Archive for voluntariado

Zilda Arns

A humanidade acaba de perder mais uma grande mulher.

O terremoto de 7 graus na escala Richter que atingiu o Haiti na, 13-jan, matou Zilda Arns, 75 anos, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, que integrava missão no país caribenho. No UOL.

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A Terra parece fazer um chamado. A cada dia mais lugares e mais pessoas sofrem com as tragédias naturais. Assunto tão atual que falamos sobre ele no dia 12-jan: Sagrado: a busca pela razão das tragédias naturais. Vibremos sempre para cada uma das pessoas que passam por essas tragédias.

Gostaria, no entanto, de falar sobre Zilda Arns, nesse momento, por alguns motivos.

Acontece algo engraçado comigo, e acho que com a maioria dos seres humanos. A banalização faz com que agente pare de prestar atenção a certos acontecimentos. As notícias ruins são um exemplo claro disso. Os desastres naturais estão se tornando tão corriqueiros, tão assustadoramente diários e próximos, que nós nem prestamos atenção naquilo que eles representam. Parece que precisamos identificar alguma coisa diferente, única, para que paremos e prestemos atenção.

Hoje isso aconteceu. A morte de Zilda Arns fez com que eu parasse para prestar a devida atenção ao que aconteceu no Haiti. Internamente, quando eu li a notícia, eu pensei comigo: “Deus, uma pessoa que fazia tanto pela humanidade foi embora. E agora?”. E agora?

Acho que agora é hora, novamente, de saber que cada um precisa fazer a sua parte para que a humanidade possa melhorar. Estou fazendo algo para melhorar a sociedade? Fica a reflexão para cada um de nós. É claro que, antes de querer salvar o mundo, preciso construir para mim mesmo uma base sólida, para que meus passos sejam firmes. Nada de querer abraçar o mundo se não dou conta nem do meu. Mas posso fazer os dois, e aprender e crescer com cada um deles.

Zilda Arns,

Formada em Medicina, aprofundou-se em Saúde Pública visando salvar crianças pobres da mortalidade infantil, da desnutrição e da violência em seu contexto familiar e comunitário. Compreendendo que a educação revelou-se a melhor forma de combater a maior parte das doenças de fácil prevenção e a marginalidade das crianças, para otimizar a sua ação, desenvolveu uma metodologia própria de multiplicação do conhecimento e da solidariedade entre as famílias mais pobres, baseando-se no milagre bíblico da multiplicação dos dois peixes e cinco pães que saciaram cinco mil pessoas, como narra o Evangelho de São João (Jo 6, 1-15).

Sua experiência, fez com que, em 1980, fosse convidada a coordenar a campanha de vacinação Sabin para combater a primeira epidemia de poliomielite, que começou em União da Vitória, no Paraná, criando um método próprio, depois adotado pelo Ministério da Saúde.

Em 1983, a pedido da CNBB, criou a Pastoral da Criança juntamente com Dom Geraldo Majella Cardeal Agnelo, Arcebispo Primaz de Salvador da Bahia e Presidente da CNBB, que à época era Arcebispo de Londrina. No mesmo ano, deu início à experiência a partir de um projeto-piloto em Florestópolis, Paraná. Após vinte e cinco anos, a Pastoral acompanhou 1.816.261 crianças menores de seis anos e 1.407.743 milhão de famílias pobres em 4.060 municípios brasileiros. Nesse período, mais de 261.962 voluntários levaram solidariedade e conhecimento sobre saúde, nutrição, educação e cidadania para as comunidades mais pobres, criando com isso condições para que elas sejam protagonistas de sua própria transformação social.

Em 2006, a Dra. Zilda foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz, junto com outras 999 mulheres de todo o mundo selecionadas pelo Projeto 1000 Mulheres, da associação suíça 1000 Mulheres para o Prêmio Nobel da Paz. Também é cidadã honorária de dez estados brasileiros (RJ, PB, AL, MT, RN, PR, PA, MS, ES, TO) e de trinta e dois municípios e doutora Honoris Causa de diversas universidades.

