Sabe, em um determinado momento da vida, a gente para e faz uma reflexão de tudo o que vivemos, o que deixamos de fazer, o que ainda faremos, as coisas que são importantes. Mais uma questão logo me vem a cabeça quando penso em cosias dessa natureza: Quem sou eu? É natural, principalmente quando somo jovens, querermos ser alguém totalmente diferente de nós, pelos mais diferentes motivos, creio que todo mundo se não passou, ainda vai passar por isso. É um percurso necessário para descobrir uma verdade que contarei no final do texto.

Eu já quis ser Zico (sonho de infância) o maior jogador do Flamengo de todos os tempos. Craque de bola, bom caráter, exemplo dentro e fora dos gramados. Quantas e quantas vezes fui ao Maracanã (muitas vezes escondido dos pais) vibrar com o Mengão e reverenciar as cobranças de falta do “Galinho de Quintino”. Meu coração transbordava de felicidade com os gritos da torcida em um estádio todo vestido de vermelho e preto. Mais aí o jogo acabava, a massa se silenciava e só restavam as lembranças das tardes maravilhosas (quando o Fla vencia) de Domingo. Eu percebi que era muito difícil ser Zico, era muito sacrifício para carregar sobre os ombros, era um trabalho árduo, de suor, de dor, de treinos, afinal, era uma responsabilidade monstruosa fazer a alegria de milhares de torcedores que muitas vezes deixavam de comer para comprar um ingresso e assistir os jogos ou transformar essa alegria em decepção a cada derrota. Acho que eu não poderia suportar. Então, não quis mais ser Zico.

88901039

Eu já quis ser Renato Russo, líder da Legião Urbana, Na minha modesta opinião, uma das maiores bandas brasileiras que já existiram. Renato encantava pelo que escrevia, para ele, a letra vinha sempre antes da música. Gostava de sua voz também, mas definitivamente me encantava mais com as letras (ainda me encanto). Acho que a Legião fez, faz e ainda fará a trilha sonora da minha vida. Quando estou feliz, ouço “Eduardo e Mônica” que diz assim: “Quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração…” Quando estou triste ouço “A Via Láctea”: “Quando tudo está perdido, sempre existe um caminho…” Quando estou apaixonado ouço uma música que eu acho linda que é “Mil Pedaços” que diz: “Se quiseres voltar, volta não, porque me quebraste em mil pedaços…” Gosto de tantas outras que me lembram tantos momentos. Mais um dia parei para pensar o quanto é difícil ser ídolo de alguém, quanta pressão existe para compor. Lendo sobre o Renato, vi o quanto ele era sozinho, percebi que quando os holofotes se apagavam, só restavam as lembranças e a melancolia e não quis ser mais Renato Russo.

Já quis ser tanta coisa, político, herói, vilão, simpático, mulher, alto, gordo, bonito, inteligente, amigo, fiel, pássaro, óculos (acredite), mar, Pato Donald (nunca Mickey Mouse), MC, jornalista, vagabundo, palhaço (isso até sou), etc, etc, etc…

Em todas essas possibilidades, todos esses sonhos e desejos que eu muitas vezes não entendia, eu descobri que eu não queria ser ninguém, ou melhor, eu só queria ser eu mesmo e pensando ser essas pessoas eu estava conseguindo isso. Todas essas fantasias eram exclusivamente personagens meus, faziam parte de mim e isso é muito bacana. Só que com o meu amadurecimento, percebi que o meu melhor personagem era ser eu mesmo. Com todos os problemas, todas as dificuldades e todos os defeitos. Ao mesmo tempo com todas as minhas soluções, todas as idéias e todas as minhas virtudes. Sei que estou longe de ser o mais perfeito, o mais inteligente, o mais bonito, o mais simpático, o mais forte, o mais especial, o mais. Mas de uma coisa eu tenho certeza: Eu sou único! Sou único porque sou Pedro, e cada um de nós intimamente sabe o que realmente somos. Talvez essa identidade ainda não tenha sido descoberta por você, mas com o passar do tempo isso irá acontecer.

O importante é que nessa busca pelo seu melhor personagem, você melhore interiormente e principalmente acredite que não há nada melhor do que se descobrir a cada dia e estar em paz consigo mesmo, por mais difícil que isso possa parecer. Quem é você?…


Eu Não Sei na Verdade Quem Eu Sou
Fernando Anitelli (O Teatro Mágico)

Eu não sei na verdade quem eu sou
já tentei calcular o meu valor
Mas sempre encontro sorriso e o meu paraíso é onde estou
Por que a gente é desse jeito?
criando conceito pra tudo que restou
Meninas são bruxas e fadas
Palhaço é um homem todo pintado de piadas
Céu azul é o telhado do mundo inteiro
Sonho é uma coisa que fica dentro do meu travesseiro
Mas eu não sei na verdade quem eu sou
Já tentei calcular o meu valor
E sempre encontro sorriso
E o meu paraíso é onde estou
Eu não sei na verdade quem eu sou
Perguntar
Da onde veio a vida
por onde entrei.
Deve haver uma saída
e tudo fica sustentado
Pela fé
Na verdade ninguém
Sabe o que é
Velhinhos são crianças nascidas faz tempo
com água e farinha colo figurinha e foto em documento
Escola! É onde a gente aprende palavrão…
Tambor no meu peito faz o batuque do meu coração
Mas eu não sei na verdade quem eu sou
Já tentei calcular o meu valor
E sempre encontro sorriso e o meu paraíso é onde estou
Eu não sei na verdade quem eu sou
Perceber que a cada minuto
tem um olho chorando de alegria e outro chorando de luto
tem louco pulando o muro, tem corpo pegando doença
tem gente rezando no escuro, tem gente sentindo ausência
Meninas são bruxas e fadas
Palhaço é um homem todo pintado de piadas
Céu azul é o telhado do mundo inteiro
Sonho é uma coisa que fica dentro do meu travesseiro
Mas eu não sei na verdade quem eu sou
Já tentei calcular o meu valor
Mas sempre encontro sorriso e o meu paraíso é onde estou
Mas eu não sei na verdade quem eu sou…

Pedro – Vale

    Tagged with:
     

    Gostou? Então dá uma olhada nesses:

    1. Fazer o bem sem olhar a quem!

    Leave a Reply

    Your email address will not be published. Required fields are marked *

    *

    You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

    • Twitter
    • Facebook
    • Picasa
    • YouTube