O MUNDO ATEMPORAL COMENTADO
(por Pedro Ivo Almeida – Regional ABC)

Olá galera! Como vi vários comentários durante e após o encontro e sugestões pra reforçar a temática abordada na peça de abertura e encerramento do EGM 010, “O mundo atemporal”, decidimos comentar, de modo geral, os acontecimentos ocorridos do primeiro ao último ato.

Como já dissemos no encontro, a intenção desde o começo, não era que os espectadores tivessem uma idéia exata e padrão da história, como em quando lemos um livro ou assistimos um filme. Todas as mídias concorriam para propiciar um exercício de percepção e sensação, pois todos os conceitos foram abordados anteriormente nas atividades de sala e quarto durante o encontro. Foi muito positivo quando pudemos observar tantas explicações e opiniões sobre os atos, tão diferentes e particulares, mas que mantinham a mesma essência e significado.
O que desenvolveremos nesta série de textos é uma tentativa de reviver a experiência e refletir o que foi vivenciado após termos noção do todo

ATO 1 – A VIAGEM

Nossa história se inicia com o nosso protagonista, o Viajante, e seu amigo, Acompanhante despedindo-se dos amigos, para uma viagem comum. É visível antes de embarcar, e durante a viagem, que o Viajante encontra-se numa apatia e comodismo, representando à nossa postura diante do cotidiano quando estamos desgastados e descontentes com o passar dos dias, que muitas vezes, nos parece sempre igual e sem fim. Em determinado momento da viagem, como se visse tocado por algo mágico e, aos poucos, impulsionado por uma vontade enorme de fazer parte de algo maior, de fugir de tudo aquilo, ele pega suas malas, e mesmo com os apelos do Acompanhante, que representa seus vínculos mais importantes com o “mundo exterior”, decide seguir seu caminho, e atravessa o portal em direção ao desconhecido, entrando no “Mundo Atemporal”.
Os elementos abordados durante toda a peça deixam explícitos que o “Mundo Atemporal” não é na verdade, um lugar físico, e os acontecimentos não seguem uma sequência lógica, pois somos sempre surpreendidos por “licenças poéticas”, como por exemplo, a conversa por telefone entre o Viajante e o Acompanhante, quando os dois estão em dimensões diferentes e inacessíveis. O significado do “Mundo Atemporal” deve ser particular para cada expectador, mas poderíamos dizer que a entrada do Viajante nesse mundo fantástico representa o momento em que decidimos nos voltar para dentro de nós mesmos, para refletir ou fugir da realidade.

O “Mundo Atemporal” é construído no mesmo instante em que o viajante adentra o portal, ou seja, fica mais explícito que é a decisão do Viajante de olhar pra dentro de si mesmo é que “materializa” esse mundo de reflexão e identidade, comandado pelo Mestre do Tempo e por seus avatares. A figura do “Mestre do Tempo”, longe de representar Deus, é abstrata, representando o Tempo Universal, o tempo que independe de nossas ações individuais. Seu avatares gêmeos, os Escudeiros, representando a força criadora e impulsionadora, começam a construir o “Relógio Universal”, o instrumento que medirá o Tempo Universal e obedecerá a uma lógica única e independente do Viajante, por mais que ele tenha convocado este mundo, mesmo inconscientemente, e os Avatares da Natureza, representando a criação em movimento, que a primeiro momento estão concentrados em seu ritmo e às ordens do Mestre do Tempo, e depois, envolvendo o Viajante, fazendo-o parte daquilo tudo.

ATO 2 – O CADERNO

(a identidade e a reflexão)

No segundo ato, temos o momento em que o Viajante começa a retirar as coisas de sua mochila, identificando-as com os elementos do mundo em que vive: a responsabilidade (a gravata), o consumismo (walkman), o terço (religião), esporte (raquete), a vaidade e a reflexão (o espelho), e finalmente a reflexão ( o caderno), que representa seu momento mais íntimo, e a reflexão do que
O Mundo Atemporal, então, apropria-se daquelas lembranças e imagens, e decide mostrá-lo num outro contexto, chamando sua atenção. O Mestre do Tempo, então, convoca seus Avatares Observadores, aqueles que sempre estão assistindo aos acontecimentos, sem interferir mas cobrando uma postura realista e responsável por parte do Viajante, forçando-o a olhar o seu mundo mais uma vez através das imagens refletidas no telão. O interessante é que as mesmas imagens que antes causaram em nós alegria, diversão e descontração, não parecem. O viajante começa a remover a casca dos esteriótipos do mundo, e ver a essência e o significado. No final, um dos observadores lhe entregam uma urna, representando seu mundo interior, ainda desconhecido por ele.

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