Dalhe Entrevista: Eduardo Miyashiro
E foi dada a largada, o Dalhemongo, portal sempre à frente de seu tempo, estreia mais uma coluna que chega a todo vapor, é a “Dalhe Entrevista”. A ideia é entrevistar algumas figuras carimbadas do movimento espírita e também de mocidade, mas não pense você que só iremos perguntar sobre a vida espírita do entrevistado, na na ni na não, a vida pessoal também está inclusa nessa proposta. Porque é mais legal sabermos que atrás de um cara sério, sempre compenetrado no trabalho em prol do próximo, há um ser humano sensível que chora até em inauguração de posto de gasolina ou que foi um capetinha quando criança, não é?
E para abrirmos com chave de ouro, não poderíamos ter escolhido nome melhor que Eduardo Miyashiro. Não sabe de quem estamos falando? Do diretor-geral da Aliança Espírita Evangélica, poxa!
Miyashiro é diretor da AEE pela segunda vez e topou responder às perguntas do Dalhe Entrevista. Você sabia que ele foi um dos pioneiros do movimento da mocidade da Aliança. Pois é, começou a frequentar uma turma no Genebra em 1978. Tempos depois, já era dirigente e ajudou a formar a primeira CAM (Comissão de Apoio às Mocidades).
Você sabe que nos encontros gerais e regionais de mocidade – aliás, nosso entrevistado participou de vários encontros de jovens, até lá na distante Londrina, no Paraná – por aí está cheio de casais apaixonados que se encontraram no movimento e se casaram, certo? Enfim, como a afinidade de ideal e construção de valores contam muito na hora de encontrar um parceiro para a vida, isso acontece com uma frequência inimaginável. O que eu duvido que você saiba é que o atual diretor-geral da AEE conheceu sua esposa, a Beth, com quem é casado há 25 anos, por causa da mocidade. “Ela era assistente de turma no CEAE Manchester”, contou ao Dalhe Entrevista.
Além disso, olha que curioso, Miyashiro adora torta de maçã e pratica natação. E sabe o que o deixa de cabelo em pé? Trânsito congestionado! Mas isso tira qualquer um do sério mesmo, meu querido…
Bom, chega de enrolação e vamos à entrevista:
Vida pessoal
Nome completo? Eduardo Miyashiro
Idade? 50
Profissão? Engenheiro civil por formação; atualmente, diretor de TI no serviço público
Lugar preferido? São tantos… acho que não dá para ter preferências… se considerar as lembranças de lugares que já não existem mais, então escolho um pequeno sítio em Poá em que passei muitos finais de semana da minha infância
Prato preferido? Também é muito difícil escolher; vou optar pela torta de maçã
Estilo musical preferido? Pode ser três? (claro, você manda) Pela ordem: música barroca, jazz, bossa nova
Um hobby? Sudoku
Pratica esporte? Se sim, qual? Natação
O que faz nas horas vagas, se é que elas existem? Estudo piano, então as horas não ficam mesmo vagas…
Gosta de internet? 100%! A rede tornou-se a utopia da Biblioteca de Alexandria. Muita informação, do melhor e do pior do ser humano. O desafio é saber separar o joio do trigo
O que te deixa nervoso? Trânsito parado e barbeiragens. Infelizmente, é o meu jeito mais rápido de virar bicho!
E o que te deixa calminho, calminho? Música, principalmente a dos estilos que mencionei
É casado? Se sim, há quanto tempo? Sim, há 25 anos
Sua esposa é espírita também? Sim, eu conheci a Beth através da Mocidade! Ela era assistente de turma no CEAE Manchester
Tem filhos? Dois
Uma curiosidade/história da infância? Sou filho único. Quando nasci, minha mãe teve um parto muito difícil. Meus pais haviam se mudado para São Paulo e não contavam com familiares próximos. O apoio veio de uma família italiana, todos espíritas, que se tornaram a minha família também. A matriarca da família foi uma médium de capacidades extraordinárias e tinha um conhecimento doutrinário que me contagiou desde pequeno
E na adolescência, foi mais pra rebelde ou tranquilo? Conte! Mais pra tranquilo. Sempre fui estilo “nerd”. As amizades intensas costumam acontecer na época do ensino médio. Eu cursava a Escola Técnica Federal e vivi grandes momentos participando do Coral da escola, que viajava e se apresentava em muitos lugares. Mas o interessante é que, depois de muitos anos, os contatos antigos que ainda mantenho são os da época do primeiro grau…
Espiritismo
Quanto tempo de espiritismo? É espírita desde sempre? Como foi a 1ª vez em um centro espírita? O que relatei na pergunta anterior sobre a infância explica um pouco isso. Não há um momento definido, pois eu me recordo de ter quatro ou cinco anos e ir todas as semanas com minha mãe às sessões do Centro Espírita Nova Era, no bairro do Belém.
