ativadas.

ÉPOCA – Por quê?
Bainbridge – Pode até parecer um desperdício passar anos formando ligações para depois cortá-las. Mas essa é uma boa estratégia porque dá flexibilidade para nosso cérebro. Ele é plástico o suficiente para ser remodelado com novas experiências, como aprender a se relacionar adequadamente com as pessoas – o que basicamente aprendemos na adolescência. A plasticidade do cérebro adolescente permite que ele se reorganize com essas experiências e mantenha essas conexões que serão necessárias na vida adulta.

ÉPOCA – Quais áreas do cérebro são mais afetadas com essas transformações?
Bainbridge – São as regiões envolvidas em interpretações complexas e sutis, como as que usaríamos para escrever um poema sobre nossas emoções. Elas ficam no córtex parietal, localizado na porção superior do cérebro, na parte de trás da cabeça. Outra região bastante afetada é o córtex pré-frontal, localizada bem na frente de nossa cabeça. Ela está relacionada a nossas habilidades analíticas. As mudanças também atingem o corpo dos neurônios, por onde os impulsos nervosos circulam. A cobertura de gordura que os envolve se torna mais espessa e faz com que eles transmitam as informações ainda mais rápido.

ÉPOCA – Essas mudanças no cérebro explicam algumas características comportamentais típicas dos adolescentes?
Bainbridge – Não há outra razão para explicar esses comportamentos senão as modificações no cérebro.Tantas alterações no córtex pré-frontal afetam a capacidade dos adolescentes de prever consequências. Por isso, eles costumam ser impulsivos. Mudanças no nível de dopamina, uma substância que transporta as informações entre os neurônios, também podem explicar as alterações na personalidade. Ela inibe o funcionamento de algumas regiões do cérebro que controlam o prazer. Isso explica por que os adolescentes procuram experiências frequentemente arriscadas. Eles precisam compensar a sensação de tédio causada pela supressão das atividades dessas áreas. Essa também é a raiz do comportamento de contestação e rebeldia.

ÉPOCA – Existem evidências científicas que atribuem o sucesso dos humanos ao aparecimento dos adolescentes?
Bainbridge – As outras espécies de animais não desenvolveram habilidades tão complexas quanto as humanas porque não têm adolescência. Elas podem até ter uma fase juvenil, mas não é esse período inacreditavelmente longo que os humanos têm. Passamos quase duas décadas nos desenvolvendo: são dez anos da infância e mais dez da adolescência. Os outros animais passam rapidamente de um padrão de crescimento infantil para a vida adulta. Nem animais muito inteligentes, como chimpanzés, elefantes e golfinhos, demoram 20 anos para se desenvolver. Em dez anos eles se tornam adultos, o que já é muito tempo se comparado a outras espécies. Além disso, há fósseis de ancestrais humanos que sustentam essa tese.

ÉPOCA – O que eles indicam?
Bainbridge – Os fósseis mostram que os adolescentes, hominídeos com mais de 12 anos e corpo ainda imaturo, apareceram um pouco antes de nosso cérebro adquirir o tamanho que tem hoje.Os paleontólogos encontraram arcadas dentárias e ossos compatíveis com os de um adolescente de 12 anos.

ÉPOCA – Como podemos usar esse conhecimento sobre a adolescência?
Bainbridge – Podemos melhorar o desempenho escolar dos adolescentes se entendermos que eles são preguiçosos não porque querem, mas em razão das alterações fisiológicas pelas quais estão passando. Nos Estados Unidos e na Europa, as aulas em algumas escolas começam mais tarde porque a direção leva em consideração que o relógico biológico dos adolescentes está desajustado. Nos adultos e nas crianças, ele é perfeitamente programado para 24 horas. Nos adolescentes, parece que está sempre funcionando atrasado, com 25 ou 26 horas. É por isso que eles querem ficar acordados até mais tarde e não conseguem acordar cedo. Também podemos entender que não é possível mudar a disposição dos adolescentes para correr riscos. O que podemos e precisamos fazer é alertá-los para as atitudes muito perigosas, como fazer sexo sem proteção.

