II Encontro Regional de Mocidades SP-Centro: Oportunidade de educar para a liderança
Com as cores laranja – da transformação – e verde – da esperança, passamos o nublado 19 de outubro no Centro Espírita Aprendizes do Evangelho Perdizes entre setenta pessoas no evento RAVE: Renovando Atitudes da Vida Eterna.
O tema? Uma festa sem drogas, organizada pelo Gabriel – o Careta – que convidou seus amigos, com diferentes histórias de vida e, em comum, todos usuários de substâncias psicoativas: lança-perfume, tabaco, álcool, cocaína, maconha, ecstasy, anfetaminas e anabolizantes. Todos eles apresentavam as situações que dispararam o uso de drogas: a curiosidade, a influência dos amigos, o vazio interior…
Os jovens contavam a ausência de afeto de familiares, a dificuldade em conviver com amigos com a opção de uso de drogas, a necessidade de conquistar uma namorada foram alguns dos motivos destacados para terem recorrido às drogas como fonte de prazer e resposta para algumas angústias. Prazer esse que dura pouco, por vezes minutos ou algumas horas e que é seguido por dias ou uma vida de conseqüências físicas e espirituais negativas.
Nas salas de atividades, depoimentos muito vivos e maravilhosos: “Eu era viciado e hoje substituí um vício por outro. Hoje sou viciado nos meus amigos”, contava um participante. E o outro emenda: “Eu também, hoje meu vício é tocar [violão]”, relata um dos violeiros da plenária.
E por falar nela, e a plenária? A Equipe de Música selecionou um repertório de músicas mais antigas de mocidade, que abordam o tema da drogas: Rosa de Lima, Driblando a dor I e II, Menino da Paz… Simplesmente linda!
Linda também foi a descrição da Câmara Mediúnica vista do plano espiritual: a Fraternidade dos Anciãos trabalhando na limpeza dos ambientes e em seguida um grande galpão sobreposto à casa destinado ao socorro de drogaditos do plano espiritual que eram socorridos com as vibrações, sorrisos, palavras e abraços de cada participante encarnado.
É isso mesmo, fomos responsáveis por um grande trabalho espiritual apenas pelo fato de ali estarmos. A nossa presença implicou num envolvimento de todas pessoas ligadas a nós, acalentados em seu vazio interior.
O papel de multiplicadores após o Encontro é o desafio: sair para o mundo, amar a Vida e deixar a Vida nos amar, nos construir enquanto pessoas necessitadas apenas da felicidade que vem de dentro de nós mesmos, que é a felicidade verdadeira.
E o tema da liderança? Como fica?
Bem, para que esse evento pudesse ter esse cenário, contamos com muitos atores: monitores de atividades, câmara mediúnica, equipes de cozinha, de estrutura, de sala interativa, de palco, de decoração e de música.
Cada equipe conta com um líder, mas apostamos que cada um seja líder de si mesmo. Assim, investimos e apostamos na “educação para o trabalho”, pois consideramos que o trabalho espiritual é fonte abençoada de ensinamento de convivência com o outro e consigo mesmo, e, como seres humanos, com potencialidades e limitações.
Tanto as cerca de dez reuniões para elaboração do Encontro quanto as discussões com cada núcleo de trabalho e individualmente com cada trabalhador são necessárias: saber como o outro funciona no trabalho, como concebe o trabalho que vai realizar contribui para que o líder potencialize as equipes para o trabalho: saber dos medos, das inseguranças e principalmente das idéias que teve, do que tem vontade de criar!
No Iniciação Espírita, Armond nos indica que não é o trabalho que precisa do trabalhador, mas o trabalhador que tem no trabalho a oportunidade preciosa de seu aperfeiçoamento. Que benção sermos nós aqueles que podem trabalhar, no entanto se não somos nós, outros poderão realizar as tarefas: a escolha é nossa, não somos missionários.
O trabalho não é nosso, mas está nosso, se o assumirmos como tal!
E há um trabalho invisível quando nos tornamos trabalhadores, que é o de trabalhar conosco mesmo no encontro com os outros seres – a alteridade, termo utilizado por Ermance Dufaux. Esse encontro com o outro que nos burila, nos desafia a tirar de dentro de nós o melhor, aquela habilidade mais preciosa, aquela capacidade rica de nos melhorar.
Se o outro não faz, aceitação.
Se o outro faz demais, compreensão.
Se não faz de nosso jeito, tolerância.
Se faz apenas de nosso jeito, revisão de conceitos.
Se faz junto: FRATERNIDADE.
Trabalhar com o outro significa humildade, auto-confiança, fé: burilar tantos valores… Dividir tarefas, multiplicar potenciais, somar qualidades e virtudes: conjugar tantos verbos!