Fez mocidade? (eu sei que sim!) Com quantos anos? Na adolescência minhas atividades espíritas resumiam-se a ler muitos livros, mas não encontrava oportunidades para ir ao mesmo centro espírita. Quando entrei na faculdade, aos 18, sentia um estranho vazio interior. Tempos depois, um amigo me sugeriu conhecer uma mocidade espírita de um movimento “diferente”. E lá fui eu para conhecer a Mocidade do CEAE Genebra, era o mês de agosto de 1978. A 3ªturma estava no limite máximo de inscrições (naquela época, a aula 16 – Caridade e Auxílio). Fiquei tão surpreso e bem-impressionado pelo modo organizado de conduzir a aula, desde a preparação, pela ligação intensa com a espiritualidade, com a dinâmica de participação… Logo percebi que ali era o meu lugar também. E me propus a não faltar nenhuma aula do primeiro ano, e a fazer todas as reposições de aula que fosse necessário na 4ª turma.
Os amigos, as atividades da Mocidade e a participação nas outras atividades da Aliança vieram com uma rapidez incrível. Logo comecei a dar aulas em outras turmas e assumi a direção da 5a. turma de mocidade do CEAE Genebra.
Depois, o grande desafio, assumido junto com tantos amigos que compuseram a primeira CAM – Comissão de Apoio às Mocidades. Viajar por todas as cidades onde havia o programa da Aliança e mostrar o que era o Programa de Mocidade, incentivando à abertura de novas turmas. Eu me sentia meio “bandeirante”, ajudando e incentivando a expansão da Mocidade. Foi um período de muito trabalho e muitas realizações.

Fato na mocidade que mais te marcou? Também é difícil de escolher, porque foram muitos… Os que mais vivamente vêm à lembrança são:
a) as madrugadas que passamos no escritório do Jacques Conchon fazendo a composição do Programa de Mocidade Espírita para a 2a. edição do Vivência;
b) a primeira aula que eu dei fora de SP: no Centro Espírita Irmão Timóteo, de São Vicente, porque era um grupo exemplar: unido, amoroso e dedicado;
c) o Encontro de Artes realizado no Clube da Vila Maria, que teve uma banca de jurados especialistas em literatura, música e artes plásticas (Valentim Lorenzetti, Jamil Aún, Claudia Rosa), o que incentivou a criatividade coletiva nas turmas de mocidade;
d) o Encontro de Mocidades realizado em Londrina, em 1986, primeira grande mobilização de jovens para fora do estado de SP.
Participou de encontros? Já deu para perceber que sim, conforme a resposta anterior. Os primeiros encontros de Mocidade aconteciam nas manhãs de domingo, a cada 6 meses. Naquela época (1976/1979), havia 5 ou 6 turmas em São Paulo, 2 em São José dos Campos, 2 em Santo André e 2 em São Vicente. Reunir 60 jovens para uma confraternização das 9 às 12 da manhã em algum dos Centros da Aliança já era uma façanha!
Os encontros ajudaram a Mocidade a ser conhecida no movimento da Aliança, porque o trabalho coletivo para sua organização foi envolvendo cada vez mais pessoas com o passar do tempo. E isso foi um dos fatores que propiciou que os dirigentes de centros apoiassem o surgimento de mais turmas de mocidade.
Como se envolveu com a AEE? Desde quando? Agora ficou fácil responder. Desde a Mocidade, conforme as respostas anteriores.
