As cartas de Luiz Sérgio são postadas sempre às terças-feira, às 10h. Para ver todas as cartas, clique aqui.
…que procurassem, no final
de cada ano, analisar as
coisas boas que tenham feito
e recebido…
Estou aqui para dar [...]
As cartas de Luiz Sérgio são postadas sempre às terças-feira, às 10h. Para ver todas as cartas, clique aqui.

…que procurassem, no final
de cada ano, analisar as
coisas boas que tenham feito
e recebido…
Estou aqui para dar notícias minhas porque nós, os espíritos, quando estamos de folga, gostamos de nos entreter com os amigos. Como no momento só consigo estabelecer contato com você, venho tomar seu tempo para entabular uma conversação unilateral, quase um monólogo, a não ser nos breves momentos em que você me faz alguma pergunta ou dá um aparte mental.
Como sempre em constante atividade, tenho trabalhado e estudado bastante. Nosso trabalho tem sido bem interessante e variado.
Soube que meu pai e minha mãe estiveram aqui em sua casa dias atrás, porém não pude vir, porque tinha tarefas importantes a realizar.
Conforme vamos progredindo em nossa compreensão, recebemos encargos de maior responsabilidade e não podemos nos afastar com facilidade de nossa missão.
Isso acontece em toda parte e com os encarnados também. Aliás, é bem provável que, por esse motivo, de agora em diante, minhas mensagens sejam mais espaçadas. Sempre que puder, virei.
Meu calendário marca o fim de um ano muito bom para todos e cheio de realizações. É assim que mantemos em dia as informações sobre todas as pessoas por quem nos interessamos: usamos uma espécie de agenda onde anotamos as coisas mais importantes que temos de conseguir e as consumadas. Seria muito bom para todas as pessoas encarnadas manterem anotações dos projetos o objetivos que desejem alcançar, assim como daquilo que realmente conseguem fazer. Veriam quanta coisa realizam, embora se esqueçam depois. Seria oportuno lembrar-lhes que nem sempre as lamentações e os resmungos são procedentes.
Todos nós temos por hábito reclamar das coisas que nos aborrecem e não nos lembramos das que nos causam alegrias; vivemos o memento feliz como se fosse um acontecimento natural, porém, quando temos um pequeno problema ou um malogro em nossos propósitos, não os encaramos com naturalidade. Ora, sendo a vida um contínuo aprendizado, ela é delineada de forma a que as vitórias e derrotas, os sofrimentos e as alegrias se alternem para que possamos estar sempre enfrentando situações novas e aprendendo a resolvê-las. Admitimos que devem nos alegrar nas horas felizes, mas não conseguimos pensar da mesma forma quando chega o momento de sofrer pelas dificuldades que encontramos.
Caberia aqui um aparte: “alguém conseguiria ser alegre quando esta sofrendo?”
Sim. Há sofrimentos redentores que, para o espírito que possui compreensão, causam tranqüilidade tal que pode ser considerada felicidade. Ela sabe que está atravessando um vale sombrio para encontrar mais adiante um campo verdejante.
Bem, não vamos exigir muito, porque ainda não estamos tão evoluídos que possamos entender bem a causa de sofrimentos atrozes pelos quais passarão muitos irmãos, encarnados e desencarnados. Só o Estatuidor da Lei sabe porque devemos aprender por esse meio.
Estou tocando neste assunto porque gostaria que todos os que deixei (amigos e parentes) procurassem, no final de cada ano, analisar as coisas boas que tenham feito e recebido; fizessem como que um balanço das atividades do ano para poderem verificar o que de bom realizaram e o que receberam de outrem ou da própria vida.
Na minha agenda costumo anotar: lugares onde estive; pessoas atendidas por mim ou por meu intermediário, com auxílio do grupo a que me filio; mensagens que ditei; ocasiões em que conversei com meus pais (em espírito); e assim por diante. Anoto também as impressões que tive dos lugares que visitei e o que de novo encontrei; os resultados dos trabalhos que fiz ou nos quais colaborei ativamente; sensações no meu contato com encarnados; enganos que precisam ser analisados com atenção para serem corrigidos; e outras coisas mais.
Se vocês assim procederem, ficarão surpresos ao notarem quanto de bom, de útil, de agradável, conseguiram executar em um ano. Não avaliam quantas pessoas, ambientes, lugares novos conseguimos conhecer! Quantas coisas novas arquivamos em nossa mente!
Nós nos sentimos muito felizes quando, no último dia do ano, revemos nossas anotações. Experimentem fazer isso no próximo ano. Depois vocês me dirão se apóiam ou não o que estou sugerindo.
Luiz Sérgio.
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Não se faz uma corrente sem
que ela se vá prolongando
por infinitas etapas de
evolução.
A vida aqui neste Plano não é um [...]
As cartas de Luiz Sérgio são postadas sempre às terças-feira, às 10h. Para ver todas as cartas, clique aqui.
Não se faz uma corrente sem
que ela se vá prolongando
por infinitas etapas de
evolução.
