Das mesas girantes à Codificação
Hippolyte Léon Denizard Rivail foi um professor, pedagogo e escritor francês. Fez os seus estudos na Escola de Pestalozzi, tornando-se ativo propagador de seu método e publicando diversas obras sobre Educação.
O pseudônimo Allan Kardec foi adotado pelo Prof. Rivail para diferenciar a Codificação Espírita dos seus trabalhos pedagógicos anteriores.
Em 1854 o Prof. Rivail ouviu falar pela primeira vez do fenômeno das mesas girantes.
No livro Óbras Póstumas temos o seguinte relato:
Foi em 1854 que ouvi falar, pela primeira vez, das mesas girantes. Um dia, encontrei o Sr. Fortier, o magnetizador, que conhecia há muito tempo; ele me disse: Sabeis a singular propriedade que se acaba de descobrir no magnetismo? Parece que não são somente os indivíduos que se magnetizam, mas as mesas que se fazem girar e caminhar à vontade. – “É muito singular, com efeito, respondi; mas, a rigor, isso não me parece radicalmente impossível. O fluido magnético, que é uma espécie de eletricidade, pode muito bem agir sobre os corpos inertes e fazê-los mover.” Os relatos, que os jornais publicaram, de experiências feitas em Nantes e Marselha, e em algumas outras cidades, não podiam deixar dúvida sobre a realidade do fenômeno.
Algum tempo depois revi o Sr. Fortier, e ele me disse: “Eis que é muito mais extraordinário; não só se faz a mesa girar magnetizando-a, mas a faz falar; interrogada ela responde. – Isto, repliquei, é uma outra questão; crerei nisso quando o vir, e quando se me tiver provado que uma mesa tem um cérebro para pensar, nervos para sentir, e que possa se tornar sonâmbula; até lá, permiti-me nisso não ver senão uma história de fazer dormir.”
Disso estava, pois, no período de um fato inexplicado, em aparência contrário às leis da Natureza, e que a minha razão repelia. Ainda nada tinha visto, nem nada observado; as experiências, feitas na presença de pessoas honradas e dignas de fé, me confirmaram na possibilidade do efeito puramente material, mas a idéia de uma mesa falante não entrava ainda no meu cérebro.
Foi ali que começou a nascer a Codificação. A semente da dúvida foi plantada em seu coração, e ela se juntou ao espírito de seriedade dos trabalhos realizados pelo já respeitado prof. Rivail. Ainda no livro Óbras Póstumas temos a comprovação disso:
Foi lá que fiz os meus primeiros estudos sérios em Espiritismo, menos ainda pela revelação do que pela observação. Apliquei a essa nova ciência, como o fizera até então, o método da experimentação; jamais ocasionei teorias preconcebidas: observava atentamente, comparava, deduzia as conseqüências; dos efeitos procurava remontar às causas, pela dedução e o encadeamento lógico dos fatos, não admitindo uma explicação como válida senão quando podia resolver todas as dificuldades da questão. Foi assim que sempre procedi em meus trabalhos anteriores, desde a idade de 15 a 16 anos. Compreendi, desde logo, a seriedade da exploração que iria empreender; entrevi, nesses fenômenos, a chave do problema, tão obscuro e tão controverso, do passado e do futuro da Humanidade, a solução do que havia procurado em toda a minha vida; era, em uma palavra, toda uma revelação nas idéias e nas crenças; seria preciso, pois, agir com circunspeção, e não levianamente; ser positivo e não idealista, para não se deixar iludir.
O pseudônimo Allan Kardec foi escolhido pois um espírito revelou-lhe que haviam vivido juntos entre os druidas, na Gália, e que naquela época o Codificador tinha esse nome.
A fé raciocinada, sobre a qual nos apoiamos hoje, surgiu do trabalho sério de um homem. Pensemos nisso em relação aos trabalhos que realizamos agora.
Yuri, Vale.
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Gostei muito do artigo que nos faz lembrar dos primórdios do espiritismo que em vezes esquecemos. É de extrema importância ao meu ver cultivarmos esse espírito explorador e científico que o Prof. possuía e nunca nos julgarmos detentores da verdade absoluta, pois como um amigo certa vez me disse, “a codificação é a primeira página de um enorme livro”.
Temos de combater o medo que decorre da idéia de que o espiritismo científico sobreponha o religioso, isso não é verdade, pois se realizarmos os nossos estudo de forma séria à maneira Kardec, veremos que um complementa o outro.
Além de explorador ele foi totalmente dedicado, trabalhador e responsável.
O legal é que, muitas vezes no “Oba Oba” que é, em partes, onde o aluno de mocidade se encontra a gente esquece que tudo, mas tudo o que sabemos é fruto de um trabalho duro.