Temos trabalhado em equipes absolutamente abençoadas e, como metodologia, o fortalecimento do outro. Quando os companheiros chegam para pedir uma opinião, obtém como resposta: O que você acha? O que você programou? O que você acha de discutir com seu parceiro de trabalho para decidirem juntos? Você conseguiu realizar sua tarefa? Você precisa de ajuda em alguma parte da sua tarefa?
Ou seja, não há um líder absoluto que centraliza as tarefas para decidir, mas para delegar. Delegar apontando as potencialidades divinas de cada um. Se um tem facilidade para a música – vamos tocar na plenária! Se um para teatro – a peça de abertura e encerramento das atividades! Se um para lavar as panelas – socorro, tem um montão lá na pia! Se um alegrar as pessoas – recepção!
Não reunimos dentro de nós todos esses potenciais (graças a Deus), mas se nos reunimos em grupo, cada peça completa o quebra-cabeça!
Para isso tudo, muita conversa de lado, escuta do outro. Assumo que cheguei antes, há alguns anos atrás no trabalho de mocidade, mas apesar disso, não detenho comigo toda a verdade. Posso contribuir com minha experiência e flexibilizá-la como mais uma referência.
Vejo que isso tem trazido um “porto seguro” para os trabalhadores de mocidade da regional. Pessoas essas que vão e realizam, vão lá na frente e falam, passam o recado. Falam muito bem. Algumas vezinhas só precisam que eu assopre o roteiro. Tenho, então, de saber que a hora é de me diminuir para que eles apareçam – como fez João Batista com Jesus.
E como somos todos humanos, claro que nem tudo é só paz. Meu autoritarismo se expressa com meu dedo indicador apontando o que foi delegado, minha marca registrada: “Fulano, faz isso”; “Ciclano, aquilo”. Mas já entendi que por enquanto esse papel ainda é necessário na condução do grupo. Amanhã não será mais: líderes estão em formação!
Responsabilizar-se e responsabilizar com os outros. Não delegar apenas, nem supervisionar, mas responsabilizar-se pelo sucesso do outro no trabalho espiritual: Está tudo bem na sua tarefa? Precisa de ajuda? Quer dividir alguma coisa? Vamos ver quem pode te ajudar? Eu acho que você consegue!
E a partir daí os resultados: lembrancinhas, crachás, atividades, músicas… Cada um no seu trabalho, pelo mesmo trabalho! Destacar os feitos de cada um e a espontaneidade no fazer e na criação do que faz. Investir no desejo do outro, no que quer fazer e o no que acredita que pode.
Entendo que o trabalho do líder não é se eternizar… Fazer nossa parte, aquele trabalho que é nossa cara, permitir e buscar por onde que o outro aprenda com o trabalho, como a gente aprendeu um dia e continua aprendiz. Formar novos líderes, compor equipes, relativizar nosso ponto de vista sem abrir mão de nossa convicção. Delimitar espaços de participação e responsabilidade, respeitando a condição do outro de tão aprendiz quanto a gente.
Na Regional SP-Centro, aprendi a evitar as lideranças:
- “só o cargo e nada mais”, o líder que fica com o cargo sem encargo;
- “tudo eu”, o líder que assume para si alegrias e desgraças do trabalho;
- “nada eu”, o líder que só manda os outros e nada faz;
- “líder do ano que vem”, o líder que espera ano que vem para fazer;
- “líder-timer” que já faz muito em uma hora e meia na reunião.
Como humanos, somos um pouco de cada tipo desses líderes e, no papel de líderes, nos desafiamos em sermos como Jesus: objetivo e amoroso com os seus. Não hesitar em falar “sim, sim” e “não, não” para as situações que nos pedem posicionamentos.
Importa destacar a alegria de sermos líderes em prol de algo bonito a ser realizado, que é a evangelização de jovens corações, como o meu e o dos trabalhadores. Considerar a educação como “tirar algo de dentro pra fora, deixar aparecer”.
Agradeço a passagem na liderança como um emprego espiritual abençoado. E que venha a nova equipe!
Rejane – Regional SP Centro
Ouça aqui a música “Menino da Paz” regravada pelo grupo de música da Regional SP Centro:
[audio http://sq.txdnl.com/mwt/d/a/l/h/dalhemongo/playlists/206179/1888749.mp3]





yuridc said,
October 28, 2008 @ 12:42
Maravilhosa reflexão sobre o trabalho e sobre TODOS aqueles que fazem com que ele aconteça. Lendo esses relatos sobre os encontros percebemos que a BASE do MOVIMENTO DE MOCIDADES se fortalece cada vez mais, o que faz com que TODO O MOVIMENTO se fortaleça com muita segurança. =)