A vida aqui neste Plano não é um mar de rosas. Temos sérios embates, nos quais muitas vezes necessitamos usar uma relativa energia para podermos ajudar. Nossos mentores são enérgicos e cônscios de seus deveres. Aqui não há lugar para desmandos. Quem ainda não consegue ter força suficiente ou compreensão para manter-se dentro das normas estabelecidas, imediatamente é convidado a procurar outro grupo onde o aprendizado é mais suave. Como exigem disciplina! Não há, de forma alguma, recalcitrantes. Estes vão para outras colônias onde têm, de vez em quando, oportunidade de desobrigar-se das funções por vontade própria, porque o trabalho que exercem não exige atenção constante e pode ser abandonado sem prejuízo para outrem. Quanto mais aprendemos e executamos trabalho de maior alcance, mais conscientes temos de ser em nossa responsabilidade e de modo algum podemos ausentar-nos sem licença prévia. Seria bom que todos se fossem habituando disciplinando, se desejam progredir espiritualmente.
Veja que, para vir até aqui dar uma mensagem, deve-mos, em primeiro lugar, tomar conhecimento do trabalho programado. Caso ele seja de tal importância que requeira a atenção de todos nós, ninguém tomaria a iniciativa de pedir um afastamento de algumas horas sequer.
Se verificamos não haver tanta necessidade da presença de todo os encarregados da missão e se já conhecemos bem o serviço, então podemos pedir ao nosso mentor licença para nos ausentarmos, explicando-lhe motivo.
Aí começa uma série de praxes que todo estudante como eu deve seguir. Indagam-nos sobre o assunto do qual vamos tratar e conversam demoradamente sobre ele, a fim de verificarem se o conhecemos bem. Alertam-nos sobre tópicos que devemos evitar; enfim, dão-nos uma orientação. Até aí não sabemos se vamos obter a devida permissão para sair. Após esse preparo, se não tiver havido motivo que o impeça, recebemos a licença e os acompanhantes indicados. Somos agrupados em caravanas, pois ainda não devemos andar sozinhos.
Quando venho e não sou atendido, fico desapontado. Nosso mentor, com paciência, explica que faz parte de nosso aprendizado essa frustração que sentimos. Aos poucos, percebemos essa ansiedade ao ensejo de um contato com encarnados.
Faz uma semana que estou por aqui em estudos e tudo corre muito bem, de acordo com a missão de cada um. Percorri as casas de todos os meus parentes terrenos. Cada um procura seu caminho com maior ou menor facilidade, mas todos terminam fazendo o que devem. Aqui o aspecto não é diferente. É preciso deixar as preocupações inúteis e seguir de acordo com o trabalho que se tem a realizar.
Por falar em trabalho, estive observando o que o seu grupo está fazendo. Achei muito interessante e quase pedi para fazer parte das expedições noturnas, porém, como tinha outra atividade, achei que não iria cumprir bem nenhuma das duas e desisti. Como você sabe, à noite, enquanto seu corpo descansa, você sai com seu grupo para trabalhar. A vocês se juntam os irmãos da corrente de espíritos que os vêm buscar.
CORRENTE DE ESPÍRITOS – é assim chamada porque o grupo de irmãos em trabalho liga-se a vários outros grupos em diversos estágios da espiritualidade, para assegurarem a devida proteção e terem garantida a retaguarda, como dizemos. Não se faz uma corrente sem que ela se vá prolongando por infinitas etapas de evolução. Cada etapa, ou cada grupo de irmãos do mesmo nível de evolução, forma um ELO. Então, sim, depois de conseguida essa ligação, pode-se iniciar o trabalho.
A ligação pode ser feita de cima para baixo ou vice-versa. Falo com esses termos para que me compreende bem.
Quando os encarnados iniciam esses trabalhos aqui na Terra, fazem suas preces na tentativa de conseguir formar a corrente. Um elo dessa corrente compõe-se de elementos encarnados que procuram “subir”, no seu modo de dizer, e manter contato com outros grupos de espíritos, o mais alto que puderem alcançar. Está certo fazer assim. Em cada plano que conseguirem chegar entrarão em contato com irmãos preparados para isso, que, espiritualmente, darão cobertura aos trabalhos. Permanecerão em sintonia até que os mesmos sejam encerrados, quando, então, a corrente será desfeita. Nesse caso, a corrente foi formada de baixo para cima.
Entretanto, pode acontecer que um grupo de irmãos superiores necessite seja feito um trabalho no plano terreno e envie o projeto sucessivamente a várias entidades de outras camadas, assinalando precisar do Espírito encarnado para a sua realização final. São convocados os trabalhadores e, na hora predeterminada, forma-se, de cima para baixo, uma corrente que vai alcançar a criatura encarnada. Essa é a corrente formada de cima para baixo. Dependendo da importância do trabalho, ela pode ter início muito em cima ou no plano adequado encarregado da missão.
Os trabalhadores encarnados são convidados a deixar o corpo repousando e vão, conscientes, fazer o que devem. Recebem instruções como nós recebemos e seguem o grupo que está encarregado de agir. Cada qual é acompanhado nessa missão por um desencarnado experiente. Ao iniciarem o trabalho, se encontram dificuldades que não conseguem superar, recebem logo auxílio do grupo que forma elo imediatamente superior. Isso poderá acontecer novamente e, então, outro ele entrará em ação, até que tudo seja realizado.
O mecanismo desse intercâmbio ainda não sou capaz de explicar, mas posso relatar os fatos que já observei. Sempre que há necessidade de grandes e importantes trabalhos, é formada a corrente que – pode ter certeza – não falha nunca. Essa é a missão que seu grupo está cumprindo atualmente.