ÉPOCA – Resta aos pais se conformar com a rebeldia do adolescente que eles têm em casa?
Bainbridge – Temos de lembrar que os adolescentes existem para tornar nossa espécie bem-sucedida. Não para fazer a vida dos adultos mais fácil.

Texto retirado desse site
Marcela Buscato – Revista ÉPOCA

No comment »

MEDICINA RECONHECE OBSESSÃO ESPIRITUAL

Uma nova postura da medicina frente aos desafios da espiritualidade.

Vejam que interessante a palestra sobre a glândula pineal do Dr.Sérgio Felipe de Oliveira, médico que coordena a cadeira de Medicina e Espiritualidade na USP:

A Obsessão Espiritual como doença da Alma, já é reconhecida pela Medicina.

Em artigos anteriores, escrevi que a Obsessão espiritual, na qualidade de doença da alma, ainda não era catalogada nos compêndios da Medicina, por esta se estruturar numa visão cartesiana, puramente organicista do ser e, com isso, não levava em consideração a existência da alma, do espírito.

No entanto, quero retificar, atualizar os leitores de meus artigos, essa informação, pois desde 1998, a Organização Mundial DA Saúde (OMS) incluiu o bem-estar espiritual como uma das definições de saúde, ao lado do aspecto físico, mental e social.

Antes, a OMS definia saúde como o estado de completo bem-estar biológico, psicológico e social do ser humano e desconsiderava o bem estar espiritual, isto é, o sofrimento da alma; tinha, portanto, uma visão reducionista, organicista da natureza humana, não a vendo em sua totalidade: mente, corpo e espírito.

Mas, após a data mencionada acima, ela passou a definir saúde como o estado de completo bem-estar do ser humano integral: biológico,psicológico e espiritual. Desta forma, a Obsessão espiritual oficialmente passou a ser conhecida na Medicina como possessão e estado de transe, que é um item do CID- O Código Internacional de Doenças- que permite o diagnóstico da interferência espiritual obsessora.

O CID 10, item F.44.3 – define estado de transe e possessão como a perda transitória da identidade com manutenção de consciência do meio-ambiente, fazendo a distinção entre os normais, ou seja, os que acontecem por incorporação ou atuação dos espíritos, dos que são patológicos, provocados por doença ou mal físico. Os casos, por exemplo, em que a pessoa entra em transe durante os cultos religiosos e sessões
mediúnicas não são considerados doença. Neste aspecto, a alucinação é um sintoma que pode surgir tanto nos transtornos mentais psiquiátricos – nesse caso, seria uma doença, um transtorno dissociativo psicótico ou o que popularmente se chama de loucura – bem como na interferência de um ser desencarnado , a Obsessão espiritual.

Portanto, a Psiquiatria já faz a distinção entre o estado de transe normal e o dos psicóticos, que seriam anormais ou doentios. O manual de estatística de desordens mentais da Associação Americana de Psiquiatria – DSM IV – alerta que o médico deve tomar cuidado para não diagnosticar de forma equivocada como alucinação ou psicose, casos de pessoas de determinadas comunidades religiosas que dizem ver ou ouvir espíritos de pessoas mortas, porque isso pode não significar uma alucinação ou loucura….

Na Faculdade de Medicina DA USP, o Dr. Sérgio Felipe de Oliveira,médico, coordena a cadeira (hoje obrigatória) de Medicina e Espiritualidade.

Segue abaixo a parte 1 de 7 da palestra do Dr. Sérgio sobre o assunto. As outras partes estão no mesmo canal do Youtube.

Uma nova postura da medicina frente aos desafios da espiritualidade.

Vejam que interessante a palestra sobre a glândula pineal do Dr.Sérgio Felipe de Oliveira, médico que coordena a cadeira de Medicina e Espiritualidade na USP:
A Obsessão Espiritual como doença da Alma, já é reconhecida pela Medicina.