Já é a 2ª vez que é diretor da AEE, não sente que é uma super responsabilidade?!? Como lida com isso? A facilidade com que fui convidado (não só eu, muitos amigos) a participar de cada vez mais atividades, com uma intensidade crescente, me ensinou que a disponibilidade e a dedicação são muito valorizados na Aliança. Então o trabalho não é posse exclusiva de um pequeno grupo, mas sim uma obra coletiva. Isso não anula as responsabilidades individuais. Ao contrário, ajuda a consciência do dever, porque você vê tantos amigos-irmãos trabalhando juntos por uma causa maior. Então, é mais difícil de ficar envaidecido porque o resultado é fruto da união de muitos, porém a felicidade da realização é uma dádiva.
Jogo rápido
Um livro: A Caminho da Luz, de Emmanuel (como ele conseguiu descrever o lado espiritual da história de 4 bilhões de anos do Planeta Terra em apenas trezentas e poucas páginas?)
Um filme: A Lista de Schindler
O que te inspira? O princípio da Evolução, pensar que a Natureza se transforma e que as pessoas se modificam, tanto na macro-escala da Humanidade como no íntimo de cada pessoa
Um ídolo: Desculpe-me a franqueza, mas ídolos são imagens criadas para serem adoradas, e acho que essa fase já passou
Uma frase: A verdadeira fé é aquela capaz de se defrontar com a razão face a face, em todas as épocas da humanidade
Um sonho: Que a Humanidade perceba que seu planeta foi criado para o seu desenvolvimento pleno, e passe a agir de acordo com esse conceito.
E para fechar, conte algo que ninguém sabe, nem imagina sobre você… Estranho pensar nisso… É difícil escolher algo para revelar, talvez coisas que nem mesmo eu tenha me dado conta. Outro dia fiquei pensando que eu quase nunca choro, não sei o porquê. E, por isso mesmo, as poucas ocasiões em que isso acontece ficam gravadas na memória. Por exemplo, eu sempre choro quando releio as passagens do livro “Ave Cristo” em que há confronto entre pai e filho (Quinto Varro e Taciano). Acho emocionante a forma como um pai dedica duas reencarnações consecutivas de sacrifício, encontrando e desencontrando do filho que precisa se redimir, mas que custa a reconhecer isso. Para mim, é o relato mais comovente do Emmanuel, embora a torcida mais numerosa seja a do “Paulo e Estêvão” e do “Renúncia”.
Obrigada, Eduardo! Nós, da mocidade, esperamos que você continue firme e forte com seu trabalho na Aliança.
Bárbara Paludeti – ABC
8 Responses to Dalhe Entrevista: Eduardo Miyashiro
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Genial!
Parabéns pela entrevista, Bárbara. Feliz por termos algo assim no DalheMongo.
Que venham as próximas!=]
Parabéns Dalhemongo!!!
Muito boa a entrevista, o Miyashiro é um cara e tanto, mau pai vive falando dele e desse encontro de Londrina =)
Adoreiiii
Nossa gente… muito legal!
Meus Parabéns ao Dalhemongo e a senhorita Bárbara (que me conhece desde bebê, agora ela sabe quem é, rs.)
Pô, o primeirão foi o Eduardo Miyashiro, começaram bem
beijão!
Olá amigos,
Parabéns pela entrevista
Fico muito feliz por resgatar histórias de pessoas que construiram o espiritismo
Com amor
Dani
Parabéns.
O Eduardo é um exemplo de perseverança e alegria no trabalho do movimento espíriita. Show divulgar sua história.
PAZ.
Olá Pessoal!
Parabéns por mais esta iniciativa.
Apreciei tanto a entrevista com o Sr Miyashiro que solicito o e-mail dele para convidá-lo a escrever um texto para a revista Fala MEU!
Podem me informar?
Meus votos de êxito ao vosso grupo.
Um Abraço
Oie…
Nossaaa… adorei a entrevista… passei a conhecer o Sir. Eduardo Miyashiro, só o conhecia por nome… =]
Parabéns gentem…
Babyyyyy… parabénssss!!!! ^^
Beeeijos….
Muito boa entrevista
e ótima idéia!!
Parabéns a todos!!!
=D