Gostaria de falar sobre outro assunto. Nem sempre consigo dizer exatamente o que quero, mas me esforço para chegar perto. Por exemplo, quando dizemos que aqui é tudo rarefeito em relação à matéria que conhecemos quando encarnados, fazem idéia de que a densidade relativa é rarefeita. Não, não é. As moléculas guardam entre si os mesmo espaços como na matéria. A matéria é que é diferente. Somos corpos iguais, de matéria diferente. Tudo se opera como se fôssemos gente mesmo. As diferenças estão nas propriedades dessa matéria, que não condiz exatamente com a que forma o mundo dos encarnados. Ela é mais “maleável” do que a da Terra. Fazemos coisas diferentes por métodos também diversos daqueles que usávamos aí. Isso é muito interessante.
Expliquei em minhas primeiras mensagens que conseguia atravessar as paredes das casas feitas por encarnados. Mas havia paredes que me repeliam. Lembra-se! Agora conheço a razão e vou fazer o possível para explicá-la de modo a que entenda.
Já ouviram dizer que tal qual construção parece ter alma?
Muitas casas, ou monumentos, ou seja lá o que for que se construa na Terra, algumas vezes constituem obra de tal importância (particular ou social) que muitos espíritos se empenham em ajudar a construir e dão até o seu auxílio manual, trabalhando ombro a ombro com os operários encarnados. Enquanto estes últimos manejam a cal e o cimento, os obreiros espirituais usam material próprio do plano em que vivem os desencarnados. A obra tornar-se uma dupla construção. Resultado, temos dificuldades em atravessá-la. Entendeu?
Prometo trazer sempre noções novas para os amigos. Sei que papai, mamãe, meu irmão e todos os outros vão ler isto que escrevi. Sei que mamãe vai corrigir as vírgulas e colocar em evidências algumas coisas. É assim mesmo. As mães são corujas com os filhos em qualquer plano em que estejam.
Um grande abraço amigo, deste amigo de todos os amigos.
Luiz Sérgio.
Gostou? Então dá uma olhada nesses:
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…viu-se uma luz radiosa
que envolveu a todos e sons
maravilhosos, que vinham
não sei de onde.
Andei muito ocupado, cuidando de assunto novo [...]
As cartas de Luiz Sérgio são postadas sempre às terças-feira, às 10h. Para ver todas as cartas, clique aqui.
…viu-se uma luz radiosa
que envolveu a todos e sons
maravilhosos, que vinham
não sei de onde.
Andei muito ocupado, cuidando de assunto novo para mim. Estive ajudando o desencarne de uma pessoa que conheci e que ainda estava passando por uma prova. Acompanhei todo o trabalho dos irmãos mais experientes e vi muita coisa que jamais iria compreender, se estivesse encarnado. Gostaria de dar uma explicação, contar o que vi e como entendi o processo de desencarne.
Já fazia alguns meses que sabia da próxima vinda dessa criatura para o espaço. Recomendaram-me que nada dissesse a ninguém. Cumpri o prometido e assim deram-me a oportunidade de acompanhar o desencarne.
A doença que vitimava o irmão prendia-se a motivos cármicos e constituía uma sagrada oportunidade de resgate. O sofrimento que essa doença acarreta depura o espírito e deixa perceber a extensão de certos vícios sedimentares em suas diversas fases evolutivas, bem como os sentimentos de ira, de vingança e outras inclinações más que ainda possuímos. Isso está por ser estudado mais profundamente pela psicologia médica. Não sei se entendem que a Medicina precisa basear suas teses nas reações psicológicas do indivíduo. Se a criatura não conseguir dominar seu próprio corpo, não poderá curar-se de doenças e muito menos evitá-las. Repousa no Espírito a força que protege o homem dos males que atacam seu corpo e desequilibram sua mente.
A pessoa de quem eu falo precisou ficar no corpo até que “chegasse a hora”, como dizem. Há uma forte razão para assim acontecer. Nenhum irmão que o assistia pretendeu aliviar seu sofrimento antecipando sua saída do corpo. Auscultavam, davam passes, tomavam medidas de auxílio para fortalecê-lo espiritualmente. Notei que observavam atentamente o paciente. Havia sempre um irmão perto dele como se fosse enfermeiro. Cuidavam muito do seu equilíbrio mental.
Houve um dia em que não consegui conter a curiosidade e fiz a clássica pergunta que, segundo me informaram depois, todo Espírito em minhas condições costuma fazer. Quis saber por que não retiravam logo o irmão, já que não seria mais possível reconstituir-lhe o físico. O médico, pacientemente, explicou que nada deve ser feito antes do momento próprio. Se o Espírito for retirado sem o devido preparo, pode acontecer que leve grande carga doentia, o que iria dificultar sua convalescença no espaço; que seria bem melhor para ele sofrer um pouco mais no corpo, para gozar melhor e mais brevemente a libertação. Quando acontece, naturalmente por inexperiência, ser a pessoa retirada antes do momento propício, ela vai sofrer mais tempo como desencarnada. Não há vantagem, portanto.