“Em artigos anteriores, escrevi que a Obsessão espiritual, na qualidade de doença da alma, ainda não era catalogada nos compêndios da Medicina, por esta se estruturar numa visão cartesiana, puramente organicista do ser e, com isso, não levava em consideração a existência da alma, do espírito.

No entanto, quero retificar, atualizar os leitores de meus artigos, essa informação, pois desde 1998, a Organização Mundial DA Saúde (OMS) incluiu o bem-estar espiritual como uma das definições de saúde, ao lado do aspecto físico, mental e social.

Antes, a OMS definia saúde como o estado de completo bem-estar biológico, psicológico e social do ser humano e desconsiderava o bem estar espiritual, isto é, o sofrimento da alma; tinha, portanto, uma visão reducionista, organicista da natureza humana, não a vendo em sua totalidade: mente, corpo e espírito.

Mas, após a data mencionada acima, ela passou a definir saúde como o estado de completo bem-estar do ser humano integral: biológico,psicológico e espiritual. Desta forma, a Obsessão espiritual oficialmente passou a ser conhecida na Medicina como possessão e estado de transe, que é um item do CID- O Código Internacional de Doenças- que permite o diagnóstico da interferência espiritual obsessora.

O CID 10, item F.44.3 – define estado de transe e possessão como a perda transitória da identidade com manutenção de consciência do meio-ambiente, fazendo a distinção entre os normais, ou seja, os que acontecem por incorporação ou atuação dos espíritos, dos que são patológicos, provocados por doença ou mal físico. Os casos, por exemplo, em que a pessoa entra em transe durante os cultos religiosos e sessões
mediúnicas não são considerados doença. Neste aspecto, a alucinação é um sintoma que pode surgir tanto nos transtornos mentais psiquiátricos – nesse caso, seria uma doença, um transtorno dissociativo psicótico ou o que popularmente se chama de loucura – bem como na interferência de um ser desencarnado , a Obsessão espiritual.

Portanto, a Psiquiatria já faz a distinção entre o estado de transe normal e o dos psicóticos, que seriam anormais ou doentios. O manual de estatística de desordens mentais da Associação Americana de Psiquiatria – DSM IV – alerta que o médico deve tomar cuidado para não diagnosticar de forma equivocada como alucinação ou psicose, casos de pessoas de determinadas comunidades religiosas que dizem ver ou ouvir espíritos de pessoas mortas, porque isso pode não significar uma alucinação ou loucura….”

Na Faculdade de Medicina DA USP, o Dr. Sérgio Felipe de Oliveira,médico, coordena a cadeira (hoje obrigatória) de Medicina e Espiritualidade.

No comment »

Os espíritos vão ao boteco

Era sua primeira vez em um centro espírita. A curiosidade fez com que enfrentasse aquele medo infantil das “coisas do outro mundo”. Bastava relaxar, fechar os olhos e se concentrar. Teria funcionado – principalmente se o chão não tivesse começado a tremer de forma assustadora.

A história aconteceu na esquina da rua Arthur Azevedo com a Mourato Coelho, em Pinheiros, zona oeste. Lá, existe um sobrado onde esse tipo de manifestação sobrenatural ocorre com uma certa frequência. Bom, pelo menos naquelas noites quentes em que o Salim Rabay precisa ligar os seus potentes ventiladores.

O Centro Espírita Mensageiros da Paz e Esperança está localizado exatamente em cima do movimentado bar do Salim. “A pessoa toma um passe lá em cima e se purifica inteirinho. Depois, vem tomar uma cervejinha gelada aqui embaixo,” brinca Rabay, proprietário do bar.

Embora de naturezas tão distintas, bar e centro espírita convivem em harmonia. O acordo é simples: em dias de consulta espiritual (normalmente às terças e quartas-feiras), os ventiladores sobrenaturais só podem ser ligados após as 20h, quando as sessões terminam.

