O Trevo, Fevereiro de 1987.
De Jesus de Nazaré, o Cristo, não ficou retrato algum para a posteridade. Mas quantas figuras já vi que pretendiam ser a sua representação! Desenhadas, pintadas, gravadas ou esculpidas e até bordadas. Produzidas por encarnados, por desencarnados ou por computadores.
No rosto, indefectíveis são os bigodes e a barba. De tão variadas maneiras figurados!
Os cabelos, ora lisos, ora anelados, ou lhe chegam apenas às orelhas ou escorrem abaixo dos ombros.
Seus olhos, preferentemente representados como azuis, podem surgir também castanhos, verdes, amarelados ou negros.
A boca costuma ter beleza quase feminina e a expressão, no semblante, é exageradamente meiga e triste.
Nas vestes, alguma verossimilhança com a realidade, porque o conhecimento histórico do vestuário entre os judeus facilita compor a túnica e manto usuais. O colorido delas, entretanto, geralmente raia pelo absurdo de intensos azuis, vivos vermelhos e ricos dourados. Influência talvez de cultura e época posteriores, que não as da Palestina de há dois mil anos.
Tantas e tão dovergentes representações acabam por confundir o cristão, que nem sabe mais qual imagem mentalizar para seu Mestre.
Haverá no Novo Testamento uma descrição de como Jesus era? Ali não se fala da aparência física de Jesus. De positivo, temos que ele era de raça hebraica e tinha cerca de trinta anos ao começar o seu ministério (L. 3, vs. 23).
E a carta atribuída a Publio Lentulus e destinada a Tibério César, que dizem constar nos arquivos do Duque de Cesadini, em Roma? A página corre o mundo e o tipo nela descrito como Jesus é belíssimo, impactante, cheio de poderes misteriosos. Seria essa a verdadeira figura do Mestre?
Há quem conteste existisse, em Jerusalém, um oficial romano com o nome de Lentulus, ao tempo de Jesus. o único pretor romano com tal nome teria sido Publius Lentulus Cornelius Sura. Mas este não esteve na Palestina e não poderia ter descrito o Mestre em vida, pois morreu no ano 63 antes da era cristã (J. Marin, de New York, citando Dr. Edward Robinson).
E agora?! Vamos nos perder em intermináveis discussões a respeito?
“Não atentes para a sua aparência, nem para a sua altura”, foi a instrução divina a Samuel, num caso especial, “porque o Senhor não vê como vê o homem. O homem vê o exterior, porém o Senhor o coração” (Sam. 17 v. 7). E Jesus também não olhava a aparência dos homens (Mt. 22 vs. 16), recomendando-nos: “Não julgueis segundo a aparência e sim pela reta justiça” (Jo 7 vs. 24).
Então, por mim, de há muito já decidi quanto à atitude a tomar. Aceito olhar as tentativas todas de representações do corpo que Jesus tinha, quando viveu aqui na Terra. Mas ao orar, falar ou escrever sobre ele, não idealizo imagem física alguma. Penso em Jesus-espírito e não em Jesus-corpo. Em seus ensinos, procuro “enxergar” sua visão superior da vida. Apuro a sensibilidade para “ouvir” ao menos o eco de sua vibração de amor. Esforço-me no bem para – quem sabe – ao de leve “tocar” sua aura espiritual.
Que diferença faz como era o corpo que serviu de instrumento a Jesus para sua missão neste mundo? O importante é saber que Jesus é o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido à humanidade, para lhe servir de guia e modelo espiritualmente. (“O Livro dos Espíritos”, perg. 526). Importante é que conheçamos o Mestre em espírito e verdade, seguindo-o decididamente, na vivência a cada instante, aqui ou no Além, para alcançarmos luz e progresso, paz e amor. (Extraído do Serviço Espírita de Informações).
Therezinha Oliveira
FONTE: O Trevo.
O texto acima faz parte do Índice Geral de Assuntos do jornal O Trevo, da Aliança Espírita Evangélica. Ter acesso ao mesmo só foi possível devido a um grande trabalho de digitalização. O índice compreende o período de 1973 a 1999, referente aos Trevos números 1 a 303. O período de 1999 a 2008, será adicionado posteriormente.
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