Os Espíritos que se dedicam à assistência aos desencarnantes têm grande prática e sabem ver o momento exato do desprendimento. É o que se dá ao colhermos um fruto; sabemos quando ele está maduro. Assim acontece. Quando se aproxima a hora de ser retirado, o Espírito é avisado de que em breve deixará de sofrer. Ministram-lhe passes que lhe transmitem forças e muitos conseguem até apresentar melhoras, enganando os familiares que os rodeiam, fazendo descrever a tensão emocional entre eles. É a coragem de que reforça o Espírito para o desligamento final. Esse desligamento é interessante de ser observado. Como ainda sou aluno e quase nada aprendi, não sei explicar de maneira mais clara ou científica como se dá o fenômeno.
No caso que estou relatando, foi feito ao Espírito um chamamento, de modo a fazer com que se voltasse para o plano espiritual, e se manteve com ele uma conversa telepática. Não sei o que lhe disseram. Não captei. O irmão já estava cansado de sofrer e depois que entendeu a mensagem mostrou interesse em verificar quem estava presente. Conheceu um de nós e enviou pensamentos de afetividade, o que fez com que os irmãos que o observavam esboçassem grande calma e aparentando saber o que faziam, continuaram apresentando imagens belas ao irmão, de acordo com suas possibilidades de apreensão e entendimento.
Assim, viu-se uma luz radiosa que envolveu a todos e sons maravilhosos que vinham não sei de onde. Até perfume espalhou-se em volta. Logo, formas vagarosas tornaram-se visíveis para nós, mas o irmão não se percebeu.
Muito vagarosamente, foi sendo chamado o Espírito para fora do corpo. Aos poucos foi desprendendo-se, como casca (corpo). Saía por todos os poros, segundo parecia.
O desligamento final aconteceu mais rápido. De repente, após um de nós ter-lhe estendido as mãos, ele se sentiu atraído e “largou” o corpo, que tombou . Não se deu conta do momento exato e final de seu desencarne, pois riu de satisfação ao nos abraçar e logo caiu na sonolência, que dizem ser natural. Foi levado para as câmaras de repouso para ser cuidado até se recuperar.
Não é bom para os espíritos recém-desencarnados ficarem largados por aí, sem alguém que deles cuide nessa fase inicial. Há perigos aos quais estão expostos e podem ser até muito maltratados. Imaginem se podíamos pensar nisso se não tivéssemos visto!
O interesse é que ninguém se apercebe do que acontece e que seria possível, mesmo ao encarnado, acompanhar a fase do desencarne.
Cada pessoa enfrenta a “morte” de maneira diferente. Porém, as fases são quase as mesmas para todos. Segundo nosso mentor, há os que são apressados, impacientes, que querem livrar-se logo do sofrimento físico a acabam carregando consigo muita mácula para expurgar depois. Há os que são por demais agarrados ao plano físico e tentam ludibriar os encarregados da operação., para permanecerem mais algum tempo no corpo, estes têm sofrimento mais longo e também saem desiludidos, sem esperança e realmente cansados. Como se retiram com revolta, porque desejam ficar, então sofrem duplamente. Há os que são expelidos do corpo porque este, de repente, deixou de ter condições de servi-los, como aconteceu comigo, que não me apercebi, naquele momento, que havia desencarnado. Ainda não estudei bem o meu caso. Não quiseram tocar no assunto, porque são unânimes em achar que não há necessidade de o fazer agora. Há os que destroem o corpo e voltam em condições precaríssimas. É tão triste a situação desses Espíritos que nem tenho desejo de contar.
Os desencarnes seguem todas as fases predeterminadas pelas leis cósmicos. Elas se aplicam independentemente da vontade de quem quer que seja, o que não impede que possam ser violadas. Como o corretivo é inerente ao engano cometido, ele se aplica em decorrência da própria violação. Há atenuantes e agravantes que podem amenizá-lo ou torná-lo severo nas conseqüências das violações, porém nada disso depende de nossa vontade no sentido de minorar os sofrimentos. Podemos acalentar os sofredores, dar-lhes ânimo e esperança, mas não temos poder para retirar-lhes as provas, ou antes, os reajustes.
Todos nós nos enganamos muito quando estamos encarnados, sempre que vamos julgar a vida de nossos semelhantes. Lembro-me de ter ouvido falar de determinadas pessoas que eram tão boas e que, no entanto, tiveram de passar por grandes provações. Isso sempre me intrigou e eu não conseguia atinar com a sua razão. Agora, já com a visão mais ampla de nossa vida, compreendo tudo isso. De nada adianta queremos fugir a Lei, porque ela está gravada em nós. Ela se manifesta como princípio de nosso estado. Sem ela não “seríamos”. Ouvimos dizer que DEUS tarda, mas não falta. DEUS é o Criador, portanto, é a Lei. ELE está dentro de nós, portanto, a Lei também reside em nosso interior.
Como a evolução se processa através do aperfeiçoamento da criatura em conformidade com os moldes desejados pelo Criador, as leis que regem essa evolução são simplesmente êmulos que levam o indivíduo, através do aprendizado, à conquista de graus cada vez maiores de compreensão que lhe permitam atingir os degraus evolutivos, cada vez mais elevados ou inlevados.
