O SENTIMENTO RELIGIOSO
O Trevo, Outubro de 1987.
O sentimento religioso é inerente a todas as criaturas humanas.
Atavicamente, o homem teme, havendo nascido deste estado emocional o respeito pelo desconhecido e a adoração automática, os sacrifícios e cultos mediante os quais pretendia aplacar as forças vivas e temerárias da Natureza.
Na medida, porém, em que ao instinto sucedeu a razão, modificaram-se, lentamente, os quadros da fé, passando da aceitação fetichista e receosa ao amor e ao conhecimento das leis que regem a Vida.
Jesus desempenhou papel preponderante nesta mudança de comportamento.
Moisés havia estabelecido anteriormente os códigos da justiça, de que Hamurabi se fizera excelente pioneiro, na condição de legislador. No entanto, permaneceu predominando a Imposição de Deus guerreiro, mais temido do que amado.
Em outras culturas, missionários diversos estabeleceram programas de culto à Beleza, ao Dever, à Sabedoria, enquanto diversos povos se detiveram no primitivismo e na selvageria dos costumes ancestrais.
Confúcio estabeleceu a filosofia da moral social e familiar. Krishna ensinou a “lei dos renascimentos”. Lao-tse contribuiu em favor da paz e do equilíbrio. Hermes revelou a conquista da sabedoria. Zoroastro ensinou o culto ao dever. Sócrates preconizou o auto-conhecimento e a moral integral como bases para a felicidade.
Jesus, no entanto, fez-se o Caminho da Vida, na direção da Verdade.
A “lei de adoração”, como capítulo basilar das “leis naturais” ou “de amor”, vige nos sentimentos de todos os seres pensantes, em forma de auto-reconhecimento a despeito da fragilidade que os caracteriza.
O homem tem-no, portanto, inato, como decorrência de sua origem divina, a que se submete e busca mediante o esforço, posteriormente racional e atuante que se impõe.
Esta adoração é realizada no íntimo, exteriorizando-se em forma de respeito pela vida, agindo corretamente nas diretrizes do bem com total superação das inclinações para o mal.
A princípio entrega-se aos cultos externos, superando-os, à medida que mais se eleva e engrandece.
Sacrifica os prazeres mais fortes, que substitui pelas emoções superiores da beleza, da arte, decorrentes das virtudes que se exorna para triunfar nas lutas de redenção que trava cotidianamente.
Transforma, assim, os teus sentimentos e entroniza Deus em tua alma, em teu coração.
Aplica a razão ao teu sentimento religioso e ela te auxiliará a integrar-te cada vez mais no espírito do amor universal que exalta o pai criador.
A fé, que raciocina e discerne, proporciona segurança íntima, dinamiza os valores morais, auxiliando o ser no seu processo de crescimento, qual alavanca a propulsioná-lo para frente e para o alto.
A fé, portanto, que ilumina interiormente e acalma, que consola e se irradia em forma de caridade e amor, proporciona a perfeita religiosidade, que une a criatura a Deus, assim fazendo-a haurir forças e coragem, sabedoria e resistência para lograr com êxito o tentame da reencarnação.
Desenvolve-a através da meditação e do trabalho do bem, considerando que o sentimento religioso posto em prática dignifica e enobrece o homem.
Gandhi alcançou as culminâncias dos objetivos, mantendo-o vivo e pujente nele próprio. Schweitzer cuncluiu a tarefa de amor a que se propôs, mantendo-o vibrante em todos os seus atos.
E Jesus, símbolo e realidade insuperável, tornou-se o mais perfeito exemplo de entrega a Deus, adorando-O sem cessar, para que Lhe pudéssemos seguir sem receio nem falsos escrúpulos.
Joanna de Angelis (Página psicografada pelo médium Divaldo P. Franco em 17-01-1987, no Rio).
FONTE: O Trevo.
O texto acima faz parte do Índice Geral de Assuntos do jornal O Trevo, da Aliança Espírita Evangélica. Ter acesso ao mesmo só foi possível devido a um grande trabalho de digitalização. O índice compreende o período de 1973 a 1999, referente aos Trevos números 1 a 303. O período de 1999 a 2008, será adicionado posteriormente.
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