Religião e Religiões
O Trevo, Fevereiro de 1986.
De tempos em tempos o movimento espírita parece ser tomado por um modismo qualquer e, como se isso fosse resolver todos os problemas do mundo, paralisa-se as atividades e as atenções se voltam para as tradicionais discussões e contendas inúteis. São entediantes repetições das famosas discussões bizantinas em que perdia-se o precioso tempo dos anos discutindo o sexo dos anjos.
Hoje existem grupos que ainda estão, disfarçados de “investigadores”, discutindo a natureza do corpo de Jesus (fluído ou matéria?) talvez porque com isso alimentam a esperança de mudar os rumos decadentes da nossa civilização…
O modismo mais recente concentra-se viciosamente na religiosidade ou não do Espiritismo.
Em nossa opinião, a religiosidade ou não religiosidade do Espiritismo não é da alçada das discussões e sim uma questão de opção vivencial, isto é, tal religiosidade pode ser vivenciada ou simplesmente rejeitada, dependendo do grau do indivíduo para com este tipo de experiência.
É verdade também que às vezes torna-se necessário de nossa parte assumirmos uma posição de defesa da religiosidade do Espiritismo face às costumeiras distorções cometidas propositalmente pelos partidários da não religiosidade, a fim de deturpar o verdadeiro significado da Religião e do misticismo e ainda confundir o público com apelos extremistas.
Todos sabem a diferença fundamental que existe entre a Religião no seu significado universal e as religiões, que são escolas que procuram aplicar de alguma forma aquilo que o sentimento místico manifesta espontaneamente na individualidade. O que caracteriza essa Religião universal é a manifestação desse comportamento místico encontrado em todas as épocas nos quatro cantos do planeta, variando somente a forma de compreensão e expressão daqueles que vivenciam esse sentimento.
O Espiritismo, com certeza, não é mais uma dessas religiões que por aí se encontram, porque ao ser elaborado por consciências elevadas repeliu os erros e defeitos próprios da crença irracional, mas de forma alguma pode ser isolado do contexto religioso universal, pois identifica-se e satisfaz plenamente essa necessidade espiritual do ser. Só não se identificam aqueles que não querem se identificar; só não vivenciam aqueles que não querem ou não conseguem vivenciar.
CONCLUIMOS: discordar é plenamente aceitável, mas negar é, acima de tudo, mais fuga do que convicção, pois o Espiritismo, segundo nos consta, foi feito para os homens e não para os avestruzes.
Dalmo Duque dos Santos
FONTE: O Trevo.
O texto acima faz parte do Índice Geral de Assuntos do jornal O Trevo, da Aliança Espírita Evangélica. Ter acesso ao mesmo só foi possível devido a um grande trabalho de digitalização. O índice compreende o período de 1973 a 1999, referente aos Trevos números 1 a 303. O período de 1999 a 2008, será adicionado posteriormente.
O endereço: http://www.digmafra.com.br/aee/otrevo/
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