INLEVADOS – é um termo novo que estou usando. Quando falamos “elevados” vem-nos naturalmente a idéia de altura, tal como costumamos admiti-la. Pensamos num alto prédio, nas nuvens, na lua e vamos até às estrelas. “Intervalo” é por elevação interior que não exprime altura, e sim condição. As criaturas não se colocam mais “alto” no sentido de distância do chão por estarem evoluindo. Adquirem condições, de modo a poderem viver em sintonias especiais, mesmo entre criaturas menos evoluídas. Ouvem, pensam, sentem, transmitem de uma maneira diferente. Sentem de forma mais sutil, menos impulsiva, não se desgastam inutilmente em esforços necessários, porque têm condições de operar com mais aptidão sem muita perda de energia. Vivem entre nós todos, encarnados e desencarnados e muitas vezes passam despercebidos, porque não provocam impactos, não se evidenciam de forma contundente para os demais. Esses são inlevados. Esse termo eu sei que não é conhecido, mas quis empregá-lo, porque desejo que vocês e conhecem também.
Hoje eu falei sobre coisas muito sérias. Seria preciso falar de alguma coisa mais leve.
No outro dia aprendi a perceber a diferença que existe entre uma pessoa parada e outra andando. Uma delas trazia a cabeça toda envolta em negras nuvens e a outra trazia junto de si uma forma escura. Qual a diferença entre as duas criaturas?
Você é capaz de matar essa charada?
É claro que a semelhança é grande, porque ambas estão em situação não muito agradável. Nós, porém, que conhecemos as malícias de nossos testes espirituais, saberemos responder. Analisemos:
Uma está andando;
outra está parada;
uma está envolta em nuvens negras, e outra trem perto de si um seguidor escuro.
Andar é movimentar-se e quem se movimenta sempre granjeia melhor situação. Outra está parada, significa que não está agindo e sua mente é propicia às más influências.
Resultando:
a que está andando não é acompanhada, porque por si só se livra;
a que está parada assim se conserva, porque não tem energia e, por isso, possui acompanhante afim. Dirão vocês: “Sim, mas a que está andando tem a mente envolta em negras nuvens”. Ora, ninguém manda que ela se movimente em mau sentido. Por que ela não age em sentido positivo?
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Antes de terminar, desejo referir-me ainda ao irmão que desencarnou. Ele está muito bem e em franca recuperação, porém não poderá dar notícias suas tão cedo e é aconselhável que não pensem nisso. Deixem-no descansar num justo repouso, depois de tantas lutas.
Um abraço afetuoso a todos os que me conheceram e que ainda se lembram de mim.
Papai, mamãe, Cezinha e todos, todos os familiares estão incluídos no meu circuito de vibrações. De ninguém eu me esqueço. Creiam-me.
Luiz Sérgio.
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A emissão de luz, sua
intensidade e freqüência vão
depender da qualidade” do
Espírito.
Aqui, no plano espiritual, nos achamos em treinamento dos estudos que [...]
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A emissão de luz, sua
intensidade e freqüência vão
depender da qualidade” do
Espírito.
Aqui, no plano espiritual, nos achamos em treinamento dos estudos que estamos fazendo. Ë preciso pôr em prática e teoria. Esse é o motivo de eu ter vindo hoje. O grupo todo assiste nosso trabalho. (a psicografia que estava sendo feita naquele momento, da transmissão desta carta)
Lembra-se de como descrevi a coloração de sua aura em minha última mensagem? Notei que você (a médium) também não sabia explicar o porquê. Então fui buscar auxílio com o mentor e ele nos deu pormenorizada explanação, tão clara que todos nós entendemos. Como estamos aprendendo a dar conhecimentos e você também não sabe, vou aproveitar a oportunidade para esclarecê-la. Espero sair-me bem.
Procure ficar com a mente livre e sem querer raciocinar por sua conta. Faça como se não soubesse do meu intuito. Vamos ao trabalho.
Passam as nuvens róseas, refletindo os raios solares. Ao fim do dia, ou na aurora, elas se colarem e apresentam muitas vezes belos espetáculos. As cores se confundem e vão até o alaranjado escuro; e não se sabe onde começa um tom e termina outro. O céu é todo franjado e as nuvens têm formas diversas e diversa coloração. Ë a luz benfazeja do sol e refletir-se e decompor-se ao deparar com a atmosfera da Terra, que contém poeiras, gases diversos e água.
Imagine a beleza de um céu estrelado, cheio de pontos luminosos amarelos, azuis, vermelhos, verdes, etc. Cada ponto é um sol, que reflexos dariam eles na Terra se a iluminassem? Como se decomporia a luz ao expor-se à atmosfera da Terra? Cada grânulo de poeira ou gota de água, que cor apresentaria? Que reflexos maravilhosos seriam, se todos eles iluminassem simultaneamente o mesmo acaso! Ou o amanhecer! Ora, isso não é possível, pois são muitos e em variedade infinita.
Como seriam as manhãs terrenas se a Terra também emitisse raios que, embora sem intensidade semelhante, se estivessem entrelaçando ou resistindo à passagem de luz do sol (ou dos sóis, na hipótese de serem vários)? Como se apresentaria o acaso ou o amanhecer? De que forma enxergaríamos o horizonte?
Pense e imagine cada raio de luz, ou cada partícula emitida, encontrando-se com outro raio em sentido contrário. Que impressão nos daria o fenômeno visto da Terra? Talvez víssemos um bombardeamento policrômico de partículas que se modificariam ou se adensariam, formando um belíssimo jogo de variegadas cores em mutação constante.
