Voluntariado, Sim. Mas cobrem o Estado.
Somente aos 21 anos de idade decidi me engajar em um trabalho voluntário. Sério. Periódico. Durante algum tempo colhi os frutos inconscientes de estar cumprindo minha parte social, apesar de acreditar que a grande mudança só ocorre em conjunto – à despeito da inegável contribuição que todos podemos fazer.
Retomando, estava convencido do papel que cumpria, não tinha qualquer tipo de discussão sobre voluntariado na minha cabeça. Até que uma discussão envolvendo serviço social, e desigualdade veio me perturbar. Diziam eles:
“O Voluntariado não é uma boa prática. Em alguns casos, ele empurra para a sociedade civil deveres que o Estado deve exercer. Incentivar o voluntariado é perpetuar a incompetência estatal e quem sabe, aprofundá-la.”
E ainda,
“O Voluntariado leva a práticas pulverizadas que tem um pequeno resultado local. Ao criar centenas, milhares de organizações, ele aumenta a burocracia e atua no sentido de desagregar movimentos maiores, que em tese teriam mais poder, político ou social.”
Em alguns casos, é verdade sim, que a ação da sociedade civil, bem ou mal organizada, faz o papel do Estado, seja assumindo completamente o papel deste, seja porque determinado grupo de cidadãos acredita que deve complementar determinada área carente. Vejo, entretanto, dimensões diferentes no que toca à argumentação de que esse movimento perpetua a irresponsabilidade estatal e me permito discordar das afirmações acima citadas.
No mais das vezes, o Voluntariado quando bem estruturado, chama a atenção do grande público, graças ao seu caráter especial. A opinião pública, quando provocada, também consegue levar questionamentos ao Estado. Chamar a atenção das massas e do Estado para um problema que deveria ser de responsabilidade pública é um ótimo começo para que as coisas mudem.
Não defendo, mesmo assim, que o Voluntariado um dia deixe de existir, quando o Estado tiver assumido integralmente suas responsabilidades. Um equilíbrio entre ação pública e ação coletiva organizada me parece o ideal. ONGs como a Anistia Internacional, ou os Medecins Sens Frontiers são essenciais, principalmente porque lidam com relações internacionais, num contexto em que não há um poder maior para policiar e acompanhar eventuais afrontas aos direitos humanos; a Fundação Abrinq e o projeto Amigos da Escola são grandes catalisadores sociais e culturais… mas ONGs que fornecem ao cidadão direitos básicos que deveriam ser providos pelo Estado estão claramente denunciando uma realidade que precisa mudar, que merece mais atenção por parte do poder público, e é nosso direito e dever cobrar essa mudança. Gritemos bem alto, para que os governantes percebam que estamos fazendo nossa parte, e para que então se empenhem em fazer a parte deles.
O voluntariado é do meu ponto de vista, a ação descentralizada, de caráter eminentemente filantrópico, voltada para o indivíduo ou grupo de indivíduos necessitados, sejam eles amparados pelo poder público ou não. A fraternidade do Voluntariado, portanto, implica uma relação pessoal forte. Ele é motivado por convicções pessoais – é apartidário, facultativo, espontâneo, completamente neutro quanto à sua causa. Acredito que isso assegura à esfera moral do Voluntariado uma boa interface. O que está no cerne mesmo do movimento é energia de mudança essencialmente voltada para o bem.
Concluo dizendo novamente: o Voluntariado é MUITO importante. Não podemos esperar que o Estado, o governo, sozinho, mude nossa sociedade. Centralizar demais o poder (a capacidade de transformar nosso mundo, nossa realidade) nunca foi uma boa idéia, e abrir mão do espaço de ação social conquistado pelas ONGs ao longo de uma luta por direitos civis que ainda não acabou, parece uma idéia pior ainda. Como sempre, é uma questão de achar o equilíbrio.
José
(cria da mocidade GEFA e amigo da garotada)
Serviços
Posts Desencarnados
Escolha o Assunto
AEE aliança aliança espírita evangélica carnaval charges charges espíritas Chico Chico Xavier cinema DalheDJ dalhemongo desenhos deus doutrina egm egm11 Encontro encontro geral encontro geral de mocidades encontros espiritirinhas espiritismo espírita filme filme espírita globo Jesus jovem jovens juventude KARDEC mediunidade mocidade mocidade espírita música nosso lar Obras Básicas O TREVO rede globo reencarnação religião sagrado Tirinhas TV vídeoVisitas
- 296.008 visits
- 3.873 hits per visit
- Last 24h: 567 visits & 2188 hits
- One visit each 4'14''
- One hit each 42''
- Your IP: 38.107.179.238
- Your browser: Bot
- Your OS: Unknown
Área Restrita