Salim não se incomoda com a regra e até se sente privilegiado. Para ele, a presença do centro espírita em cima do bar criou uma aura de proteção no lugar. Na dúvida, o proprietário ainda mantém em seu estabelecimento uma imagem de Nossa Senhora e outra, bem escondidinha, do Zé Pilintra, entidade da umbanda, ao lado de um copo cheio de pinga. “Quanto mais proteção, melhor”, diz Salim. Tantas almas circulando em um ambiente etílico nunca trouxeram problemas. Salim garante que nunca se sentiu “assombrado.”

O Centro Espírita Mensageiros da Esperança e Paz também não tem do que reclamar. Muitos clientes do Bar do Salim acabaram se tornando adeptos do espiritismo. “A entrada para o centro é colada à lateral do bar. Tem gente que se confunde e vem procurar mesa aqui em cima. Às vezes, as pessoas se interessam e voltam para tomar um passe”, diz um dos orientadores do centro, Gustavo Rocha. A turma dos espíritas também faz confraternizações nas mesas do Salim, sem preconceito. Uma adepta do Mensageiros da Paz se empolga. “Estamos torcendo para ele abrir no almoço. Vamos frequentar mais.”

FONTE: Estadão.

Comments (1) »

Turma da Mônica fala de Reencarnação

A Turminha da Monica hoje é remédio recomendado sem restrições. Afinal, em um mesmo gibi é possível se alegrar de avó a netinha, de fissurados em ficção científica a garotas delicadas, de admiradores da arte à amantes da história da evolução humana.

As aventuras de seus personagens hoje são inscontestáveis unanimidade – principalmente pelo fato de, para muitos, ser o primeiro contato com a escrita. No meu caso, foi antes mesmo disso, quando era possível acompanhar somente as figulinhas. Digo, figurinhas. Trabalhando em estereótipos interessantes, considero esses os nossos super heróis, até porque, nunca fui lá muito fã de comic books como Homem Aranha, Batman e Superhomão, como diria Cascão.

Nascida e criada em berço jornalístico, no periódico chamado “Folha da Manhã”, o ‘valdisnei’ brasileiro Maurício de Souza inicia a concepção de sua turma ainda no ano de 1959 com Bidu e Franjinha. Desde então, seu crescimento foi constante, com novos horizontes e mídias exploradas: cds, dvds, filmes, parques temáticos, presença em países como Espanha, Estados Unidos e Itália, e percussor em quesito de site de HQ, não necessariamente nesta ordem.

Além de se expandir na mídia, aqueles dois personagens deram origem a muitos outros que posteriormente acabaram por se tornar núcleos diferentes – quase como em um novela. Se você pegar um gibi hoje vai se deparar com histórias diversas da  Turma da Mônica, Chico Bento, Horácio, Piteco, Tina, Papa-capim, Mata, Astrounauta, Ronaldinho Gaúcho, Pelezinho, Bidu, Monica jovem, Monica Baby e Penadinho.

E este último, a Turma do Penadinho, ao meu ver, de enorme importância na educação de crianças. Afinal, de uma maneira leve e divertida, mantém os pequenos familiarizados com o tema “morte” desde a infância, utilizando uma conceituação muito saudável. Tanto, que parece ter rendido uma nova ideia: uma historinha explicando a reencarnação.

Revistinha
Para ler a historinha, clique na imagem acima.

Através da linguagem jovem e dinâmica que lhes é peculiar, os estúdios Maurício de Souza dão um passo corajoso na divulgação da doutrina espírita a nível nacional. Com a história entitulada Reencarnação, pode-se perceber alguns conceitos como vida após a morte, evolução espiritual e até mesmo missão do espírito na Terra são mostradas durante a história.

A brasileiros como esse tal de Maurício de Souza, só resta admirar. E que outros tantos tenham esta mesma coragem.

Filippo – Vale

Comments (1) »

O Poeta Gentileza

No dia 17 de dezembro de 1961, na cidade de Niterói, houve um grande incêndio no circo “Gran Circus Norte-Americano”, o que foi considerado uma das maiores tragédias circenses do mundo. Neste incêndio morreram mais de 500 pessoas, a maioria, crianças.