E seria, então, uma visão de pequenos sóis que se acenderiam, e se apagariam ininterruptamente, para darem lugar a outros, em seqüência instantânea. Pena que nossos olhos não teriam possibilidade de observar. Enxergaríamos o resultado do fenômeno em seu conjunto: as cores predominantes, decorrentes das dominantes físicas que exercessem com maior intensidade a influência na combinação das cores. E diríamos, como dizemos, que o céu está alaranjado, róseo, avermelhado…
No entanto, se possível fosse dispormos de órgãos próprios para seletar os componentes cromáticos desse fenômeno, veríamos uma chuva de luzes modificando suas tonalidades até o infinito, num jogo de cores arrebatador.
A Terra, porém, não é luminosa. Mas o Espírito o é!
Sua luz depende da maior ou menor intensidade com que ele participa da vida da criatura. Seu metabolismo emite uma energia diferente da física ou paralela a ela. Essa energia desprendida em partículas que emanam em torno do campo de ação do Espírito, que é o corpo, mais intensamente em umas partes e menos em outras, conforme a atividade do momento (em volta dele há entes que também emitem luz) – é a aura espiritual dos seres. A emissão de luz, sua intensidade e a freqüência vão depender da qualidade do Espírito. Há os que pouca energia irradiam; há os que emitem monotonamente a mesma espécie ou forma de energia; há os parcimoniosos, que guardam para si a melhor força para as transferirem no sentido físico etc.
Entretanto, há os que, em determinadas ocasiões, emitem rajadas violentas de energia e os que a emitem abundante, mas em freqüência regular, sem violência. Essa emissão de energia forma a chamada “aura emotiva ou psíquica” que caracteriza os sentimentos do indivíduo. Como cada freqüência corresponde à manifestação de uma cor, a aura toma a cor que se relaciona com o que o Espírito está sentindo ou pensando.
A aura espiritual só é influenciável por agentes externos que sejam também luz espiritual, ou esteja sendo produzida por elementos espirituais. Quando se encontram duas auras resplandescentes, digamos de cor azul, essa cor é reforçada e aumentada muitas vezes de intensidade, uma cor que representa a caridade, como a rosa, este (rosa) ficará mais escuro e a luz que fará brilhar as partículas que se chocarem serão vermelha. A não ser que a energia emitida pelo rosa seja tanta que elimine a intensidade da emissão vermelha. Se a aura chocar-se com várias auras ao mesmo tempo azuis, amarelas, lilases, etc., veremos nesse encontro miríades de meteoros formando-se desaparecendo logo, cada qual de uma tonalidade, conforme a energia de que cada partícula estiver carregada.
Essa foi o motivo pelo qual me confundi com sua aura. Eu mesmo a influenciava e já causava transtornos à sua coloração. Outras pessoas também estavam aqui, todas desejando dirigir-lhe o pensamento, o que as fazia emitir, em sua direção, um jato de energia que ia chocar-se com sua aura e produzir o fenômeno que observei. Qual a cor inicial da aura? Não nos soube dizer o mentor instante, porque, ao desenvolver-se, cada ser apresenta modificações diversas, e o estudo de todos esses detalhes depende, realmente, de possuirmos dotes espirituais de intuição e vidência.
Espero que tenha entendido mais ou menos o que expliquei. Se fui feliz na explicação é que já começo a aprender.
Luiz Sérgio.
Gostou? Então dá uma olhada nesses:
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…um núcleo tão bem
formado com quase tudo
semelhante às nossas
cidadezinhas.
Que Jesus esteja contigo!
É assim que devemos iniciar nossas mensagens, substituindo o boa noite [...]
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...um núcleo tão bem
formado com quase tudo
semelhante às nossas
cidadezinhas.
Que Jesus esteja contigo!
É assim que devemos iniciar nossas mensagens, substituindo o boa noite convencional. Isto porque, sendo Jesus (ou tendo sido) um bom homem, cuja filosofia exalava de si perfumes raros como o amor, a caridade, o perdão, etc., logicamente, quem estiver com o pensamento nele terá uma boa noite. É questão de se colocar a mente em corrente de pensamentos pouco egoístas, comungando com outras criaturas que também assim se colocam; isso influi muito no metabolismo espiritual (se assim se pode dizer) e, conseqüente, trará boas influências ao andamento normal do físico.
Quando pensamos em Jesus o fazemos com respeito e sempre imaginando–o de acordo com os atributos que lhe foram dados pelos apóstolos ao escreverem os Evangelhos e que nos oferecem a imagem de um Espírito perfeito, meta de todos nós. Assim, ao desejarmos que Jesus esteja com alguém, nossa intenção é que comungue com Ele e, portanto, seja perfeito.
Prometi que faria uma descrição da cidade onde vivo. Realmente pode-se assim chamar, embora não seja muito grande. É um local de trânsito. Isso significa que não paramos muito nela. Já me disseram que, de lá, ou se reencarna ou se muda para outras, de acordo com as possibilidades de cada um.
Muitos irmãos já descreveram lugares semelhantes, segundo me informaram. Porém , para mim, constitui inteira novidade encontrar, de repente, um núcleo tão bem formado com quase tudo semelhante às nossas cidadezinhas. Isto depois de se ter “morrido”!
Quero contar alguma coisa de você. O aspecto de sua aura é feita de partículas entremeadas de várias espécies de cores. É regra geral notar-se a aura colorida em tons característicos mais ou menos uniformes. Sua aura é interessante. Ela parece formada por pedacinhos de todas as cores, variando de maneira rápida, transformando-se em mistura de cores, de tal forma que não se pode julgar com precisão qual o sentimento preponderante no momento. A impressão que se tem é que você consegue dissimular a própria aura, ou separá-la como num prisma, decompondo a luz que emite.
