CENTROS ESPÍRITAS E A MOCIDADE
São Paulo, Junho de 1983.
Reconhecemos que é muito fácil, num arroubo de entusiasmo, afirmar que Centro Espírita sem Mocidade atuante está morto, mas, se bem examinarmos, veremos que esta afirmação é procedente.
Cinquenta e um porcento da população do Brasil é composta de jovens de até 23 anos. Um Centro Espírita que não integra esses valores vivos e palpitantes, essa “pepita de ouro” no seu bojo, está desatualizado em relação à realidade que o rodeia. Está desperdiçando esforços, está definhando num emaranhado de idéias e de atuações já emboloradas. Não está criando condições propícias, novas e válidas para a sua continuidade e para sair a curto, médio e longo prazo do marasmo em que, certamente, se encontra.
Raciocinemos, agora, com o auxílio da ponta do lápis, não nos esquecendo nunca de que 51% da nossa população é jovem! Qual é a porcentagem de Centros Espíritas que contam com mocidade estruturada e atuante em seu seio? Qual é a porcentagem de moços que frequentam as aulas de Mocidade nos poucos Centros Espíritas que contam regularmente com essas aulas? Qual é a porcentagem de moços que procura assistência espiritual nos Centros Espíritas?
Meditemos profundamente sobre os resultados, equacionando-os sempre em função do espaço e do tempo que estamos vivendo – prestes a entrarmos no terceiro milênio.
Estejamos bem certos de que juventude atuante, conscientizada do Amor de Jesus Cristo, é transfusão de sangue novo e bom num corpo quase agonizante e moribundo.
E os outros aspectos desse problema?
Na maratona da vida, a quem o bastão será entregue? A outros corredores que só perfazem cinco quilômetros por hora, quando o normal, nos dias em que estamos vivendo, o desejável seria correr (vibrar), quem sabe, a 550 ou mais por hora?
Se nós não atrairmos a mocidade para despertar em seus corações as maravilhas libertadoras do Evangelho de Jesus Cristo e o iluminado bom-senso de Allan Kardec, estaremos deixando que as ilusões das drogas a atraia, que o sensualismo a atraia, que as irresponsabilidades as atraia, que os dogmatismos mortíferos a atraia, em exterioridades extupefacientes que a levara à loucura, e nos levarão também à loucura, à loucura coletiva, como aliás já estamos sentindo na pele.
Pelas nossas omissões de ontem e de agora, muitos pais estão arrancando os cabelos. Tenho dito e tenho ouvido muitas e muitas vezes: “Ah! como eu seria feliz se os meus filhos me acompanhassem nessas tertulias tão bonitas, tão gratificantes que realizamos juntamente com todos os confrades espíritas.” Ou, então: – “Eu só seria verdadeiramente feliz se os meus filhos compreendessem por que venho trabalhar no Centro Espírita!”.
Como poderemos aspirar a alcançar essas graças divinas, se, enquanto íamos “santamente” dar nossos passes nos Centros Espíritas, deixávamos nossos filhos fumando pelas esquinas? ou bebendo nos bares? ou, ainda, fazendo de conta que estavam estudando com os companheiros?
E a nefanda falta de diálogo entre as gerações, aonde nos levará? E o abismo que estamos cavando entre uma geração e outras pelas nossas vivências estanques, que consequências derramará sobre nós todos?
Idosos e jovens dialogando, ajudando-se mutuamente, amparando-se reciprocamente num Centro Espírita, todos só podem sair ganhando: o jovem, o chamado idoso, o Centro Espírita, a Doutrina Espírita e a comunidade.
Há muita coisa boa e útil que os jovens podem e devem realizar nos Centros Espíritas: organizar, manter e levar avante sob sua responsabilidade os Cursos para a Mocidade, nem que seja com número bem reduzido de participantes. O importante é iniciar, é dar o primeiro passo.
Encarregar-se das vendas dos livros, das livrarias, das bibliotecas, auxiliar na Assistência Espiritual e Evangelização Infantil: organização de gincanas, festinhas, bazares, coletas e distribuição de donativos, caravanas.
Seus representantes devem comparecer às reuniões da Diretoria do Centro Espírita. Nestas reuniões, enriquecidas com a presença e com a participação dos jovens, todos crescerão: Os antigos, em agudeza de sensibilidade, e os jovens, em amadurecimento, percebendo a dura realidade na concretização na realização de qualquer trabalho sério, honesto, cristão, caritativo e amoroso. Eles verão que nada é conseguido de mão beijada, que nem tudo é mar de rosas e harmonia angelicais. De qualquer eventual, válido, sacrossanto, sincero e construtivo “quebra-pau” (discussão acalorada) que às vezes acontece nalguma reunião de Diretoria, para o bem de todos, eles, os jovens, sairão enriquecidos, amadurecidos e com nova bagagem válida para sua futura vivência, quando assumirem as rédeas do comando do Centro Espírita, ou a direção de qualquer outra obra caritativa, ou do mundo, o qual desde já lhes pertende também.
Azamar B. Trindade, CEAE – V. N. Manchester
FONTE: O Trevo.
O texto acima faz parte do Índice Geral de Assuntos do jornal O Trevo, da Aliança Espírita Evangélica. Ter acesso ao mesmo só foi possível devido a um grande trabalho de digitalização. O índice compreende o período de 1973 a 1999, referente aos Trevos números 1 a 303. O período de 1999 a 2008, será adicionado posteriormente.
O endereço: http://www.digmafra.com.br/aee/otrevo/
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