Profeta GentilezaNa antevéspera do Natal, seis dias após o acontecimento, José acordou alegando ter ouvido “vozes astrais”, segundo suas próprias palavras, que o mandavam abandonar o mundo material e se dedicar apenas ao mundo espiritual.

Então, pegou um de seus caminhões e foi para o local do incêndio. Plantou jardim e horta sobre as cinzas do circo em Niterói, local que um dia foi palco de tantas alegrias, mas também de muita tristeza. Aquela foi sua morada por quatro anos. Lá, José Datrino incutiu nas pessoas o real sentido das palavras “agradecido” e “gentileza”. Foi um consolador voluntário, que confortou os familiares das vítimas da tragédia com suas palavras de bondade.

Daquele dia em diante, passou a se chamar “José Agradecido”, ou simplesmente “Profeta Gentileza”.
Profeta Gentileza
A partir de 1980, escolheu 56 pilastras do Viaduto do Caju, que vai do Cemitério do Caju até a Rodoviária Novo Rio, numa extensão de aproximadamente 1,5 km. Ele encheu as pilastras do viaduto com inscrições em verde-amarelo propondo sua crítica do mundo e sua alternativa ao mal-estar da civilização. Durante a Eco-92, o Profeta Gentileza colocava-se estrategicamente no lugar por onde passavam os representantes dos povos e incitava-os a viverem a gentileza e a aplicarem gentileza em toda a Terra.

Em 1996, aos 79 anos, faleceu na cidade de seus familiares, onde se encontra enterrado, no “Cemitério Saudades”.

Com o decorrer dos anos, os murais foram danificados por pichadores, sofreram vandalismo, e mais tarde cobertos com tinta de cor cinza. A eliminação das inscrições foi criticado e posteriormente com ajuda da prefeitura da cidade do Rio de Janeiro, foi organizado o projeto “Rio com Gentileza”, com o objetivo restaurar os murais das pilastras. Em maio de 2000, a restauração das inscrições foi concluída e o patrimônio urbano carioca foi preservado.

Uma das homenagens recebidas pelo Profeta foi a música Gentileza, de Marisa Monte.


Fonte: Wikipedia

Filippo – Vale

Comments (4) »

Troco Acordes Por Sorriso

Neste domingo tive a oportunidade de conhecer um trabalho social, em São José dos Campos. Era uma visita de Escola de Aprendizes do Evangelho (EAE) e não de mocidade, mas acho que esse é apenas um detalhe. Saí de lá tão revigorado, que muito provavelmente retornaremos com as turmas da mocidade em ocasião próxima.Vista Aérea do Hospital

É engraçado como fazemos as coisas de forma despretenciosa e o impacto é tão maior do que imaginavamos. Bom, vou começar do início.

Nos encaminhamos a esta instituição e lá fomos recebidos pelo Sr. Peagno, um homem muito bondoso e incrivelmente humilde. Ele nos encaminhou até uma sala onde começou a contar a história daquele hospital que mais parecia uma colônia, com grande área verde mesclada a área construída, tudo em grande consonância, formando um ambiente tranquilo.

A instituição é conhecida como Francisca Júlia e hoje atende a quase 200 pessoas entre deficientes mentais e dependentes químicos. Mas este trabalho social, assim como qualquer outro no Brasil, não começou com tal magnitude. Teve início com uma turma de EAE, uma das primeiras a existir, que se viu, como muitos de nós nos vemos, naquele ponto em que vê como o mundo está um caos e que já temos condição de ajudar um pouquinho os que estão momentaneâmente em maior dificuldade.Logo Francisca Júlia

Então, decidem tomar como campo de trabalho a área dos suicídas. Até então, as estatísticas de praticantes deste tipo de ato aumentava e não havia nenhum trabalho significativo específico para esse “perfil”. É assim que surge o Centro de Valorização da Vida. Conhecido como CVV, este grupo busca através do telefone ou mesmo contato direto, propiciar um alento às pessoas que tem pensamentos auto-destrutivos.