Isso aprendi a ver faz pouco tempo. O professor explicou que a aura indica o estado de espírito e fez relação das principais colorações e seus significados.
Ao chegar, observei você. Foi uma mistura tal que nada pude deduzir. Fiquei confuso. Agora vou voltar e pedir explicações para seu caso.
Tia Ernestina, a irmã falecida de minha avó materna, veio falar comigo. Eu não a conhecia, nem me lembrava de ter ouvido falar nela. Conversamos muito, mesmo. Falou-me da Vovó; disse-me que agisse como pessoa de responsabilidade, porque só os Espíritos sérios, de propósitos elevados, conseguem merecer atenção dos mentores gerais, daqueles irmãos de grande sabedoria. Aconselhou-me a que me dedicasse com afinco ao trabalho, mostrando o real interesse que tenho e não me acanhasse em inquirir sobre o que desejasse saber. Aconselhou-me, também, a não desprezar nenhuma informação por mais sem importância que parecesse.
Contou alguma coisa sobre a vida que leva em outra colônia. Eu agradeci muito a tia Ernestina e ela partiu prometendo voltar ainda antes de eu ser transferido da colônia.
É. Esqueci de contar que eu talvez seja transferido para outra cidade que me dará melhores meios de estudar. Dizem que, gostando de transmitir conhecimentos, torna-se necessário que os adquira. Isso me foi dito em tom sério, fazendo-me entender que credenciavam minha iniciativa. Eu gostei.
Acho que minha transferência ainda vai demorar, porque há uma série de itens a cumprir e métodos a adquirir. Só depois de me acharem apto, poderei ir. Estou no curso primário. Quando terminá-lo, irei adiante.
Já estava escrito que eu viria cedo. Era preciso. Minha experiência seria curta e eu sabia disso. Agora já passou. Estou-me adaptando ao novo ambiente e encontrado grandes vantagens sobre o anterior.
Não vou poder continuar os meus estudos eletrônicos aqui; não me mostraram esse caminho. Aconselharam-me a estudar um ramo completamente diferente, ao qual damos muito pouca importância : o das humanidades; na Terra dos encarnados damos-lhe o nome de “Ciências Humanas. Acham muito importante e, nesse ramo, incluem a Medicina também. Se o médicos soubessem!!!
LUIZ SÉRGIO.
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As cartas de Luiz Sérgio são postadas sempre às terças-feira, às 10h. Para ver todas as cartas, clique aqui.
Nunca estamos sós.
Ainda não sei muito bem se devia continuar dizendo as coisas que digo, porque desconfio que elas são banais. Porém, como sempre encontramos pessoas para as quais essas [...]
As cartas de Luiz Sérgio são postadas sempre às terças-feira, às 10h. Para ver todas as cartas, clique aqui.

Nunca estamos sós.
Ainda não sei muito bem se devia continuar dizendo as coisas que digo, porque desconfio que elas são banais. Porém, como sempre encontramos pessoas para as quais essas coisas são novas, é de utilidade que se ensine, recomeçando sempre. Por isso, aqui estou novamente com muita satisfação.
Muita coisa me tem acontecido desde a última notícia que dei. Estou sendo procurado por muitos irmãos que querem colaborar também e me incentivam bastante. Hoje estão muito deles aqui, porque quiseram conhecer minha família terrena. Estão animados, esperando poder participar de algum trabalho que projete suas inteligências no bem e no amor aos encarnados. Acho que ainda não estamos preparados para enfrentar um trabalho de tamanha envergadura e só daqui a alguns anos teremos possibilidades de executá-lo
É melhor para todos nós, principalmente para os encarnados, que nos mantenhamos em discreta distância, pois nenhum de nós saberia resolver os problemas que os afligem. Já tive provas dessa dificuldade, enfrentando casos estudados pelo meu grupo, sempre orientado pelo mentor (eu já expliquei que mentor é igual a professor).
O caso estudado não era dos mais complexos, mas, mesmo assim, deixou–nos embaraçados . Imagine que havia dois irmãos brigando por causa de uma moça. Perguntou-nos o mentor se saberíamos opinar sobre a questão. Os outros nada disseram e ficaram indecisos. Eu, então, resolvi expor meus pensamentos, porque achei muito natural fazê-lo. Disse que eles brigavam por uma tolice, pois a moça gostaria de um só. E se fosse o caso dos moços gostarem da mesma moça, ambos deveriam desistir e continuar sendo amigos. Então, disse-me o mentor:
- “Como você faria para normalizar a situação?”
Fui rápido na resposta, usando o conhecimento que já havia adquirido:
- “Chegaria perto de cada um deles e daria a intuição; ou esperaria que ambos dormissem para conversar com eles e convencê-los a continuar se estimando, desistindo da moça”.
O mentor, muito sério, levou-nos a um canto e depois de apaziguar os contendores, fazendo um deles se afastar e o outro descansar, ficou observando o que ficava. Após alguns minutos, pôs atenção no que me pareceu ser a mente espiritual do moço, voltou sorrindo e disse que o caso estava quase resolvido.