Exemplo de vida. Que ela faça uma boa passagem, porque acho de descansar não está em seu vocabulário.

Yuri, VALE.

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Voluntariado, Sim. Mas cobrem o Estado.

Somente aos 21 anos de idade decidi me engajar em um trabalho voluntário. Sério. Periódico. Durante algum tempo colhi os frutos inconscientes de estar cumprindo minha parte social, apesar de acreditar que a grande mudança só ocorre em conjunto – à despeito da inegável contribuição que todos podemos fazer.

Retomando, estava convencido do papel que cumpria, não tinha qualquer tipo de discussão sobre voluntariado na minha cabeça. Até que uma discussão envolvendo serviço social, e desigualdade veio me perturbar. Diziam eles:

“O Voluntariado não é uma boa prática. Em alguns casos, ele empurra para a sociedade civil deveres que o Estado deve exercer. Incentivar o voluntariado é perpetuar a incompetência estatal e quem sabe, aprofundá-la.”

E ainda,

“O Voluntariado leva a práticas pulverizadas que tem um pequeno resultado local. Ao criar centenas, milhares de organizações, ele aumenta a burocracia e atua no sentido de desagregar movimentos maiores, que em tese teriam mais poder, político ou social.”

Em alguns casos, é verdade sim, que a ação da sociedade civil, bem ou mal organizada, faz o papel do Estado, seja assumindo completamente o papel deste, seja porque determinado grupo de cidadãos acredita que deve complementar determinada área carente. Vejo, entretanto, dimensões diferentes no que toca à argumentação de que esse movimento perpetua a irresponsabilidade estatal e me permito discordar das afirmações acima citadas.

No mais das vezes, o Voluntariado quando bem estruturado, chama a atenção do grande público, graças ao seu caráter especial. A opinião pública, quando provocada, também consegue levar questionamentos ao Estado. Chamar a atenção das massas e do Estado para um problema que deveria ser de responsabilidade pública é um ótimo começo para que as coisas mudem.

Não defendo, mesmo assim, que o Voluntariado um dia deixe de existir, quando o Estado tiver assumido integralmente suas responsabilidades. Um equilíbrio entre ação pública e ação coletiva organizada me parece o ideal. ONGs como a Anistia Internacional, ou os Medecins Sens Frontiers são essenciais, principalmente porque lidam com relações internacionais, num contexto em que não há um poder maior para policiar e acompanhar eventuais afrontas aos direitos humanos; a Fundação Abrinq e o projeto Amigos da Escola são grandes catalisadores sociais e culturais… mas ONGs que fornecem ao cidadão direitos básicos que deveriam ser providos pelo Estado estão claramente denunciando uma realidade que precisa mudar, que merece mais atenção por parte do poder público, e é nosso direito e dever cobrar essa mudança. Gritemos bem alto, para que os governantes percebam que estamos fazendo nossa parte, e para que então se empenhem em fazer a parte deles.

O voluntariado é do meu ponto de vista, a ação descentralizada, de caráter eminentemente filantrópico, voltada para o indivíduo ou grupo de indivíduos necessitados, sejam eles amparados pelo poder público ou não. A fraternidade do Voluntariado, portanto, implica uma relação pessoal forte. Ele é motivado por convicções pessoais – é apartidário, facultativo, espontâneo, completamente neutro quanto à sua causa. Acredito que isso assegura à esfera moral do Voluntariado uma boa interface. O que está no cerne mesmo do movimento é energia de mudança essencialmente voltada para o bem.

Concluo dizendo novamente: o Voluntariado é MUITO importante. Não podemos esperar que o Estado, o governo, sozinho, mude nossa sociedade. Centralizar demais o poder (a capacidade de transformar nosso mundo, nossa realidade) nunca foi uma boa idéia, e abrir mão do espaço de ação social conquistado pelas ONGs ao longo de uma luta por direitos civis que ainda não acabou, parece uma idéia pior ainda. Como sempre, é uma questão de achar o equilíbrio.

José
(cria da mocidade GEFA e amigo da garotada)

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