Porém, depois de um tempo, o grupo começa a perceber que uma porcentagem significativa das pessoas que ligavam para o CVV tinham uma semelhança: distúrbio mental. Se deparando com dificuldade em encontrar hospitais públicos especializados nessa área, eis que surge a ideia da criação do Hospital Francisca Júlia.Francisca Júlia

O nome é em homenagem a poetiza, mentora espiritual deste trabalho, que viveu no fim do século 19 e início do 20. Francisca Júlia da Silva escrevia – não por acaso – sobre temas como a caridade, fé, vida ápós a morte, reencarnação e ideologias orientais diversas, como o budismo, por exemplo. Francisca foi notável em seu trabalho, buscou popularizar a literatura para as crianças em um Brasil ainda muito machista. Porém, com a morte de seu marido, decide terminar com a própria vida, o que sugere a tamanha identificação com o trabalho, e por isso seja o vulto a frente do hospital.

Eis que depois desta viagem pela história da instituição, Sr. Pegano nos convida a visitar os estabelecimentos e internos. Cada ala, uma surpresa.

Ao passarmos pela ala feminina de deficientes mentais, encontramos moças e senhoras com sorriso nos lábios, prontas para dar um abraço de recepção. Algumas, é fato, mais tímidas. Mas esta timidez não levou mais que alguns minutos para se aproximarem e nos cumprimentarem, um a um. Nosso grupo – não vou mentir – parecia estar um pouco apreensivo,  tenso até, acredito que por conta do ineditismo da situação. Alguns tomaram a frente e em instantes percebia-se vários focos de conversas animadas e troca de exclamações.

Uma moça, com a camisa do Corinthians, vem até mim com uma caixa de sapato e diversas bijuterias. Conta, orgulhosa, que é ela mesma quem faz. Converso um pouco sobre futebol e brinco sobre o clássico São Paulo e Corinthians que aconteceria naquele dia mais tarde. Após alguns minutos, Sr. Peagno nos avisa que temos que seguir. Contudo, outra moça se aproxima de mim, jovem, com belos olhos verdes, entre 20 e 25 anos, mas com um olhar inocente, de criança. Estava eu com meu violão, pois pretendia mostrar uma música a um amigo que passa uma temporada por lá, e ela me pergunta “Você vai tocar pra gente?”. Eu não estava preparado para isso, mas vendo a animação das outras internas, sem jeito, resolvi ceder.

Ela me pergunta se sei cantar “É preciso amar as pessoas como se não houvesse o amanhã”. Surpreso por ela conhecer Legião Urbana, digo que não vim preparado e que precisaria de cifras. Ela tenta outras bandas, se esforçando para me incentivar: “Nirvana, então?” – eu disse “vixe, que nada”. Tento me safar, dizendo “Só sei cantar música de amigos meus”. Ela assentiu com a cabeça e puxo um “Simbora” – para os que não conhecem, tem no DalheDJ.

Em questão de segundos, uma dezena de moças estão em volta de mim, algumas dançando animadamente. Eu, desafinado, nervoso e sem muito jeito, percebo que para elas, nada daquilo interferia. Eu estava “tocando para elas”. Alguns segundos de atenção exclusiva, sem preconceitos, sem julgamento, as estava fazendo feliz. Então, sem aviso, a moça de olhos claros começa, seguida por todas, a cantar para mim aquela música evangélica “Como Zaqueu“. Era uma retribuição, na forma delas.

“Temos que trocar de ala”, ouço. Me despeço e sigo. Nossa visita continua e em dado momento fico para trás. Vejo nosso grupo entrando em uma porta, ao fundo. Para chegar até lá, uma grande fileira de homens, uns 30, jovens e senhores, alguns sentados, outros tomando sol, mas todos quietos. Era a ala dos dependentes químicos.