Levou-nos dali para o lugar onde moramos. É verdade. Nunca falei dele para você. Ë uma cidadezinha onde nós, desencarnados, temos tudo aquilo de que precisamos e somos abrigados de toda maldade. Outro dia eu explico. Nessa cidadezinha há um prédio grande onde eu nunca entrei. Nosso mentor deixou-nos à porta e entrou sozinho. Passado algum tempo voltou e, interrompendo nossa conversa, convidou-nos a retornarmos à casa dos contendores.
Lá estavam os dois irmãos amuados. Nosso mentor explicou:
- “O moço (que aqui vamos chamar José) sente atração pela moça, mas não vai desposá-la, porque na encarnação anterior contraiu débitos, isto é, tem por obrigação moral casar-me com outra moça da qual abusou e depois a relegou ao desamparo social. Embora ele tenha o desejo de voltar a ter Maria (demos-lhe esse nome) por companheira, não vai ser permitido.
João, ao contrário, é muito amigo (afim) de Maria e veio para ser-lhe companheiro, já que na encarnação anterior não o pôde, porque o irmão José, ao desviar-se do compromisso que contraíra com a outra, tomara-lhe a namorada Maria.”
A conseqüência de tudo isso foi que nós tivemos de lavrar a sentença: vamos ajudar João a casar com Maria. Foi o que começamos a fazer. Tudo sob rigorosa supervisão do mentor, que nos guia passo a passo, só nos entregando serviços menores como recados acompanhamentos para proteção, vigia e outros mais.
Como vê, muita coisa se passa na Terra e ninguém percebe que mãos desconhecidas a orientam para tudo correr certo.
Nós costumamos dizer: “Deus nos ajude” e nem sequer temos a idéia de que realmente Deus nos ajuda, fazendo com que muitos de nós estejamos perto da hora da necessidade.
Bem, esta primeira parte foi toda preparadinha para ser escrita. Cuidei de usar bem as palavras para não terem sentido dúbio. Agora vou relatar outras coisas.
Sabe que tenho feito rápidas viagens pelo Brasil? Não sei por que razão não nos deixam sair do País em nosso trabalho. É provável que nos embaraçássemos por causa da língua diferente que os povos falam. Ainda não estamos práticos em entender os pensamentos. Somos todos aprendizes. Sobre isso ouvi uma palestra em que o orador explicava que a pessoa que treinasse, quando encarnado, a transmissão e recepção de pensamentos encontraria grande facilidade, ao desencarnar, em entender os outros Espíritos, de qualquer nacionalidade que eles fossem.
Já visitei outros sítios que não estão em contato com os encarnados. São lugares onde os desencarnados se encontram agrupados e isolados. Também tomei conhecimento das “encarnações”. Falaram-nos longamente sobre isso. Eu continuo não me lembrando de nenhuma a não ser da última, porém dizem que tivemos muitas como gente. Aí eu não me contive e perguntei.
- “Então tivemos outras sem ser gente, ou nascemos de Adão e Eva?”
Fiz mal e fui advertido, pois inquiri com ironia, mas a resposta veio, um tanto vaga, precisando de maiores detalhes, contudo havia lógica. Disseram que estamos evoluindo espiritualmente e também na forma, e que um depende do outro (espírito e forma); que já pertencemos a outras espécies de animais antes de sermos homens. Isso me fez pensar, mas não mais me atrevi a brincar.
Essas foram as lições mais importantes que recebemos. Elas terão continuidade, porque se formam lacunas no nosso pensamento que nós não sabemos como preencher. É preciso que venham as explicações para que possamos fazer comentários.
Quero que perceba que estou falando muito no plural. Foi-nos recomendado que usássemos o “eu” o menor número possível de vezes. O mentor sugeriu que verificássemos os encarnados e contássemos quantos caminhavam inteiramente sós. Nós contamos apenas um em uma multidão. Então, fez-nos notar que nunca uma pessoa está só. Há sempre alguém acompanhando e auxiliando, quando não, prejudicando. Por isso, devemos ir-nos acostumando a nunca usar o pronome na primeira pessoa do singular, mas sempre no plural.
Ainda quero falar de outras coisas. No Natal, por exemplo, que também festejamos. Já na véspera, ouvimos, uma belíssima explanação com a recomendação de que não fizéssemos o nosso Natal egoisticamente. De acordo com a sugestão, o grupo, sempre seguido pelo mentor, buscou uma família necessitada de conforto; e, então, foi uma correria, intuindo um a outro para levar – lhes o necessário a fim de que o estômago insatisfeito não os impedisse de pensar em Jesus.
Jesus é louvado em todos os trabalhos e reuniões que temos. Ensinam-nos que ele foi admirável em sua abnegação. E seu mérito é tão grande que não sabem de ninguém que conseguisse alcançá-lo.
Assim, como expliquei acima, passei o meu primeiro Natal no espaço. Já com a missão cumprida, recolhi-me a orar e, pela primeira vez aqui, orei com devoção mesmo. Não orei pedindo nada para mim, mas rogando um pouco de alegria para meus pais, que agora só ficaram com meu irmão.
Hoje recebi licença para vir fazer uma visita e deixar minha mensagem. Agradeço a oportunidade e desculpe-me se não me sinto com espírito jocoso, próprio para divertir. Outro dia voltarei, quando puder e tiver algo interessante para contar. Quero descrever a cidadezinha onde moro. Vai achar muito curiosa.
LUIZ SÉRGIO.
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