O ambiente me parecia meio tenso e tive um pouco de medo. Todos olhavam para mim. Sorri, sem jeito, dei “bom dia”. Uma ou outra resposta tímida, nada tão acolhedor quanto a ala feminina. Apressei o passo para me encontrar com o grupo quando um deles me vê com o violão nas costas e pergunta “Cantor, você vai tocar uma pra gente?”. Digo que não sei a cifra de nenhuma música famosa de cabeça e tento mudar de assunto. Impossível. Ele insiste e então, novamente, tiro a capa do violão e toco “Afonso Ribeiro“, que transcrevo abaixo:

Um dia… Vieram me chamar
Abriram minha cela e me tiraram da prisão:
_ “Pra onde eu vou?”

_ “Vai pra um lugar legal…
bem longe daqui de Portugal!”

_ “Será Paris? Quem sabe Amsterdã?
Onde será que eu vou parar amanhã?”

_ “Anda fica quieta entra logo no navio!
Demora algum tempo até chegar no sul…”

_ “Não quero ir! Quero ficar em Portugal!
Não vou viver no Atlântico Sul!”

Ilha de Vera Cruz,
Terra de Santa Cruz,
Pau Brasil, Pau Brasil,
Cruzeiro do Sul

Tem jararacuçu!
Tem sucuri até
Tem índio canibal!
Tem jacaré

Quando terminei, percebi que todos estavam ali, próximos, prestando atenção atentamente. Recebi calorosos aplausos. Conto que essa música fala do povo que colonizou nosso país, os “renegados de Portugal”. Aqueles sem futuro, às margens da sociedade, sofredores de todos os preconceitos, foram os grandes construtores desse país. E que às vezes, por estar à margem, “renegado”, acabamos esquecendo o poder que temos e nosso potencial. Eles entenderam a mensagem. Sai de lá emocionado.

Era a última ala e o grupo retornara para me “resgatar”, já que eu sempre acabava ficando para trás. Retornamos a sala inicial, e ao ser indagado,  Sr. Peagno nos conta os trabalhos voluntários que existem dentro da clínica e como podemos ajudar. Gostei muito da marca que eles criaram para a venda de artesanato confeccionado pelos internos, o “Coisa de Loko”. Muito espirituoso e bem humorado!

Posso dizer que o que aprendi(z) nessa manhã equivalerá a algumas aulas de EAE e, muito provavelmente, alguns meses de caderneta pessoal. Não sentir pena daqueles que passam por dificuldades, contudo, se solidarizar pela causa, afinal, é uma condição. Se viemos em determinada situação nesta encarnação, que possamos ajudar a minimizar sofrimentos e completar a missão. Somos todos seres humanos, espíritos em evolução. Não podemos deixar ninguém para trás, não temos este direito.

Finalizo meu relato indicando o site da instituição (aqui) e caso você queira contribuir de alguma forma, veja as opções aqui. Visitas de escolas (não só espíritas, de todas religiões) e grupos são muitíssimo bem aceitas, basta entrar em contato.

Por fim, termino com um poema de uma nova amiga:

OS ARGONAUTAS

Mar fora, ei-los que vão, cheios de ardor insano;
Os astros e o luar — amigas sentinelas —
Lançam bênçãos de cima às largas caravelas
Que rasgam fortemente a vastidão do oceano.

Ei-los que vão buscar noutras paragens belas
Infindos cabedais de algum tesouro arcano…
E o vento austral que passa, em cóleras, ufano,
Faz palpitar o bojo às retesadas velas.

Novos céus querem ver, miríficas belezas,
Querem também possuir tesouros e riquezas
Como essas naus, que têm galhardetes e mastros…

Ateiam-lhes a febre essas minas supostas…
E, olhos fitos no vácuo, imploram, de mãos postas,
A áurea bênção dos céus e a proteção dos astros…

Francisca Júlia.

Filippo – Vale do Paraíba

Map powered by MapPress

Comments (1) »

Get Adobe Flash playerPlugin by wpburn.com wordpress themes